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IML não descarta choque elétrico como causa de morte de Lucas

Lucas Costa de Souza, de 13 anos, morreu dentro de uma escola municipal de Ribeirão Preto em novembro de 2018

| ACidadeON/Ribeirao

Lucas Souza tinha 13 anos e morreu no dia 30 de novembro de 2018 (Foto: Arquivo pessoal)


O laudo necroscópico do estudante Lucas Costa de Souza não confirma, mas também não descarta a suspeita de morte por choque elétrico. O menino de 13 anos morreu no Cemei (Centro Municipal de Educação Infantil) Professor Eduardo Romualdo de Souza, na Vila Virgínia, zona Oeste de Ribeirão Preto, no dia 30 de novembro do ano passado. A suspeita é de choque elétrico em uma grade que o adolescente teria escalado no Cemei.

No laudo do IML (Instituto Médico Legal), que é inconclusivo, é afirmado que "não foram encontradas lesões externas e internas que pudessem confirmar a suspeita de morte por choque elétrico, porém não é possível diante dos achados necroscópicos negativos se excluir uma possível morte por corrente elétrica".   

Na segunda-feira (7) foi divulgado o laudo técnico da Polícia Científica, que apontou fiação aparente na escola. De acordo com o documento, de 11 páginas, foram encontrados "fios energizados sem isolamento no local de interesse pericial". No laudo, os peritos do Instituto de Criminalística também afirmam que no teto do corredor havia fios elétricos, além de ter outros encostados na laje molhada e em partes metálicas, portanto "é possível inferir que, havia risco de choque elétrico na laje superior do corredor".

Leonardo Pontes, advogado da família, afirma que entrará com um pedido de indenização contra a prefeitura. "Esse laudo da forma como apresentado, contextualizado com os demais laudos já apresentados, levam a conclusão de que há sim responsabilidade por parte da escola nesse grave incidente. Agora de posse desses documentos será ajuizada uma ação cível de reparação de danos, danos materiais e morais, em face da fazenda pública para quantificação dos valores devidos a família pela perda que tiveram", relata.  

Para o Ministério Público, o laudo esclarece dúvidas e segundo o promotor Naul Felca, a escola tem responsabilidade. "As provas que até então trazidas aos autos demonstram que houve uma ausência de manutenção adequada junto a esse equipamento". O promotor afirma que pedirá uma indenização de mil salários mínimos ou mais para a manutenção das escolas. 

O advogado da família afirma que ainda não calculou o valor que vai pedir por danos materiais e morais.  

Já a prefeitura disse à EPTV que ainda não teve conhecimento do laudo do IML. (Com EPTV)

Pais sofrem em espera

Os pais do estudante Lucas sofrem em uma espera angustiante para saber a causa da morte do filho. "Vamos até onde der: queremos a verdade, a resposta. Porque não é possível um ato desses. Se eles sabiam que a molecada pulava naquele local [grade], porque não tomaram providências?", indagou o pai da vítima, Luiz de Souza, 57.

No dia do ocorrido, a diretora da escola declarou à polícia que o estudante teria escalado uma grade de proteção que separa o pátio de recreação na instituição de ensino e já foi encontrado caído e desacordado. Os socorristas não teriam conseguido reverter um quadro de parada cardiorrespiratória do adolescente.

"Não tinha um monitor, um inspetor de aluno. Ele caiu às 17h07. Foram achar ele às 17h28 e resgatá-lo às 17h40. Eu cheguei com a ambulância e vi que ele não tinha mais retorno, não deu reversão", contou a mãe de Lucas, Silvia Helena da Costa, 36. (Com EPTV)

VÍDEO MOSTRA OS ÚLTIMOS MOMENTOS DO GAROTO LUCAS



Confronto de laudos  

Os pais do garoto afirmaram que receberam a informação de uma suposta intervenção no local após a Polícia Cientifica ter acusado duas pontas de fios desencapados de 220 volts na parte superior de uma laje perto da grade onde a vítima escalou na escola. Essa suposta intervenção teria ocorrido antes de uma segunda vistoria, realizada por técnicos nomeados pelo MP.

Luiz, contudo, disse que essa informação ainda não foi repassada para a polícia e afirmou que a mãe de Lucas é quem deverá comunicar no inquérito quando for chamada.

O promotor Naul Felca, que atua no caso desde o início, deve confrontar os laudos da polícia e do MP. A expectativa dele é que isso possa ocorrer ainda em janeiro. Felca garantiu que a investigação não deverá ser prejudicada, mesmo que seja confirmada a suposta modificação na fiação depois da vistoria do MP, já que houve perícia instantes após o ocorrido. 

"Vai haver um confronto dos laudos da Polícia Técnico-Científica, do IML [Instituto Médico Legal] e, a partir daí, vamos verificar o que foi apurado com nossos laudos e tomar as providências necessárias", afirmou.


Outro lado

A SSP informou que o 6º DP já teria colhido depoimentos da mãe do estudante e da representante da escola. A mãe de Lucas, porém, disse que ainda não foi chamada pela polícia. 

Já a Secretaria Municipal da Educação informou que ainda não teve acesso ao laudo sobre a causa da morte do estudante, citou que há uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) e uma investigação do Ministério Público e que irá se pronunciar apenas às autoridades.

Sobre a suposta intervenção antes da vistoria da equipe do MP, a Educação afirmou que o fato não procede. "Não houve qualquer intervenção na fiação do local onde ocorreu o acidente", declarou.    

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