É com boas ideias que se faz uma Ribeirão Preto melhor

A Cidade traz exemplos de zero ou baixo custo que podem melhorar a qualidade de vida do ribeirão-pretano

    • ACidadeON/Ribeirao
    • José Manuel Lourenço
Márcia Ribeiro / Especial - 31.jan.2015
Parque Ecológico Maurílio Biagi oferece 70 mil m² de área verde bem no coração da cidade (Foto: Márcia Ribeiro / Especial - 31.jan.2015)

 

Em tempos de crise, a criatividade e a boa gestão dos recursos públicos assumem uma importância maior na vida de um município e dos seus moradores.

Pensando nisso, o A Cidade traz algumas ideias simples e baratas que já são adotadas em alguns locais do País e do mundo e que podem ter um impacto significativo na qualidade de vida dos ribeirão-pretanos.

Na maioria, têm em comum o uso da tecnologia como uma ferramenta que pode aproximar o cidadão do poder público. Mas não se restringem a isso.

São ideias comuns, que vão desde o uso de aplicativos para telefones móveis como forma de se agilizar o sistema de saúde e de auxílio a idosos, até a ampliação do conceito de escola, que se transfortmam em espaços de uso comum aos fins de semana.

O objetivo é mostrar que as saídas existem e que, muitas vezes, fazer com que saiam do papel é um ato que depende muito mais da vontade do administrador público e a de sua capacidade de olhar a cidade de maneira diferente da tradicional, moldada em cima de orçamentos engessados.

Assim como os tempos difíceis exigem governantes à altura, também requerem uma comunidade ativa e que não espera que o poder público tome a iniciativa na resolução de todos os problemas da cidade.
As palavras-chave são parceria e, sempre, cobrança. Não apenas do Poder Executivo, como também do Legislativo.

Participe

Por isso, se você tiver alguma proposta para melhorar a qualidade de vida da cidade - que seja simples, inovadora e fácil de ser aplicada - torne pública, discuta com os seus vizinhos e amigos e, quando estiver madura, fale com o seu vereador, para que possa ser transformada em lei.

ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

No início do ano, o blog iGovBrasil (www.igovbrasil.com) publicou uma lista com dez dicas para
os prefeitos que estavam assumindo as novas administrações municipais. Abaixo, listamos cinco delas.

Tecnologia

1 - Uma das principais sugestões diz respeito à necessidade de melhorar a prestação de serviços com novas tecnologias (computadores, tabletes e smartphones) e mídias sociais (twitter, blogue, youtube, facebook). Uma dica é concentrar os serviços (como já faz o governo do Estado) para facilitar a vida dos munícipes.

Simplicidade

2 - “Ideias simples postas para funcionar podem solucionar muitos dos problemas do município”, sem muitos gastos. Qual é o princípio? Conversar com funcionários, população, coletar ideias e premiar as que dão certo. Segundo o iGovBrasil, o importante é tirá-las do papel e pedir a ajuda da equipe da tecnologia.

Integração

3 - Várias cabeças pensam melhor que uma. O objetivo aqui é fazer com os problemas da cidade sejam vistos de forma integrada e não fiquem restritos à secretarias a que fazem parte. O portal cita o exemplo da habitação: “um programa habitacional não deve esquecer da segurança, creches, uso do solo, transporte etc.

Criatividade

4 - Nunca subestimar a importância da economia criativa. Praticamente todas as publicações de negócios importantes colocam a criatividade e a tecnologia como itens que podem fazer a diferença no futuro de um município, Estado ou país. É preciso, em síntese, criar incentivos para que pessoas talentosas se instalem na cidade.

Marca

5 - Essa dica já havia sido adiantada no Agenda Ribeirão, promovida pelo A CIdade. O município precisa ser reconhecido nacional e internacionalmente como uma marca, que agregue valor à economia local. É preciso descobrir o que a cidade tem que a diferencia das demais e apostar na criação da marca Ribeirão Preto.

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Pixabay
Foto: Pixabay

 

SAÚDE ONLINE

Cada vez mais, aplicativos de telefonia móvel são utilizados para tornar a passagem do cidadão pelo sistema de saúde menos dolorosa. Um deles, de uso mais geral, chama-se Mana Health (https://www.manahealth.com).

O objetivo do aplicativo é fazer com que todas as informações sobre a saúde dos pacientes -doenças, medicações, histórico, consultas- possam estar reunidas em um só local, fazendo com que médicos e os próprios pacientes possam acessá-las rapidamente. Além do mais, o sistema também permite a comunicação entre médicos/especialistas e pacientes, através de mensagens e ainda permite a criação de um banco de dados com informações que podem ser usadas nas próximas consultas.

O outro aplicativo chama-se Caring in Place (disponível apenas para iOS) e permite a criação de uma rede de parentes, amigos e vizinhos no cuidado com idosos. Ele permite a comunicação entre todos na agilização de tarefas como o controle dos horários de remédios. Tudo fica registrado em um relatório que pode ser entregue ao médico, no momento da consulta.

R$ 564,9 milhões
É o valor do orçamento na Saúde para 2017. Desse valor, R$ 188,3 milhões foram executados no setor apenas no primeiro quadrimestre deste ano.

3,2 mil
Número de servidores que atuam na rede municipal.

Déficit de leitos: 1.419
É o número de leitos disponível pela rede de atendimento municipal. Esse número é 30% menor ao preconizado pela OMS (Organização Mundial da Saúde). Pelo porte de Ribeirão, a cidade deveria ter 1,6 mil leitos.

R$ 72,9 milhões
Foi o valor gasto com folha de pagamento dos servidores da rede municipal de saúde entre janeiro e abril deste ano.

Estrutura da rede municipal
23 UBSs (Unidades Básicas de Saúde)
16 Unidades de Saúde da Família (USFs)
12 Unidades Especializadas
2 Unidades Básicas e Especializadas – UBDS Castelo Branco e UBS Simioni
1 UPA (Unidade de Pronto-Atendimento)
1 Unidades Básica e Especializada – UBDS Norte
2 UBDSs (Unidades Básicas Distrital de Saúde) – Central e Vila Virgínia

Equipes
45 Equipes de Saúde da Família
21 Equipes de Saúde Bucal

Fonte: Secretaria Municipal da Saúde

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Weber Sian / A Cidade - 21.out.2016
Foto: Weber Sian / A Cidade - 21.out.2016

 

EDUCAÇÃO E LAZER

Em Portugal, grande parte do sistema de educação público é de período integral. Nas férias, a maioria dos municípios conta com os ATL (Ateliê de Tempos Livres), espaços que podem ser públicos ou privados, que acollhem os alunos durante, sobretudo, o horário de trabalho dos pais. Uma das experiências que vêm sendo adotada no país europeu há algum tempo é a ampliação do conceito de escola, que prevê que os prédios públicos sejam utilizados também aos fins de semana, para atividades que vão além das aulas.

Em cidades como Peniche, localizada a cerca de 80 km de LIsboa, em alguns sábados, domingos e feriados, as escolas tornam-se, por exemplo, locais de encontro de pais com professores, com o objetivo de estreitar a relação entre eles, espaços de produção de cultura, como peças de teatro, shows de música e atividades como essas, fazendo com que a relação da comunidade com os locais de educação não se restrinja à oferta de aulas.

R$ 397 milhões
Orçamento previsto para a Educação em 2017. Desse montante, R$ 107,6 milhões foram executados pelo município entre janeiro e março deste ano. A previsão é de investimento na ordem de 25% no setor

53,1 mil
alunos matriculados nas escolas da rede municipal

Déficit na educação
3,5 mil vagas para crianças de até três anos de idade
393 sem pré-escola e ensino fundamental

24
escolas conveniadas, sendo 19 de educação infantil e 5 de educação especial

109 escolas municipais próprias
35 CEIs (Centro de Educação Infantil)
41 Emeis (Escola Municipal de Ensino Infantil)
31 Emefs (Escola Municipal de Ensino Fundamental)
1 Escola de Educação Especial
1 Escola de Ensino Profissionalizante

60
Escolas estaduais em Ribeirão

11
Universidades e faculdades

Fonte: Prefeitura de Ribeirão Preto

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F.L.Piton / A Cidade - 02.nov.2015
Foto: F.L.Piton / A Cidade - 02.nov.2015

 

SEGURANÇA NOS DETALHES

Tradicionalmente, a argumentação das administrações municipais quando confrontada com questões ligadas à criminalidade e violência é a mesma: o problema é com o governo do Estado e com as polícias Militar e Civil. No entanto, o município também tem deveres com a segurança dos munícipes e estão nos detalhes.

Por exemplo, o investimento em pavimentação, iluminação, limpeza de praças e a aplicação de políticas eficazes que as transformem em espaços de convivência, são decisões que têm impacto significativo na redução da criminalidade.

Da mesma forma, o combate ao crime no município também exige que se conheça o que a socióloga da USP, Ludmila Ribeiro, chama de “dinâmica de funcionamento da criminalidade”. Assim, para ela, cada município deve realizar um diagnóstico em que se encontra a segurança pública, de maneira a que possa aplicar as medidas adequadas para resolver os problemas.

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Mastrangelo Reino / A Cidade
Foto: Mastrangelo Reino / A Cidade - 21.nov.2015

 

HABITAÇÃO SOCIAL

Uma das experiências mais bem sucedidas que envolvem habitação, sobretudo a social, vem da capital da Áustria. O ‘Modelo de Viena’, como se tornou conhecido, prevê que 25% do estoque de imóveis da cidade seja destinado exclusivamente para habitação social e que outros 35% tenham o aluguel controlado. Para que o inquilino tenha acesso a uma habitação social, tem de provar baixos rendimentos.

Em contrapartida, ele praticamente garante o uso do imóvel por toda a vida. O resultado, de acordo com o governo municipal de Viena, é uma comunidade socialmente mista, algo que é visto como fundamental para o desenvolvimento local. Os aluguéis das habitações sociais são subsidiados pela administração municipal cujos fundos vêm da aplicação de taxas e impostos. Entre eles, destaca-se a existência de um imposto com valores progressivamente mais altos de imóveis não utilizados, e que sejam considerados como objetos de especulação imobiliária.

50 mil
É o número de pessoas que estão na fila da Cohab à espera da casa própria

15 mil
É o número de moradias que o governo do prefeito Duarte Nogueira (PSDB) pretende entregar nos próximos 4 anos

55
É o número de favelas em Ribeirão Preto que abrigam cerca de 35 mil pessoas

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Renato Lopes / Especial - 06.jul.2015
Foto: Renato Lopes / Especial - 06.jul.2015

 

IDOSOS

Ribeirão Preto não pode ser definida como uma cidade amigável para idosos. Os degraus dos ônibus são altos demais e calçadas (estreitas e irregulares) que impedem um caminhar tranquilo, são apenas alguns dos problemas encontrados por quem tem a mobilidade reduzida. A construção da cidade deve levar em conta todos os seus moradores e não apenas aqueles que estão no ápice da força física.

Como fazer? O conselho municipal do Idoso pode dar dicas bem interessantes para aqueles que estão em cargos públicos.

E quem está em instituições de assistência social,como asilos e casas de repouso? Um projeto aplicado no município gaúcho de Santa Cruz do Sul está utilizando cães de rua que, após um período de treinamento, são levadas para asilos como forma de melhorar a autoestima dos idosos, especialmente no que diz respeito à solidão. Quer mais? Na França, diversos asilos estão usando videogames com jogos como tenis, boxe e outros para estimular o uso de exercícios físicos dos internos.

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Weber Sian / A Cidade
Foto: Weber Sian / A Cidade

 

TRANSPORTE

Juntamente com saúde, educação e segurança, o setor de transportes é uma das áreas mais sensíveis no dia a dia de um município. E, embora exista um aplicativo que mostra como chegar do ponto A ao ponto B de ônibus, grande parte dos usuários sequer sonha que ele existe. Sabe o que fez um grupo de jovens de Porto Alegre (RS)? Simplesmente pegaram folhas de papel em branco, colocaram em postes ou outros equipamentos localizados ao lado de pontos de ônibus, com a seguinte pergunta: “Que ônibus passa aqui?”.

Embaixo, o usuários escreviam a linha do coletivo e, em alguns casos, o seu itinerário, com ponto final. E, o que causou essa ação? Em 2012, os pontos de ônibus da capital do Rio Grande do Sul passaram a ganhar adesivos com indicações das linhas que passavam pelo local. Em Ribeirão Preto, grande parte das paradas de ônibus ainda não tem indicação das linhas que passam por elas.

Análise>>>Crise é o momento ideal para o surgimento de boas ideias

“Grandes inovações vêm em períodos difíceis. Existem inúmeras soluções em diferentes vertentes desde mobilidade à economia compartilhada que permite se maximizar os recursos existentes. Mas, sobretudo, o que se destaca é a participação cidadã. Quando se entra em crise há uma grande probabilidade de, em havendo locais para isso, as pessoas se mostrarem mais voltadas ao comunitário e tenham uma participação mais ativa. E, aí, surgem grandes propostas.
O que me parece é que os momentos de crise trazem a possibilidade de colocar em prática processos de maior participação cidadã, para que, uma vez passada a crise, eles tenham continuidade.
Ter uma governança mais compartilhada pode ser algo importante em um momento que, de fato, todo mundo precisa se valer da inteligência coletiva para que a cidade se transforme.”

Ana Carla Fonseca, consultora em economia criativa, cidades, negócios e desenvolvimento

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Opiniões

"É preciso otimizar a análise clínica dos pacientes, com eficiência, no processo de regulação. Assim, consegue-se reduzir os reflexos negativos com a falta de leitos" - Benedito Antônio Lopes da Fonseca, médico especialista do Hospital das Cllínicas

"Para melhorar o nível da segurança, é preciso investir em iluminação pública, limpeza e buscar melhor controle social. São pontos que trarão reflexos positivos" - Francisco Mango Neto, Tenente-Coronel da Polícia Militar

"Incentivar a desburocratização, principalmente no processo de liberação dos conjuntos habitacionais. É preciso, ainda, investir em planejamento ordenado" - Fernando Junqueira, diretor-adjunto do Sinduscon

"Buscar união maior com entidades do 3º setor para aproveitar os projetos desenvolvidos nas áreas cultural e esportiva para crianças e jovens de 6 a 18 anos" - Delvita Pereira Alves, Diretora-regional da Secretaria de Assist. Social


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