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Eleição 2020: O jogo político em Ribeirão Preto

Como é costumeiro, nos últimos dias antes da votação, destacam-se os dois prováveis vencedores e os intermediários vão perdendo densidade eleitoral;

| ACidadeON/Ribeirao

  

Jornalista e escritor Julio Chiavenato (Foto: Weber Sian / ACidade ON)

Políticos espertos podem vencer a eleição usando seus adversários ideológicos. Como é costumeiro, nos últimos dias antes da votação, destacam-se os dois prováveis vencedores e os intermediários vão perdendo densidade eleitoral; em Ribeirão Preto estes geralmente são os da esquerda e os populistas de direita. Supondo que a decisão seja entre dois postulantes opostos ideologicamente, quem souber aproveitar-se do voto útil dos pequenos da esquerda e da direita põe a mão na taça. Basta, na reta final da campanha, modular a linguagem no tom mais conciliatório para a esquerda ou para a direita. 

Observando a tendência demonstrada pelas pesquisas, é possível um segundo turno entre Duarte Nogueira e Suely Vilella. Embora não haja significativa diferença ideológica entre eles (ela foi secretária da Educação de Nogueira), é fácil perceber que para a esquerda Suely é mais palatável. Para Nogueira a coisa se complica: é o preferido natural da direita, mas terá a barreira de Baleia Rossi, que prefere enfraquecer seu rival na disputa para a Câmara Federal - a candidatura de Cris Bezerra foi lançada mais contra o PSDB, embora, e aí o paradoxo da política, ela disputa votos no primeiro turno com Suely - no segundo a coisa muda. Além disso, Nogueira já fez sua aliança com partidos que não podem acrescentar-lhe mais votos. A esquerda continua desunida. O PT escolheu perder sozinho e sacrificou o potencial do seu candidato. Coadjuvantes à esquerda e à direita poderiam ser o fiel da balança. Alguma raposa política saberia costurar um acordo com eles?
Nesse jogo Suely/Ricardo Silva têm mais trânsito em todas as áreas. 

E se Chiarelli for para o segundo turno? 

Improvável, mas isso seria um caso mais de psicanálise do que de política. 


De São Simão para o mundo

O engenheiro Marcelo Frazão (Patriota), candidato a prefeito de São Simão, conseguiu superar Bolsonaro - o que não é fácil. Ele afirmou que a vacina contra o covid-19 "altera o código genético" e pode afetar a fertilidade e provocar "homossexualismo". Foi claro: "menino pode deixar de ser menino, vai virar menina. A menina deixa de ser menina e vira menino". Ele aconselha aos pais não vacinarem os filhos. O Ministério Público tomou as providências legais etc., mas ele continua na disputa. 

Nem é preciso argumentar que a homossexualidade não é doença e a vacina não ameaça a sexualidade de ninguém. O que espanta, e é sinal dos tempos, é que tais besteiras foram ditas por alguém com curso superior e se apresenta como engenheiro ambiental. Deveria ter, no mínimo, alguma informação sobre genética. Porém, o que o orienta é a manipulação política de matéria científica e de saúde pública. 

Se um engenheiro ambiental comete tais equívocos, como a população mais simples, vulnerável às fake news, pode se defender do negacionismo, do populismo e dos preconceitos de uma religiosidade malsã? 

No Brasil ainda há médicos que acreditam na cloroquina contra o corona vírus e tratam a pandemia como uma gripezinha - eles desprezam as informações de cientistas especializados e entidades de saúde pública mais respeitadas do mundo. Este é o ponto: como pessoas que passam anos nas faculdades desandam a falar besteiras porque um presidente negacionista dá o alvará para a idiotia? 

O engenheiro de São Simão será esquecido ou se arrependerá e provavelmente seus conselhos serão ignorados. Mas o comportamento anticientífico e antissocial permanecerá - é a herança que Bolsonaro deixará aos brasileiros.
 

Poema culposo

Mulheres são animais
lascivos e traiçoeiros
levam a pecados mortais
os homens brasileiros;
nem estupro merecem
e muito menos respeito,
do que elas carecem
é de um macho a preceito,
advogado perfeito,
um promotor a jeito
e um juiz de direito
pra deixar satisfeito
nosso novo conceito:
o estrupo é culposo!,
vê se aprende, tarada,
que o macho é cioso
e defende a manada.

Daqui pra frente é assim:
a mulher sempre é culpada
de o burro comer capim.
 

Que medo!

"Precisamos resolver nossos monstros secretos, nossas feridas clandestinas, nossa insanidade oculta." (Michel Foucault, 1926-1984)


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