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Ele faleceu nos meus braços, diz mãe de adolescente vítima de covid

Conheça a história da engenheira de alimentos Carla Akiko; Mãe solo, ela fala sobre a dor de perder um dos filhos adotivos

| ACidadeON/Ribeirao -

 
Carla com seus filhos adotivos, Luis Augusto, de 12 anos e Yasmin Vitória de 9 anos - Foto: Reprodução/redes sociais
 

A engenheira de alimentos Carla Akiko ainda se recupera da dor de perder seu filho, Luis Augusto, de 12 anos, vítima de covid-19 em abril deste ano. O adolescente que sofria de miopatia congênita, doença que afeta a musculatura do corpo, morreu no último dia 18 após ficar quatro dias internado no hospital infantil Sinhá Junqueira, em Ribeirão Preto.  

Luis Augusto havia sido adotado por Carla há cerca de dois anos depois de uma longa espera na fila para conseguir a guarda definitiva do garoto. Ele vivia em um orfanato, o Saica, serviço que acolhe crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade e risco social.   

O sonho de ser a mãe dele nasceu durante um trabalho social que ela realiza na casa de acolhimento. Foi lá também que ela conheceu a Yasmin, de 9 anos, irmã biológica de Luis Augusto, que também foi adotada por Carla. Ambos foram para o abrigo após assistentes sociais identificarem condições precárias de alimentação e higiene no lar da família biológica. 

"É uma história muito bonita, embora ele teve um prazo curto ao meu lado. Ele foi muito feliz e eu também. Nesse tempo de permanência comigo e com minha família, ele recebeu algo que nunca teve durante toda a sua vida. Ele teve amor, carinho de mãe, avô, avó, de tio, foi muito bem acolhido", conta emocionada.  

O início do processo de adoção 

Mãe solo, Carla disse que sempre teve o sonho de ter filhos adotivos, desde a sua infância. Há seis anos, aproximadamente, ela entrou na fila de espera e iniciou todo o processo.  

"Fiz a inscrição, o curso de adoção, você passa por entrevistas com psicólogas e assistentes sociais, e depois fui para a busca ativa. Você não espera te avisarem, você vai atrás. Eu fazia parte de uma ONG , o 'Crescer em Família', onde eu conheci várias pessoas nesse meio e me falaram desse local [Saica], onde eu adotei o Luis Augusto e a Yasmin", disse. 

O processo de adoção do Luis Augusto começou em março, no início da pandemia da covid-19. Em razão das medidas de distanciamento, ela só podia conversar com ele por videochamadas. Por meio de um advogado, ela acionou a Justiça e conseguiu autorização em junho do mesmo ano, para o menino conviver com ela e a família em casa.  

"Nos trâmites normais, nesta fase de adaptação, a criança passa o fim de semana e volta para a instituição, mas como estávamos na pandemia, o juiz autorizou o Luis a ficar em casa. Como não podíamos receber visita, eu fiz o chá da cegonha por videochamada. Eu distribui bolos para amigos e famílias e solicitei que cada um mandasse fotos se apresentando para ele - quem era quem da família. Foi uma maneira que encontrei para ele se aproximar de todos", disse. 

Yasmin e o irmão Luis Augusto - Foto: Reprodução/redes sociais

Luís Augusto e seu sonhos 

Segundo ela, o garoto tinha o sonho de ser mecânico de caminhão. Inteligente, precisou conviver com a doença que vai paralisando a musculatura do corpo. Durante o período de convivência, Carla lembra que eles passavam horas e horas conversando sobre tudo que viveu. 

"Ele ficou um ano internado no Hospital das Clínicas (HC) de Ribeirão sem receber visitas e fez muitas amizades por lá com médicos, enfermeiros e pacientes do HC. Ele me falava que tinha o sonho de ser mecânico de carros importados, ele adorava carros", comenta. 

O adeus 

Carla reconhece que fez o que estava ao seu alcance para a felicidade do filho e se agarra na fé para continuar seguindo sua caminhada, ao lado da Yasmin. 

"É uma fase que não é fácil, a gente tem que se apegar a Deus. O tempo Dele não é igual ao nosso tempo. Vem sempre as lembranças, embora o tempo tenha sido curto, ele estava muito feliz, e eu ainda mais de ter realizado o sonho de ser a mãe dele. É uma pena que foi um período curto. A gente tinha planos de viajar junto, então realmente fica a dor", disse.  

"Foi realmente algo inesperado, ele já ia ter alta. Ele faleceu nos meus braços, é uma dor terrível me sentia impotente de não poder ajudá-lo naquele momento. O amor é intenso, mas infelizmente ele teve que partir. Eu falo que todo anjinho tem tempo curto na terra; ele virou um anjinho", continua. 

Livro 

Carla sonha agora em escrever um livro sobre a sua história com os irmãos Luis Augusto e Yasmin, em que também falará de todo o processo de adoção, dos trâmites e caminhos para ajudar outras mães ou pais solos e casais a realizarem o sonho de adotarem uma criança. 

"Eu já comecei a escrever o livro, que conta desde o início do processo de adoção, muitas pessoas não sabem por onde começar, o que fazer; Também penso em falar dos obstáculos porque quando eu fui adotar o Luis e a Yasmin - meu desejo era adotar os irmãos - foi uma barreira muito grande por ser mãe solo, por ser solteira", conclui. 

Carla Akiko sempre teve o sonho de ser mãe adotiva ; Sua história se transformará em livro - Foto: Reprodução/redes sociais

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