Empresário é suspeito de operar pagamentos de propina

Luiz Alberto Mantilla Netto venceu licitação e, no ano seguinte, foi nomeado diretor do Daerp

    • ACidade ON
    • Da reportagem

Reprodução EPTV

O empresário Luiz Alberto Mantilla Rodrigues Netto (foto), preso na última quinta-feira (1º), durante a primeira fase da Operação Sevandija, que investiga fraudes de R$ 203 milhões em licitações do governo Dárcy Vera (PSD) em Ribeirão Preto, é suspeito de ser o operador do esquema de pagamentos de propina no Daerp (Departamento de Água e Esgoto).

Segundo a investigação da PF e do Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado), Mantilla foi nomeado diretor técnico da autarquia logo após a Aegea Engenharia e Comércio vencer uma licitação de R$ 68,4 milhões para obras de infraestrutura do próprio órgão.

A empresa de Mantilla, Vlomar Engenharia, com sede em Santos (SP), e uma firma de fachada da namorada dele, Teresa Cristina Lopes da Silva, emitiam notas ficais de serviços fictícios para a empresa Quiron Serviços de Engenharia, de Campo Grande (MS). A mando da Aegea, a Quiron fez vários pagamentos às empresas ligadas a Mantilla. A Vlomar teria recebido depósitos de importâncias entre R$ 105 mil e R$ 270 mil entre dezembro do ano passado e abril deste ano.

Marco Antônio dos Santos, ex-superintendente do órgão também preso pela Polícia Federal, seria o principal beneficiário.

Áudios divulgados ontem mostram o suposto envolvimento de Mantilla no esquema, que incluiria sua própria filha, Julia Mantilla Rodrigues Netto, administradora da Vlomar e também presa no primeiro dia teste mês. Ela teria feito o trâmite burocrático de retirada de dinheiro para o pagamento.

Baixe o Adobe Flash Player

Julia: “Estou voltando pro escritório e já vou fazer a reserva do negócio que você me pediu”.

Mantilla: “Você me fala que dia é pra eu ir aí”.

Julia: “Assim que eu ligar e eles me falarem quando vai tá disponível”.

Mantilla: “Seria bom se fosse na quinta. Daí eu vou amanhã, quinta-feira eu passo lá e já volto”.

Julia: “Não, na quinta-feira, vai tá disponível. (...) Na reserva de saque, o dinheiro só fica disponível a partir das 11h30 da manhã”.

Mantilla: “Não se fala essas coisas, eu já te falei isso”.

Julia: “Tá bom”.

No mesmo dia, segundo a PF, Mantilla esteve na casa de Marco Antônio dos Santos, então homem-forte de Dárcy Vera. A visita seria para repassar dinheiro de propina. Em seguida, Mantillha comenta com a filha a respeito de uma blitz policial que sofreu na rodovia Anhanguera. Julia passa a desconfiar e pede ao empresário que comente o caso com a prefeita.

Julia: “Você não achou estranho”?

Mantilla: “Ah, filha, eles falaram que tão fazendo isso direto. Que outro dia pegaram uma caminhonete com dinheiro, com droga. Esse tipo do meu carro eles estão usando muito pra isso. Por conta de fuga”.

Julia: “Mas ele falou o motivo dessa parada? Ele, tipo, explicou? Deu alguma explicação”?

Mantilla: “Investigação”.

Julia: “Mas, meu, será que essa investigação tem alguma coisa a ver com a prefeita, não, né”?

Mantilla: “Nada, eles nem sabem quem eu sou”.

Julia: “S sabe o que eu acho que você podia fazer? Conta pra prefeita que isso aconteceu".
Mantilla: “Por que”?

Julia: "Ah, não sei pai. Vai que tá acontecendo alguma coisa que não tá sabendo. Comenta com ela”.

Mantilla: “Ah, vou comentar agora que eu vou lá na casa dela. Eu falo com ela.”


0 Comentário(s)

Seja o primeiro a comentar.