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O mito de que é possível replicar o que Warren Buffett faz

Warren Buffett é um dos investidores mais bem-sucedidos de todos os tempos. Contudo, a maneira como acumulou enormes riquezas costuma ser mal interpretada

| ACidadeON/Ribeirao

Eliseu Hernandez D'Oliveira, assessor de investimento da Blue Trade (Foto: Weber Sian / ACidade ON
  
Nós não somos Warren Buffett

O mercado financeiro é um sistema dinâmico, complexo e povoado por participantes irracionais e tendenciosos. Por causa disso, temos a tendência não apenas de interpretar mal o funcionamento dos mercados financeiros, mas também de acreditar em conceitos que muitas vezes prejudicam nosso bem-estar financeiro, principalmente em época de finwit (comunidade do mercado financeiro do Twitter). Porém, ao compreender melhor o mercado financeiro, a nós mesmos e as falhas de comportamento que impulsionam esses conceitos falaciosos persistentes, podemos aumentar as chances de atingir nossos objetivos financeiros.

Warren Buffett é um dos investidores mais bem-sucedidos de todos os tempos. Contudo, a maneira como Warren Buffett acumulou enormes riquezas costuma ser mal interpretada. A visão de apenas escolher ações com "valor" levou uma geração inteira a cair no mito de que podem replicar o que Buffett faz. A Berkshire (empresa em que Buffet é o CEO e o maior acionista) utiliza uma complexa estratégia que envolve também renda fixa, derivativos, seguros, abordagens e táticas de ações de múltiplas estratégias. Replicar isso não é apenas difícil - pode muito bem ser impossível. E não adianta citar frases dele em redes sociais.

Isso acontece pois, a maioria de nós, participantes do mercado, tendemos a pensar em nossa situação financeira em termos nominais. Todavia, quando olhamos para o desempenho do portfólio de investimentos, é imperativo pensar em termos reais. Ou seja, olhar o desempenho da carteira de ativos financeiros pelo retorno que você coloca no bolso. Isso significa considerar a inflação, impostos, taxas e outros custos que reduzem o retorno nominal.

Dessa forma o mercado de ações não é o que nos torna ricos. As pessoas na lista da Forbes de mais ricas do mundo não enriqueceram comprando ações na bolsa de valores. Eles enriqueceram construindo e administrando empresas fantásticas. O mercado de ações pode proteger sua riqueza e ajudá-lo a manter o poder de compra, mas não é o lugar onde a maioria de nós irá fazer fortuna e nem mesmo bater o mercado (expressão usada ao obter um retorno superior a um índice de desempenho do mercado, o Ibovespa, por exemplo).

Só que é difícil evitar o fascínio de tentar vencer o mercado - superar o desempenho de forma consistente simplesmente escolhendo ações. Na verdade, a maioria de nós não vai ficar rico no mercado de ações e a maioria de nós nem deveria tentar. A questão é, não precisamos vencer o mercado. Tentar vencer o mercado significa assumir riscos que provavelmente não são apropriados. Em vez disso, é necessário alocar ativos de maneira consistente com seus objetivos financeiros de vencer a inflação (e outros custos), sem expor seu portfólio a níveis perturbadores de risco. Derrotar o mercado provavelmente não é apenas inatingível para a maioria, mas também é provável que encontre turbulências financeiras desastrosas ao longo do caminho.

Uma das grandes lições que a bolsa de valores nos dá é a humildade. Todos que entram nesse mercado achando que irão conseguir retornos muito acima da média acabam se frustrando e perdendo muito dinheiro (principalmente os day traders). Portanto repita consigo mesmo: Eu não sou Warren Buffett.


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