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Filme de catástrofe mundial? Não, é apenas a negação da pandemia

Você já parou para pensar que todos os filmes de catástrofe mundial começam com o governo desacreditando da fala dos cientistas?

| ACidadeON/Ribeirao

Rodrigo Stabeli, pesquisador titular da Fiocruz, professor de medicina da UFSCAR e consultor da OPAS/OMS (Foto: Divulgação)
 

Pois bem, aqui no Brasil estamos vivendo um filme de horror onde, diariamente, mais de 2800 brasileiros tem suas vidas ceifadas pela COVID-19. O problema é que já deixamos de assistir um filme e estamos vivenciando uma trágica e longa segunda temporada dessa tragédia.
 
No início, os cientistas orientavam que, ao adotar medidas de supressão e bloqueio da transmissão do novo coronavírus, preservaríamos vidas e evitaríamos sofrimento. E aqui, quando falo em sofrimento, entenda no sentido mais amplo dessa palavra; sofrimento econômico, social, perda de emprego e renda e, claro, sofrimento de saúde e na saúde. Estou me referindo de calamidade pública. A maior crise humanitária que o país viveu e continua vivendo, e uma bomba biológica para o mundo.
 
Espera aí, mas os cientistas continuam falando que a única maneira de evitar essa crise humanitária é através de medidas de supressão e bloqueio, como ficar em casa, usar máscara, fazer o distanciamento físico e todo o mantra sanitário que você já conhece. Nada mudou após 1 ano de Pandemia, então isso não é novidade para ninguém.
 
Mas enquanto isso, no Olimpo do Planalto Central e para alguns asseclas fiéis e intransigíveis, o negacionismo continua, ainda incentivando atitudes que vão exatamente na contramão do que a ciência tem mostrado que funciona. Dê aí um Google usando as palavras Israel, lockdown, máscara e vacina, que você vai entender.
 
Mas mesmo que eficazes, essas medidas demandam relativos tempo e paciência para que produzam efeitos na redução da transmissão e de casos, e por conseguinte, na redução das taxas de ocupação de leitos hospitalares e mortes. A ciência mostra que, para a redução das taxas de transmissão em cerca de 40%, é necessário, pelo menos, 14 dias de adoção destas medidas, exigindo-se ainda o monitoramento diário, para acompanhamento dos seus impactos na redução de casos, taxas de ocupação de leitos hospitalares e óbitos. Aí eu te pergunto, se essas medidas tivessem sido coordenadas centralmente desde o início de pandemia, estaríamos vendo esse filme de horror interminável chamado Brasil?
 
A resposta é simples NÃO.
 
A ciência mostrou que o uso de máscara, a de pano mesmo, nada elaborado, reduz, no mínimo, 70% da transmissão do vírus. Mas se apenas 50% da população usa essa mesma máscara, a redução da transmissão é ínfima.
 
Se fizermos um comparativo com a AIDS, o Brasil já matou mais brasileiros em um ano de Pandemia do que em 23 anos de mortalidade pelo HIV. Lembro aqui que, nos primeiros 5 anos de campanha do uso de camisinha, a rejeição foi de quase 60% da população sexualmente ativa. "Camisinha salva vidas" esse era o slogan. Se formos esperar 5 anos para entender que máscara salva vidas, onde iremos parar?
 
Já em relação ao lockdown, os resultados que Araraquara tiveram foram significativos. No colapso de saúde, a adoção de medidas mais restritivas na cidade fez com que a média móvel diária de novos casos de Covid-19 caísse de 189,57 para 108, uma redução de 43,02%! Já as taxas de internação são uma medida mais lenta para se observar em resposta às medidas de restrição muito curtas (menos de 14 dias). Mesmo assim, 17 dias depois do decreto de bloqueio na cidade, observamos uma redução de 28,34%.
 
Então, nobres leitores, não existe receita mágica para sairmos da tragédia que estamos vivendo no nosso país e que, no momento, nossa Ribeirão Preto vive. Veja que aqui eu nem toquei no assunto de tratamento precoce, simplesmente porque ele não existe. Se existisse, por que outros países do mundo não o adotaram? Simples assim.
 
Para finalizar, com chave de ouro para meus queridos haters, aqui vai um recado para os prefeitos, que estão sofrendo na pele o pior retrato da Pandemia, o aumento do número de mortos e a recessão econômica, vendo todos chorando, seja pelo luto ou seja pela falência.
 
Senhores Prefeitos, exerçam medidas mais restritivas SIM e, por no mínimo, 14 dias. Façam COMUNICAÇÃO assertiva com sua cidade, mostrando que tais medidas e o uso de máscara é para salvar vidas e recuperar empregos.
 
Caros leitores, não percam tempo em deixar os seus amáveis comentários para esse texto; use o seu tempo de forma mais inteligente que isso, cobrando aquele em quem você votou, seja o deputado, o vereador, o prefeito ou o senador que representa a sua cidade e/ou estado.
 
É dever coletivo de todos cobrar do presidente da república ações assertivas e reais no combate a Pandemia no Brasil. Viramos vergonha mundial, mas vamos continuar apenas lamentando as 300 mil mortes que já atingimos?  
 
Se você não acredita em tudo isso, poderá ser o próximo a ter a necessidade de ter um tubo sendo enfiado goela abaixo, sem sedação, ou seja, amarrado em uma cama, agonizando e sentindo, intermitentemente, uma dor insuportável.
 
Está na hora da cobrança, o país está morrendo. Enquanto isso, no Olimpo do Planalto Central houve o perdão de 1,4 bilhão de reais da dívida das igrejas...
 
...Imagina quanta vacina não daria para comprar com esse valor??


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