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Olímpia é a primeira moradora centenária da Casa do Vovô

Há 46 anos no Ipiranga, a instituição também completa a marca de 1 mil idosos atendidos até o momento; para comemorar, é hora da campanha especial de Natal

| ACidadeON/Ribeirao

 

Na primeira reportagem da série ON Nos Bairros, que visa retratar os pontos positivos e negativas de todas as regiões de Ribeirão Preto, o portal conta a história da Casa do Vovô, instalada no Ipiranga há 46 anos, e mostra o dia a dia de quem vive no local que sobrevive graças à colaboração da comunidade.  


São aproximadamente 36.500 dias de vida. Mais de 876 mil horas e muitas histórias na bagagem.  

Os quase 100 anos vividos por Olímpia Tamburus Cairo, completos no próximo dia 12 de dezembro, parecem confusos na mente da idosa, já diagnosticada com demência senil. Nas páginas da Casa do Vovô de Ribeirão Preto, no entanto, nunca foram tão aguardados.  

"Minha idade? Duas notas de R$ 50", brinca a ex-dona de casa.  

O bom-humor da primeira mulher centenária da instituição é comemorado no mesmo ano em que o lar, fundado em 1976, no bairro Ipiranga, completa a marca de 1 mil pacientes assistidos. Todos em situação de vulnerabilidade constatada.  

Por isso, a festividade será tomada pelo clima natalino em mais uma edição da campanha "Natal Solidário: Abraço de Avô".  

"Nós promovemos ações como essa para divulgar o trabalho que é feito aqui e estimular a solidariedade e visitação nessa época do ano. Além disso, os velhinhos tem a oportunidade de escolher os presentes que desejam ganhar do "Bom-Velhinho". Nós escrevemos esses desejos em plaquinhas, fotografamos e postamos nas redes sociais, disponibilizando-os para adoção", explica o gestor da unidade, Alex Rodrigues.  

A iniciativa é apenas mais uma das tantas outras promovidas pela Casa do Vovô ao longo do ano - motivo de orgulho para o bairro nesses 46 anos de atuação.   



Além de cuidar e oferecer tratamento multidisciplinar aos pacientes, o prédio classificado como "Instituição de Longa Permanência" também é palco de histórias tão valiosas quanto a de Olímpia e seus 100 anos de trajetória.  

É lá que moram personagens importantes para a história de Ribeirão Preto, como Haroldo Pereira, de 93 anos.  

Com a cabeça lúcida e alguns contos na ponta da língua, o ex-cozinheiro da Choperia Pinguim não poupa orgulho ao contar de seus 23 anos à frente de uma das cozinhas mais famosas do entorno, além de demonstrar amor pela cidade que o acolheu.  

"Sou carioca, mas foi aqui que minha vida deu certo de novo. Eu trabalhava no Hotel Meridien (RJ), só que minha esposa faleceu em um acidente de carro e meus chefes acharam melhor eu mudar para me recuperar. Foi aí que negociaram minha vinda para Ribeirão", explica Pereira. 

O prato preferido dele? Strogonoff. E o pedido escolhido para a campanha natalina? Uma calça jeans, tamanho 46.  
 
A Casa do Vovô é uma associação civil de direito privado, mantida por repasses e recolhimentos de 70% das aposentadorias dos moradores. A maioria é beneficiada com um salário mínimo pago pelo governo.   

O orçamento, no entanto, é completado, na maior parte das vezes, com doações de alimentos e suplementos doados pela comunidade.  

"Recebemos doações de várias partes da cidade, mas acabamos ajudando outras instituições do bairro Ipiranga quando nossos estoques estão completos. Repassamos alimentos não perecíveis para esses lares e os eletrodomésticos são colocados à venda no nosso bazar", completa o gestor da unidade. 
 
 
Medo da dengue

Ainda de acordo com Alex Rodrigues, os inúmeros casos de dengue registrados na zona Norte são um desafio - e obstáculo -  para a saúde dos idosos. E como tudo tem um lado bom e outro ruim, no Ipiranga não é diferente.  

ACidade ON teve acesso ao último boletim epidemiológico de Ribeirão Preto, com dados computados de janeiro a outubro deste ano, e constatou que a região onde a instituição está instalada é a mais recorrente em diagnósticos da doença.  

Nos primeiros 10 meses de 2019, a cidade teve 22.169 quadros de dengue notificados. Destes, 13.374 foram confirmados pelo Sinan (Sistema de Informação de Agravos de Notificações) e 3.796 dos pacientes eram moradores da zona Norte. A região representa quase 18% do total.  

Por meio de nota, a reportagem questionou a Secretaria Municipal da Saúde sobre o aumento das estatísticas e possíveis ações e projetos de conscientização da prefeitura para conter esses números, mas, até a publicação desta matéria, não obteve retorno.



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