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Investimento: Experimento do marshmallow e o futuro das crianças

Crianças que conseguiram esperar mais e até mesmo não consumir o doce, tiveram notas melhores, não abusaram de drogas e álcool e desenvolveram melhores habilidades sociais

| ACidadeON/Ribeirao -

Eliseu Hernandez D
Eliseu Hernandez D'Oliveira, assessor de investimento da Blue3 (Foto: Weber Sian / ACidade ON
 
Em um país em que a educação básica é deficitária, é difícil abordar o tema educação financeira. Se é difícil a compreensão da regra de 3 para a maioria da população, imagine cobrar a explicação dos juros compostos e a compreensão de que 10 reais hoje não são iguais a 10 reais amanhã. Mesmo que exista uma correlação positiva de nível educacional com renda, isso não é algo determinístico. Até pessoas sem estudos conseguem compreender o valor do dinheiro no tempo e da importância de postergar a gratificação, vide experimento do marshmallow. 

O experimento começou levando cada criança para uma sala privada, acomodando-as em cadeiras individuais e colocando um marshmallow na mesa na frente delas. Nesse momento, o pesquisador ofereceu um marshmallow para a criança. Então, disse que ele ia sair da sala e que se ela não comesse o marshmallow na sua ausência, ela seria recompensada com um segundo marshmallow. Porém, se a criança decidisse comer o primeiro antes de o pesquisador voltar, não receberia um segundo marshmallow. 

Portanto, a escolha foi simples: uma guloseima agora ou duas guloseimas depois. O pesquisador saiu da sala por 15 minutos. Algumas crianças pularam e comeram o primeiro marshmallow assim que o pesquisador fechou a porta. Outras quicaram e se mexeram nas cadeiras enquanto tentavam se conter, mas acabaram cedendo à tentação alguns minutos depois. E, finalmente, algumas crianças conseguiram esperar o tempo todo. 

A parte interessante do experimento veio anos depois. Os pesquisadores acompanharam as crianças durante várias fases da vida. Crianças que conseguiram esperar mais e até mesmo não consumir o doce, tiveram notas melhores, não abusaram de drogas e álcool, desenvolveram melhores habilidades sociais, lidaram melhor com a ansiedade e foram mais bem-sucedidas financeiramente. 

Um ponto de extrema importância é que existem outros estudos que mostram que a importância de postergar a gratificação pode ser ensinada para a criança (e adultos). A criança aprende a abrir mão de mais TV ou brincadeiras para terminar o dever de casa e estudar um pouco mais. Aprende a ter objetivos de curto, médio e longo prazo. Aprende a abrir mão de consumo hoje, para investir e ter mais amanhã. Aprende o valor do dinheiro no tempo que é o juros e assim consegue comparar rentabilidades. 

Ao comparar rentabilidades vai chegar à conclusão de que a caderneta de poupança não é investimento e que existem muitas outras alternativas mais rentáveis mesmo ajustadas ao risco. Vai aprender a ter a disciplina de investir sempre, independentemente do montante. Vai olhar para inflação e dizer: tenho que vencê-la nos meus investimentos, se não ficarei mais pobre. 

Mesmo que nossa educação básica seja sofrível, conseguimos ensinar e aprender habilidades extremamente importantes para vida. Postergar a gratificação não é apenas uma habilidade pensando no investimento, mas também para várias outras áreas da vida.

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