Sete perguntas para Pedro Palocci, presidente do grupo São Lucas

Holding Hospital Care é a nova controladora das duas unidades do hospital em Ribeirão Preto

    • ACidadeON/Ribeirao
    • Cristiano Pavini
Weber Sian / A Cidade
Pedro Palocci, presidente do grupo São Lucas (foto: Weber Sian / A Cidade)

 

Aos 63 anos - 21 deles à frente do Hospital São Lucas - o médico Pedro Palocci acredita ser possível fortalecer, em conjunto, os planos de saúde privados e o SUS (Sistema Único de Saúde). Ele diz ver mensalmente o irmão Antonio Palocci, preso desde setembro do ano passado na Operação Lava Jato, mas que não conversa de assuntos políticos com ele - muito menos a tentativa de delação premiada. Pedro diz que Ribeirão Preto é polo em ensino e serviços na saúde, mas que ainda há espaço para crescimento. Leias os principais trechos da entrevista

O que a aquisição do grupo São Lucas pela holding Hospital Care e o montante de investimentos mostra sobre a importância de Ribeirão Preto no setor de saúde?
Mostra principalmente duas coisas. Primeiro, que a cidade já é referência. Tanto que fizeram [holding Hospital Care] uma parceria em um município importante, Campinas, e aqui. Somos, assim, um foco de investimentos. Em segundo lugar, comprova ser possível ampliar a estrutura. Fizemos um estudo de viabilidade econômica e potencial da região, que deve ganhar com novos serviços. Hoje, 40% da população da cidade tem plano de saúde, e terão acesso a uma rede mais organizada e segura. Hoje, já há bons hospitais, mas nem sempre o entorno disso está organizado de forma sistematizada, de acesso fácil e qualidade adequada.

Ribeirão é um polo educacional na saúde, com a Faculdade de Medicina da USP e faculdades particulares de referência. Isso pesou na escolha de investimentos da holding?
O volume de médicos disponíveis é muito importante. Serão necessários médicos para viabilizar esse nosso projeto, e hoje Ribeirão já é um polo em quantidade e qualidade suficiente para absolver esses novos serviços.

Foi feito um estudo por parte dos fundos para verificar a rentabilidade e viabilidade desse projeto. Qual a expectativa dos acionistas para a saúde privada no País nos próximos anos? Há uma precisão de fortalecimento dos planos particulares?
No Brasil temos mais ou menos 6,5 mil hospitais, porém mais de 3,5 mil tem menos de 50 leitos. São pequenos hospitais, quase clínicas, de baixíssima complexidade e, até, qualidade. Então, quando se faz um investimento desse porte, lógico que a rentabilidade tem que ser levada em consideração, mas também a qualidade. Não é um projeto de curto prazo, é de maturidade, um modelo para o Brasil, que irá se repetir em outras cidades importantes. Dificilmente haverá inversão do acesso à saúde [segundo o Governo Federal, 24,5% da população brasileira possui plano de saúde), mas com o equilíbrio da economia nos próximos anos a saúde de qualidade voltará a ser uma demanda. A tendência é que as pessoas que perderam o plano voltem a ter acesso e que o número vá crescer. O financiamento do poder público não é suficiente para atender todas as pessoas, e com elas ou empresas bancando o benefício (do plano privado), recurso público será liberado para atender a outra camada da população que não tem recursos ou empregabilidade para isso. O serviço particular vai crescer, e o público vai se fortalecer com isso.

Como avalia a saúde pública de Ribeirão? Há reclamações de demora no agendamento de especialidades e exames e, por outro lado, superlotação das unidades de pronto-atendimento. O que poderia ser feito?
Enxergo que o atendimento básico da população, como vacinação e programa de saúde da família, possui uma rede muito boa e competente. A urgência [com a UPA e as UBDSs] também esté bem estruturada, mas está repetindo as estruturas dos hospitais e ficando sobrecarregada. Deve-se investir na média complexidade, com acesso a exames básicos, como ultrassom e consultas especializadas. Esse é um problema não só de Ribeirão Preto, mas de todo o Brasil. Quem precisa de urgência, é bem atendido. Quem não tem necessidade urgente, tem que esperar bastante. Algo que minimizaria muito seriam parcerias público-privadas.

Vocês pensam, em médio prazo, buscar o poder público para essas parcerias? É uma estratégia de negócios?
Esse não é o nosso objetivo. É muito mais importante o poder público pensar em como seria o modelo ideal de parceria do que oferecermos algo que a rede pública não teria como aproveitar. Mas, apesar de não ser nosso objetivo, pode sim acontecer uma forma de colaboração.

Há demanda para mais um hospital de alta complexidade em Ribeirão Preto?
Fizemos um estudo muito grande de demanda local. Recentemente foi inaugurado um hospital da Unimed e, ainda assim, falta leito em Ribeirão. Pelo menos cem leitos caberiam muito bem. No nosso caso, por exemplo: estamos sobrecarregados, trabalhando com 90% da ocupação.

O São Lucas pretende lançar um plano de saúde próprio?
Não é nossa intenção, nossos clientes são os planos de saúde. Nosso interesse é prestar serviço para todos os planos, podendo ser um instrumento de crescimento deles. No momento em que fizermos da consulta básica à media complexidade, ajudaremos na estruturação dos planos. 

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1 Comentário(s)

Comentário

Roberto Rossi

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Obrigado a todos os médicos do São Lucas, é uma grande equipe com profissionais especializados, sem eles eu não estaria aqui para escrever essas palavras .