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Após conhecer casos de suicídio, professor aborda tema

Renato abriu caminho do diálogo com estudantes de Ribeirão Preto

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Professor de física diz que se surpreendeu com a quantidade de relatos de estudantes que o procuraram para agradecer e desabafar sobre seus problemas (foto: Weber Sian / A Cidade)

"Mostrar a nossa fraqueza é um sinal de força", ensina o professor de física Renato Magosso Filho. Tocado pelo suicídio de dois estudantes de Ribeirão Preto no primeiro semestre deste ano (adolescentes de 12 e 17 anos), e outros dois em um colégio tradicional de São Paulo, ele passou a abordar o tema em sala de aula para seus quase 800 alunos. 

Abriu o coração e contou, inclusive, que já pensou em tirar a própria vida quando jovem. O resultado o surpreendeu: suas redes sociais foram inundadas por agradecimentos e pedidos de ajuda.  

Segundo o Ministério da Saúde, o suicídio é a terceira principal causa de morte em jovens homens de 15 a 29 anos no Brasil. Entre as mulheres, é a oitava causa nessa faixa etária.  

Em Ribeirão Preto, de 1997 a 2016, ao menos 33 ribeirão-pretanos entre 10 e 19 anos se suicidaram. Na faixa etária dos 15 aos 29 anos, foram 160 mortes.  

Renato, conhecido como "professor Mussarela", decidiu que precisava agir. Leu e conversou com psicólogos sobre a melhor forma de abordar o tema.  

A partir de maio, falou de forma franca sobre suicídio nas cinco escolas em que dá aulas e se colocou à disposição dos estudantes. O resultado foi imediato.  

"Meu messenger (aplicativo de bate-papo do Facebook) começou a bombar logo em seguida. Muita gente agradecendo, dizendo que não conseguia se abrir. Me contaram seus problemas, casos de violência sexual, racismo, homofobia". Recebeu, também, cartas com relatos.  


Ajuda  

Renato, então, incentivou os alunos a se abrirem com familiares e amigos e, quando necessário, procurarem ajuda de psicólogo.  

Alguns passaram a atualizar a evolução semanalmente ao professor, inclusive após passarem por profissionais da saúde.
"Me surpreendeu o quantitativo dos retornos. São muitos problemas que afligem esses jovens, que acabam sem ter com quem se abrir", conta. Agora, pretende fazer dessa abordagem uma constante.   

Pensei um monte de besteira  

Aos 18 anos, o suicídio veio à mente de Renato. Na época, via o esforço dos pais em custearem uma boa educação no colegial e, por isso, se pressionava para conseguir passar no vestibular na USP ou Unicamp. Não conseguiu.  

Após conferir que não estava na lista dos aprovados, na folha pregada em sua escola, desabou. "Já tinha pensando em um monte de besteiras", diz. Ao chegar em casa, se surpreendeu com uma carta escrita por sua mãe e até hoje se emociona ao lembrar da reação ao encontrá-la. "Hoje você toma o primeiro tapa na cara como gente grande", ela escreveu, seguindo com palavras de incentivo e conforto. "Se não fosse aquele apoio imediato, sinceramente não sei o que teria feito naquele dia", conta Renato.  

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