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Casal perde R$ 7,5 mil em golpe aplicado em site de compra e venda

Vítimas negociaram compra de um carro pela plataforma Marketplace, do Facebook; Golpista também teria manipulado verdadeiro dono do veículo

| ACidadeON/Ribeirao -

Casal perde R$ 7,5 mil em golpe em site de compra e venda - Foto: Marcelo Casal Jr/Agência Brasil

Com maior adesão aos negócios no mundo virtual, os casos de estelionato se multiplicam e deixam rastros de prejuízos financeiros a milhares de vítimas em todo o país. Os golpes têm se concentrado em plataformas de compra e venda.  

Roberta e o marido tiveram recentemente um prejuízo de R$ 7,5 mil após caírem em um golpe na plataforma do Facebook, a Markplace. O casal de Ribeirão Preto decidiu vender o carro deles para dar de entrada em uma casa e a ideia era comprar um carro de menor valor.  

Durante pesquisas na plataforma, se interessaram pelo anúncio de um C3 da Citroën que estava com valor atrativo. O anúncio, no entanto, era do golpista que pegou as fotos do anúncio original, trocou contato, valores e passou a intermediar a venda, enganando também o verdadeiro dono do veículo. 

"Para meu marido, ele falou que tinha uma dívida com o primo e que a venda seria para quitar essa dívida. Para o proprietário do veículo informou que meu marido era ex-sócio dele e que ele estava repassando esse carro, como forma de pagamento de uma dívida que tinha ficado entre os dois; que a relação dos dois não estava muito boa depois da separação da sociedade e que ele precisava pagar meu marido. Ele [golpista] acabou manipulando os dois", explica.   

Golpista conversa com vítima pelo whatsapp e pede sigilo na negociação - Foto: Divulgação

 

Troca de mensagens

Em uma das mensagens enviadas pelo whatsapp, antes de fecharem negócio, o golpista ainda reforça o pedido para a vítima manter sigilo durante a negociação do carro. 

"Não comenta nada não meu amigo. Você não está pagando nada no carro, está pegando ele em uma dívida nossa, beleza? Nada de valor, por favor, como nós combinamos", escreve.  

O golpista é quem combina o horário para a entrega do veículo e os documentos. Em outra mensagem o criminoso menciona que o dono já o aguarda no local. "Oi. Ele está aí, na localização, recebe ele lá", disse o golpista.  

Na sequência o criminoso volta a pedir sigilo: "Não fala para ele do valor não, pelo amor de Deus. Deu certo?", disse. A vitima então envia o comprovante de pagamento. O golpista diz que vai checar o recebimento com a esposa e desaparece. 

Segundo Roberta, os dois só descobriram que tratava-se de um golpe no cartório onde seria feita a entrega e transferência do veículo.  

"Foi instantâneo, caiu o Pix, sumiu tudo, o anúncio falso no Facebook, o golpista nos bloqueou do whats. Se meu marido e o verdadeiro proprietário tivessem conversado mais um pouco teriam descoberto sobre a fraude a tempo. Eu acredito que sejam uma quadrilha mesmo, porque foi tudo muito articulado. eles manipulam as duas pessoas. Como somos honestos jamais pensei em passar por isso. Estamos arrasados", disse. 

Vitima disse que depois da transferência via Pix golpista desapareceu - Foto: Divulgação
 


Cuidados na rede

Para o advogado Gustavo D'Andrea, especialista em direito digital, as transações de negócios pela internet têm o lado positivo, mas também dá ferramentas para quem quer tirar vantagem ilícita e de forma criminosa.  

Em muitos casos, usam até da psicologia, ludibriar ludibriando as vitimas, a fazendo acreditar de que está obtendo uma grande vantagem no negócio. O advogado acredita ainda ser difícil responsabilizar os bancos, exceto se o prejuízo for causado por falha no mecanismo de segurança do banco.

"Transferências bancárias não precisam ter motivação por trás, um contrato, documento em que é resguardado aquele fluxo de dinheiro. Se eu faço transferência para alguém e descubro que fui enganado como eu provo que a motivação foi o estelionato? Isso é muito difícil. Se os bancos começarem a ser responsabilizados, quem pratica ilícito vai tirar proveito disso. É um risco que se corre com as transações, mas raramente um banco vai ser responsabilizado por isso, a não ser que exista um programa segurança que não foi usado", disse. 

Mesmo assim, ele orienta as vítimas a entrarem com um processo judiciário na área civil para exigir que o banco rastreie a conta do favorecido [quem recebeu o dinheiro] e o chame para prestar esclarecimentos. 

"Os criminosos usam contas de outras pessoas, mas nem sempre é um laranja, às vezes nem mesmo o titular tem conhecimento de que a conta foi invadida e está sendo usada para aquele fim, como por exemplo, pessoas mais velhas, aposentadas, que movimentam pouco a conta", explica.  

"Sempre é importante fazer o boletim de ocorrência na Polícia Civil, porque se a situação começa a se multiplicar em uma região, isso gera prioridade de investigação e pode ser que consiga fazer uma operação para desmantelar a quadrilha e acabar com esses casos. A gente sabe que a demanda é grande se comparada a recursos humanos e técnicas operacionais da Polícia, mas se a situação começa a se repetir, isso vai gerar comoção social", continua. 

Cautela 

Para evitar cair em golpes na internet, o advogado afirma que é importante ter bastante precaução nos negócios online, sobretudo se o suspeito pedir que o dinheiro seja transferido para a conta de um terceiro. 

"Quero comprar um carro, então vou usar um aplicativo, ou site especializado, uma garagem de carros legalizada, sendo possível consultar CNPJ e até consultar outras pessoas para saber se é seguro. Pode ser que você acabe pagando mais, mas é mais seguro fazer desse jeito. E desconfie se a oferta é muito interessante, tomar cuidar de somente fazer transferência para o titular da conta do veículo, isso dá uma segurança maior. Se a pessoa fala que não quer receber na conta dela, ou inventa uma história, começa a desconfiar e procura outros negócios", orienta. 

Outro lado 

A reportagem do acidadeon, procurou os dois bancos envolvidos na transação via Pix: o Santander conta da vítima e o Bradesco, conta do favorecido:  


O Santander, por meio de nota, disse que este caso se trata de um golpe praticado por terceiros e que não possui responsabilidade sobre a negociação realizada. Por essa razão, o recomendado aos clientes é sempre avaliar a idoneidade do vendedor, bem como desconfiar de bens anunciados por valores muito abaixo dos praticados pelo mercado, antes de efetuar um pagamento eletrônico.

O Banco também orienta os consumidores, caso desconfiem terem sido vítimas de fraude, a entrar em contato com a instituição imediatamente."O Santander segue à disposição do cliente e das autoridades que apuram o caso", conclui.

Já o banco Bradesco, informou que para todos os casos de denúncia, o Bradesco solicita esclarecimento do titular da conta receptora e dá o devido tratamento nela, denunciando a chave PIX e encerrando o relacionamento quando não é confirmada a legitimidade do recurso.  

Disse também que conforme regulamento do Banco Central, desde 16/11/2021, o cliente passou a ter a opção de fazer a contestação de transações PIX diretamente no aplicativo do seu banco e a devolução de recursos fica sujeita a avaliação dos bancos e disponibilidade do valor na conta de destino.  

O Bradesco esclarece que o golpe relacionado a ações externas, onde o próprio cliente faz a transação em seus equipamentos de uso habitual e com suas credenciais de acesso, são de difícil identificação preventiva. Nesse sentido, o banco realiza diversas ações de conscientização sobre os tipos de fraudes/golpes bem como técnicas de proteção.  

A orientação ao cliente é que ele sempre deve confirmar os detalhes das transações realizadas. O PIX, assim como qualquer outro serviço, é uma transação segura, validada com senhas e tokens pelo próprio cliente", finaliza.

Sem respostas

Procurados, a Secretaria de Segurança Pública (SSP-SP) e assessoria do Facebook no Brasil não se manifestaram até o fechamento desta reportagem. Caso haja um posicionamento, o texto será atualizado.
  

Polícia Civil de São Paulo tem divisão para investigar crimes cibernéticos - Foto: Divulgação/SSP

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