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Ricardo José Guimarães é condenado a 72 anos de prisão

Guimarães foi condenado a duas penas de 36 anos, por duplo homicídio duplamente qualificado

| ACidadeON/Ribeirao

Reprodução EPTV
Ricardo José Guimarães foi condenado a anos de prisão (Foto: Reprodução / EPTV)

 

NOTÍCIA ATUALIZADA ÀS 9H38

Após dois dias de julgamento, um dos mais longos do 2° Tribunal do Júri de Ribeirão Preto, o ex-investigador Ricardo José Guimarães foi condenado na noite desta terça-feira a 72 anos de prisão pelos assassinatos dos adolescentes Enoch de Oliveira Moura, 18 anos, e Anderson Luís de Souza, 15, ocorridos em 23 de maio de 1996. 

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Os jurados acataram a tese defendida pelo promotor de Justiça Marcus Túlio Nicolino e reconheceram o ex-policial civil como um dos quatro policiais responsáveis pelos dois homicídios duplamente qualificados - motivo fútil e mediante recurso que dificultou a defesa das vítimas e também reconheceram a prática de falso testemunho.

Após a leitura da sentença pela juíza Isabel Cristina Alonso Bezerra dos Santos, o promotor Luiz Henrique Pacini, que foi acusado durante todo o julgamento pela defesa do réu de perseguir Guimarães, se aproximou emocionado de Nicolino e o agradeceu. “Menino de ouro que acreditou na nossa tese”, disse Pacini, em lágrimas. Foi ele, alertado pelo promotor Marcelo Pedroso Goulart, que iniciou as investigações do grupo de extermínio em Ribeirão.

“Foi feita justiça, muito embora 21 anos depois, mas foi feita justiça”, afirmou Nicolino, visivelmente cansado pelas longas horas de julgamento.

Enquanto a acusação comemorava de um lado do plenário, os advogados de defesa tentavam se recuperar do choque da condenação. O veredicto dos jurados causou espanto tanto na defesa e familiares do réu como em boa parte da plateia que já davam como certa a absolvição do réu.

Para o advogado de defesa, César Augusto Moreira, Guimarães foi condenado não pelas provas existentes nos autos, mas pela fama de ser matador e chefe de grupo de extermínio.

Durante o julgamento, tanto Guimarães quanto o advogado choraram, mas as lágrimas não foram suficientes para convencer os jurados – cinco homens e duas mulheres – que os tiros disparados por Guimarães com sua metralhadora Beretta 9 milímetros contra os dois jovens na noite de 23 de maio de 1996 foram em defesa da sociedade.

Nicolino sustentou que os menores foram vítimas de agressão injusta e exacerbada por parte dos quatro policiais integrantes do GPPE (Grupo de Policiamento Preventivo Especializado) e também de um grupo de extermínio que agiu em Ribeirão Preto durante os anos de 95 a 2003.

Ao dosar a pena, a juíza levou em consideração a “presença de frieza emocional e insensibilidade (de Guimarães) ao matar as duas vítimas, uma delas no começo da idade adulta e outra menor de idade.”

 

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