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Dia do Futebol: O lado social do esporte em Ribeirão Preto

Longe do glamour de times profissionais, presidente de equipe amadora revela expectativa para volta do principal torneio da cidade

| ACidadeON/Ribeirao

Goleiro Marcelo (1º dir.), ex-Comercial, é um dos destaques do Jandaia em torneio amador (Foto de arquivo: Divulgação)

Os times entram em campo e a bola começa a rolar em Ribeirão Preto. Mas, engana-se quem pensa que é apenas mais uma partida no Estádio Santa Cruz ou no Palma Travassos, casas do Botafogo e do Comercial, respectivamente.

Situações como essa também são vivenciadas por aqueles que, mesmo sem uma glamorosa infraestrutura, dedicam a vida ao futebol, cuja data se comemora nacionalmente nesta segunda-feira (19). 
 
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Exemplo de que a várzea também oferece um caminho digno é Marcelo Venâncio Machado, o "Tchelo", presidente do Jandaia FC.

O time, que disputa campeonatos amadores da cidade, leva o nome do bairro localizado na zona Norte de Ribeirão, uma das regiões mais carentes no município.

"O futebol mudou minha vida... [Sou] morador de periferia, tem as tentações da vida... [...] Através do esporte a gente seguiu o caminho certo e, se não fosse pelo futebol, acho que não estaria aqui", contou o dirigente em entrevista ao ACidade ON.

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ONG do Jardim Jandaia leva marmitas a famílias carentes do bairro (Foto: Divulgação)

O Jandaia FC foi fundado em 1994, e Tchelo assumiu a presidência dez anos depois. Sob a sua gestão, o clube soma 19 títulos e tem as despesas custeadas por um programa de sócio-torcedor e patrocinadores.

Atualmente, além do time, Tchelo também administra a Associação Esportiva e Cultural Amigos do Jandaia FC, ONG (Organização Não Governamental) que promove projetos sociais no Jardim Jandaia.

A entidade conta com uma escolinha de futebol para garotos e, durante a pandemia, tem levado marmitas a famílias carentes que moram na região.

"Minha vida se mistura com a do time. Eu nunca tive o sonho de ser jogador, porque não era um craque. Mas, sempre gostei do esporte. O futebol movimenta o bairro. O campo é o ponto turístico daqui, onde também fazemos campeonatos internos", explicou Tchelo, que também é proprietário de uma loja que vende artigos do clube no bairro.

O dirigente ainda ressaltou que, apesar da competitividade entre os clubes locais, o foco do projeto não é revelar jovens atletas, mas sim formar cidadãos.

Frutos como o ex-meia Mateus Borges, que começou a despontar no Jandaia, profissionalizou-se no Botafogo e mais tarde passou pelo futebol português, são apenas o resultado de um longo trabalho, celebrou Machado.

"Perdi muitos amigos aqui e eu sempre digo na escolinha: não quero tirar nenhum craque daqui, mas salvar pais de família. Se conseguirmos um atleta, a gente fica contente. Mas, antes de tudo, queremos [formar] pessoas de bem", afirmou.
 

Competições e pandemia

Atualmente, os jogos coletivos estão liberados em Ribeirão. Porém, a prefeitura informou, em nota, que as partidas não podem receber público durante a fase de transição do Plano São Paulo.

Com o calendário de competições afetado desde o início da pandemia, o presidente do Jandaia revelou expectativa para a volta da Copa Tonin, considerada a principal competição amadora de Ribeirão Preto.

O torneio não foi realizado no ano passado devido à quarentena. Em 2021, com o avanço da vacinação, os organizadores preveem que ela possa acontecer a partir de setembro.

"Estou esperançoso, mas tem que ter a vacinação. Se não tivemos, não adianta [o campeonato] voltar e parar logo em seguida. A situação em toda a cidade está muito complicada", ponderou Venâncio.

Neste momento, a equipe principal do Jandaia é a terceira colocada em um torneio que acontece num clube nos Campos Elíseos, na região Norte, e já tem vaga garantida ao mata-mata.   
 
Um dos destaques do time é Marcelo, goleiro com passagens por Comercial e Bragantino. Aos 31 anos, o arqueiro está sem clube profissional e tenta se manter ativo jogando competições amadoras.  
 
Tchelo (foto) é dono de uma loja que vende artigos do Jandaia (Foto: Divulgação)


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