Especial Covid-19

Especial Coronavirus

Covid: Por que a delta preocupa países já avançados na vacinação?

Entenda o que aconteceu nos Estados Unidos, em Israel e no Reino Unido; Países miram terceira dose para conter a delta

| ACidadeON/Ribeirao -

 

Versão delta do coronavírus atualmente domina os novos casos (Foto: Pixabay)

A variante delta do vírus SARS-CoV-2, muito mais transmissível que a cepa original, foi a grande responsável por colocar países desenvolvidos, onde a pandemia de covid-19 parecia quase superada, novamente em estado de alerta.

Com campanhas de imunização já adiantadas e a maioria da população com o esquema vacinal completo, Israel e Reino Unido viram os casos da doença voltarem a aumentar após o relaxamento de restrições. Já nos Estados Unidos, a cepa revelou o grande risco a que está exposta a população não vacinada.

Entenda o que aconteceu nesses três países, e de que forma a chegada da variante delta provocou a mudança de estratégia no combate à Covid-19 - inclusive com a prescrição de terceira dose ou dose de reforço das vacinas.


Israel

O número de casos de covid-19 em Israel chegou a quase um milhão no pico da pandemia, em janeiro de 2021. O país havia começado sua campanha de vacinação em dezembro de 2020, usando imunizantes feitos com a tecnologia de RNA mensageiro (replicação de sequências de RNA por meio de engenharia genética) e se tornou um exemplo mundial de combate ao SARS-CoV-2. Em abril, mais de 60% da população já estava vacinada com as duas doses.

Com a queda de casos devido à imunização coletiva (quando o número de pessoas vacinadas chega a um nível capaz de frear a disseminação da doença), Israel decidiu reabrir a economia em março e foi o primeiro país do mundo a suspender todas as restrições. A população voltou a frequentar bares e lotar as praias, além de poder viajar para o exterior.

Em abril, a delta foi identificada pela primeira vez no país. Nos meses seguintes, a incidência da variante no total de casos aumentou rapidamente, passando de 5,34% em maio para 97,63% em junho. No último dia de agosto, Israel atingiu o recorde de casos diários de covid-19, com 11 mil novas infecções. O número de pessoas contaminadas passou de 1,14 milhão e as restrições voltaram a fazer parte do dia a dia dos israelenses. Hoje, a variante delta é predominante no país, sendo responsável por 98,18% dos casos.

A diferença da nova onda em Israel é que o número de mortes é muito diferente do que acontecia antes da vacinação. Sem imunização, a média semanal era de 7,38 óbitos a cada um milhão de pessoas. Depois da vacinação, em setembro, caiu para 3,51.

Vendo o impacto da variante delta, o governo israelense decidiu aplicar uma dose de reforço na população, usando a mesma vacina de RNA mensageiro.


Reino Unido

O Reino Unido foi uma das regiões mais afetadas pela pandemia. Em abril e maio de 2020, era o epicentro da Covid-19 no mundo, e passou por três lockdowns até o começo de 2021.

Usando vacinas de RNA mensageiro e adenovírus como vetor viral (quando o imunizante utiliza agentes patogênicos como vetor para ajudar o organismo a criar imunidade), o Reino Unido também viu o número de casos e mortes caírem. Com mais da metade dos adultos vacinados até março, o governo começou a reabrir o país gradativamente, até chegar a liberação total do uso de máscaras e na suspensão das restrições para reuniões públicas.

Em abril, a variante delta entrou no Reino Unido. Com a população mais relaxada e o inverno em alta, as contaminações voltaram a subir. As hospitalizações começaram a aumentar, principalmente entre os não vacinados. Em junho, os casos de delta mais que triplicaram no país. Na última semana do mês, a delta passou de 35.204 casos para 111.157. Em abril, 1,52% dos contaminados tinham a variante delta; em agosto, este número foi para 99,96%.

Para combater a variante, o Reino Unido acelerou o processo de vacinação, chegando a 71% dos adultos com esquema vacinal completo em agosto. Também decretou quarentena após exposições ao vírus, distanciamento social e redução das viagens. Além disso, as autoridades decidiram aplicar uma dose de reforço na população, usando os mesmos imunizantes já em circulação.


Estados Unidos

Assim como o Reino Unido, os Estados Unidos também foram um dos epicentros da pandemia. No país, a vacinação começou em dezembro de 2020, usando vacinas com tecnologia de RNA mensageiro e adenovírus, e atingiu seu auge em abril de 2021, com dois milhões de pessoas vacinadas por dia.

Em maio de 2021, o país flexibilizou o uso de máscaras. Mas com a entrada da variante delta, os casos aumentaram novamente. Hoje, quase 99% das amostras do vírus sequenciadas são da variante delta, e as internações alcançaram o nível mais alto em seis meses. No início de julho, eram 40 casos por dia a cada 1 milhão de habitantes; atualmente, são 490 casos.

Estados como Arkansas, Louisiana, Texas e Flórida, onde o índice de vacinação é mais baixo, são os locais com o maior número de contaminados com a variante delta. Além disso, o departamento de saúde pública da Universidade do Estado da Califórnia revelou que até 99% das pessoas que desenvolvem quadros graves da Covid-19 atualmente não tomaram nenhuma dose da vacina.

Nos Estados Unidos, em janeiro, as mortes por consequência da covid-19 atingiram a média de 10,27 por semana a cada um milhão de habitantes. Hoje, este número está em 4,6.

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças norte-americano (CDC, na sigla em inglês) recomendou urgentemente o aumento da cobertura de vacinação e o uso de máscaras em locais fechados, mesmo para os vacinados. O país pretende começar a usar dose de reforço com as vacinas de RNA mensageiro (conteúdo do Instituto Butantan).

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