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Investimentos: Balanço da bolsa de valores em 2021

O país nunca está tão bom como nos momentos de otimismo, mas também nunca está tão ruim como nos momentos de pessimismo

| ACidadeON/Ribeirao -

Eliseu Hernandez D
Eliseu Hernandez D'Oliveira, assessor de investimento da Blue3 (Foto: Weber Sian / ACidade ON
  
Retrospectiva bolsa de valores 2021

Dizer que os últimos dois anos foram desafiadores é um eufemismo. Tivemos que superar o desempenho pessoal e profissional em função do desequilíbrio e incertezas nos mercados e nas pessoas. Este último, foi um ano de esperança renovada e progresso, embora ainda bem mais difícil que antes da pandemia. Estamos avançando e trazendo o mundo para uma dinâmica de confiança, coesão e reabertura. E para entrar no clima de final de ano, decidi fazer uma retrospectiva dos principais acontecimentos que impactaram a economia e o mercado de capitais.

O ano de 2021 começou bastante otimista com a chegada das vacinas. Logo em janeiro a Anvisa recebe o pedido emergencial das vacinas CoronaVac e Oxford. A bolsa chegou a bater 124 mil pontos, juros futuros e câmbio caíram forte. O mundo e o Brasil estavam animados com a volta à normalidade.

Porém, o lado fiscal e a inflação começaram a dar as caras. Seriam as duas variáveis que incomodariam o ano todo, mas neste momento era apenas uma preocupação. 

Em fevereiro, tivemos as eleições para a presidência no Senado e na Câmara, fundamentais para aprovação das PEC no segundo semestre. Além disso, Bolsonaro anunciou a troca do comando da Petrobras que, apesar de hoje ninguém falar sobre isso, na época mexeu bastante com os juros e com a bolsa.

Em março, tivemos dois acontecimentos impactantes. O primeiro foi a anulação das condenações do ex-presidente Lula que, para muitos, foi um balde de água fria no combate à corrupção no país e trouxe à tona a possibilidade do petista concorrer às eleições de 2022. A segunda, foi o aumento das restrições com a segunda onda do Coronavírus. Entretanto, logo em seguida, começaram a sair dados positivos da economia americana, chinesa e outros países relevantes mundialmente.

O mercado engatou uma marcha de otimismo. O presidente da câmara, Arthur Lira, parecia estar disposto a fazer a agenda de reformas andar. Inflação incomodava, mas era pelo fato da economia ter voltado em V. A bolsa de valores fez o topo do ano acima dos 130 mil pontos.

Após isso, só ladeira a baixo. Uma sequência de acontecimentos ruins que pareciam não ter fim. O COPOM começa a elevar a Selic. Apareceram denúncias de corrupção na compra de vacinas (quem iria imaginar?). Os dados de inflação surpreendem no Brasil e no mundo. O "meteoro" dos Precatórios na decisão do STF e de outros tribunais.

A reforma tributária é divulgada e começam os temores com flexibilização do teto dos gastos que fica cada vez mais real com o ministro Paulo Guedes flertando com a ampliação do teto, além do temor da PEC dos Precatórios não ser aprovada.

Junto a tudo isso, tivemos o banco central americano (FED) anunciando a redução dos estímulos monetários na economia. Tivemos um discurso infeliz do Presidente da República no 7 de setembro. Surge a preocupação com eventual calote da construtora chinesa Evergrande e com os rumos da economia do país asiático. Ômicron aparece e Selic chega a 9,25%. Ufa! Que segundo semestre complicado.
Tem uma fala que representa bem o Brasil. O país nunca está tão bom como nos momentos de otimismo, mas também nunca está tão ruim como nos momentos de pessimismo. Um eterno retorno à média.

Por fim, gostaria de dizer que sei que 2021 foi um ano difícil para muitos de nós. Então, vai aqui um reforço para vocês se cuidarem. Espero que tenham curtido as festas ao lado de suas famílias e das pessoas que vocês amam. Aproveitem para descansar e criar memórias valiosas. Esses momentos são essenciais para recarregarmos as energias e partirmos para os nossos próximos desafios.

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