Aguarde...

Colunistas

Seu dinheiro: Juros negativos. Hã? Isso é possível?

O mercado financeiro já estima que há uma grande chance de que a principal taxa de juros americana cairá para menos de zero no final de 2020

| ACidadeON/Ribeirao

Eliseu Hernandez D'Oliveira, assessor de investimento da BlueTrade (Foto: Weber Sian / ACidade ON

Na crise do subprime em 2008, vimos os juros nominais dos países desenvolvidos chegarem a 0 e permanecerem nesse nível por um bom tempo. Ao considerar a inflação, os juros reais ficaram negativos por todo esse tempo. Na crise da pandemia, as taxas nominais foram para 0 rapidamente e nesta semana começou a se falar de juros nominais negativos. Ou seja, literalmente pagar para investir. Não chegamos nesse patamar no Brasil (ainda), mas a Selic já está perdendo para a inflação (nem vou comentar da poupança). E isso tem impacto direto no portfólio dos investidores.

Imagine que a Selic que hoje é 2% ao ano (aa), caia para -0,5% aa. O famoso 100% do CDI, vai render -0,6% aa. Ou seja, estaremos pagando para guardar dinheiro. Algo irreal. Porém pode se tornar realidade em alguns países do mundo.

As taxas de juros negativas estão chegando e os investidores buscarão reforçar seus portfólios para conseguir construir riqueza. O mercado financeiro já estima que há uma grande chance de que a principal taxa de juros americana cairá para menos de zero no final de 2020.

Não são apenas os EUA, a maior economia do mundo, que caminha em direção a esse cenário. Na terça-feira, o vice-governador do Banco da Inglaterra também sugeriu que o Reino Unido possa estar caminhando para taxas de juros negativas. Essa era teria sido inimaginável até alguns meses atrás. Porém agora isso mudou devido ao coronavírus.

Enquanto os bancos centrais ao redor do mundo lutam para controlar o impacto econômico, pode-se esperar que cada vez mais eles farão uma mudança dramática no curso da política monetária e levarão as taxas abaixo de zero - como seus pares na Europa e no Japão.

Embora o debate sobre se as taxas de juros negativas ajudam ou não a "economia real" continue, não há dúvida de que elas auxiliam a impulsionar os preços dos ativos financeiros. Sejam eles ações, renda fixa ou fundos imobiliários.

Com isso firmemente em suas mentes, os investidores com conhecimento de mercado agora buscarão comprar mais ativos e reforçar suas carteiras antes da próxima rodada de cortes e do provável aumento de preço subsequente. Eles estão aproveitando os pontos de entrada mais baixos agora, antes do próximo grande rali. Se isso vai acontecer no Brasil também, é um grande ponto de interrogação. Tudo vai depender de como os fundamentos de crédito do país irão se comportar (risco fiscal).

Além disso, quem tem poupança no banco já não tem retorno faz tempo, graças às taxas de juros baixíssimas (não teve jeito, falei da poupança). Com CDI também perdendo para a inflação há ainda mais motivos para aumentar sua exposição a ações, por exemplo.

Devido à situação econômica ainda extremamente comprometida (crescimento negativo e desemprego alto) o Banco Central brasileiro já deu sinais de que a Selic deve ficar baixa ainda por um bom tempo. Esta direção da viagem deve empurrar para cima os preços dos ativos financeiros e, como tal, muitos investidores estão agora procurando chegar à frente e construir riqueza de forma eficiente.

Mais do ACidade ON