ACidadeON Ribeirão Preto

Ribeirão Preto
mín. 20ºC máx. 36ºC

cotidiano

Divórcios crescem 13 vezes mais que casamentos em Ribeirão Preto

No ano passado, 420 casais se separaram na cidade, número 292% maior que em 2007

| ACidadeON/Ribeirao

Weber Sian / A Cidade
Natália e Matheus resolveram se casar em 2015, após morar juntos por sete anos. Hoje comemoram a vida em família com os filhos Kauê, de 8 anos, e Enzo, 5 meses (Foto: Weber Sian / A Cidade)

 

Os casais se divorciaram 13 vezes mais do que se casaram em Ribeirão Preto nos últimos dez anos. Enquanto o número de pessoas que se separaram cresceu 292% entre 2007 e 2016, a quantidade de casamentos subiu apenas 22% no mesmo período.

Em 2007, 107 casais se separaram na esfera extrajudicial, ou seja, sem intervenção da Justiça. Em 2016, esse tipo de separação foi realidade para 420 casais, segundo o CNB-SP (Colégio Notarial do Brasil), órgão que representa os tabeliães no Estado.

A assistente administrativa Sheyla Fernandes, 38, se divorciou em 2012, cinco anos após o casamento. Ao todo, foram quase nove anos de relacionamento, incluindo o namoro.

O número de casamentos, por sua vez, cresceu em um ritmo bem menor, já que foram oficializadas 3.508 uniões em 2007. Em 2016, 4.282 casais se casaram oficialmente em Ribeirão, segundo a Arpen (Associação dos Registradores de Pessoas Naturais do Brasil).

Docente da Unesp (Universidade Estadual Paulista), o antropólogo Claudio Bertolli Filho considera que a alta no número dos divórcios está relacionada a fatores econômicos e sociais.

“A crise econômica tem levado a um maior número de separações, já que os conflitos entre o casal tendem a aumentar quando há menos ou nenhuma verba para o sustento da família”, afirmou.

Por outro lado, Bertolli Filho destaca que o processo de modernização da sociedade tem rejeitado a ideia de que o casamento é uma união até que a morte separe o casal.

“Não creio que os casais estejam menos tolerantes hoje, é que houve uma ressignificação do casamento. Antes havia uma pressão da sociedade, era feio, vergonhoso ser separado ou amigado, desqualificava moralmente as pessoas”, pontua.

O antropólogo acrescenta que há subnotificação no número de casamentos e de divórcios, ao considerar os casos que não passam pelo crivo legal.

Arte / A Cidade

 

‘A vida tem que continuar’

A assistente administrativo Sheyla Fernandes está solteira desde que se divorciou, mas pretende ter um novo relacionamento. “Quero uma pessoa leal, disposta a crescer intelectual, profissionalmente e evoluir junto comigo. A vida tem que continuar”, pontua.

Sobre o motivo da separação, Sheyla prefere não expor. “Eu não tinha coragem de procurar advogado no início porque o amava. A situação poderia ter sido pior porque não tivemos filhos, só eu sofri”, disse Sheyla, que cresceu filha de pais separados.

Ela considera que a independência da mulher é um dos fatores para motivar a alta no número de divórcios. “A mulher era mais acomodada no passado, suportava mais as coisas para ter um homem que a sustentasse”, conclui.

Milena Aurea / A Cidade
Para Sheyla Fernandes, separada há cinco anos, a maior independência da mulher é um dos fatores que motivam a alta nos divórcios (Foto: Milena Aurea / A Cidade)

 

‘A cumplicidade aumentou’ para Natália e Matheus

A auxiliar administrativo Natália Cristina Mora Dourado, 25, e o marido, Matheus, 25, resolveram se casar em setembro de 2015, após morar juntos por sete anos. Esse casal e outros 4.447 pares disseram o sim naquele ano em Ribeirão Preto.

Após a oficialização da relação, Natália destaca que a vida da família mudou para melhor – o casal tem dois filhos, Kauê, 8 anos, e Enzo, 5 meses.

“Fazemos mais coisas juntos, a cumplicidade aumentou. Compramos a nossa casa este ano e vamos nos mudar já no mês que vem. Se não tivéssemos casados no papel, seria mais complicado”, crê Natália.

A auxiliar considera que, apesar da tendência dos casais morarem junto sem oficializar a relação, ainda tem muita gente que deseja “se casar de papel passado”. “Duas amigas minhas se casaram no ano passado e duas estão se casando neste ano”, contabiliza.

Comentários

"O site não se responsabiliza pela opinião dos autores. Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do ACidade ON. Serão vetados os comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. ACidade ON poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios deste aviso."

Cadastrados

Nome (obrigatório)
Email (obrigatório)
Comentário (obrigatório)
1 comentários
  • Fernando
    22/10/2017 08:50:03
    O amor é efêmero e o teatro näo é sustentável. No final a máscara cai e vem a surpresa e as tragèdias.

Veja também