Especial Covid-19

Especial Coronavirus

Covid: USP Ribeirão identifica danos diferentes no pulmão de vítimas

Estudo da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto analisou 47 pacientes que morreram de covid-19

| ACidadeON/Ribeirao -

.Foto: Kkalhh / Pixabay
 
Pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo) de Ribeirão Preto descobriram que o novo coronavírus (covid-19) afeta o pulmão das vítimas de maneiras diferentes. 

LEIA MAIS - USP identifica fator que pode aumentar risco de morte por covid
 
Estudo publicado pelos pesquisadores aponta que de 47 pessoas que morreram em decorrência de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) provocada pela covid-19 apresentaram dois padrões diferentes de danos causados no pulmão.  

Cinco pacientes (10,6%) apresentaram o que os autores chamaram de "fenótipo fibrótico", caracterizado pelo espessamento do septo alveolar estrutura onde ocorrem as trocas gasosas. Ou seja, nesses indivíduos o tecido normal do pulmão lesionado pelo vírus foi substituído por tecido cicatricial (fibrose), o que dificultou a respiração.  

Em outros dez pacientes (21,2%), classificados como "fenótipo trombótico", o tecido pulmonar estava praticamente normal. Porém, foi possível notar sinais de coágulos (trombos) em pequenos vasos. Há ainda um terceiro grupo no qual foram incluídos 32 pacientes (68,1%) que apresentaram os dois fenótipos simultaneamente.  

Segundo a agência Fapesp, a idade média dos pacientes incluídos no estudo foi de 67,8 anos, com proporção semelhante entre homens e mulheres. Todos eram portadores de comorbidades, como hipertensão e obesidade.  

Ainda de acordo com o estudo, 66% dos pacientes apresentavam falta de ar quando foram internados, 62% sofreram choque séptico durante a internação, 51% falência renal aguda e 45% dos pacientes sofreram com síndrome do desconforto respiratório agudo.  

O estudo foi coordenado pelo médico patologista Alexandre Fabro, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP-USP).   
 
Amostra de pulmão de paciente que morreu após contrair a covid-19 (Foto: Alexandre Fabro/USP)


Padrões diferentes
 
A pesquisa ainda constatou que nos dias que antecederam o óbito, os pacientes com o fenótipo fibrótico sofreram um declínio progressivo no índice de oxigenação. Já os pacientes do grupo trombótico apresentaram melhora nos padrões respiratórios nos dias anteriores à morte.  

"Esses achados reforçam que, apesar de a infecção ser a mesma, a resposta ao vírus varia bastante, mesmo entre os casos graves. E isso pode ter implicação clínica. Esses achados sugerem que os pacientes de cada grupo necessitam de tratamentos diferenciados", disse Alexandre Fabro para agência Fapesp.  

Segundo o pesquisador, o estudo retrata como começa o processo de fibrose pulmonar que tem deixado sequelas em muitos sobreviventes da covid-19. "A questão científica atual é como tratar e como impedir que esse processo evolua e se torne permanente. Existem algumas medicações antifibróticas, mas ainda não foram testadas no contexto pós-covid",completa.


Mais notícias


Publicidade