
Um ofício encaminhado pela direção do Hemocentro à Câmara dos Deputados de São Paulo, descreve a preocupação com o futuro da instituição que conta 11 unidades em todo o estado. Na região, o Hemocentro abriga centros em Ribeirão Preto, Franca, Bebedouro e Batatais.
Segundo o diretor científico da Rede Hemocentro, Rodrigo Calado, a crise financeira que coloca em risco o funcionamento das unidades, foi agravada com a pandemia e a alta do dólar. Além disso, não há reajuste do repasse há mais de dez anos. Calado enfatiza que as verbas federal e estadual não são suficientes para cobrir as atuais despesas pois os reagentes e insumos usados nas transfusões são importados.
VEJA TAMBÉM – Ribeirão: Bombeiro ferido em acidente precisa de doação de sangue
“O custo em média de uma uma transfusão de sangue – de uma bolsa de hemácias é de cerca de 550 reais hoje em dia, entretanto a tabela SUS nos ressarce, faz o pagamento de apenas R$ 132, então é um valor inferior aquele custo. Existe, obviamente, uma diferença que está dentro da dotação orçamentária do Hemocentro que é dado pelo Estado, mas esse valor não é reajustado há cerca de 10 anos”, explica Calado.
Calado afirma que a carta é um alerta e pede apoio dos deputados, pois caso não haja uma revisão dos recursos, as doações de sangue, transfusões e até cirurgias podem ser prejudicadas em 249 cidades atendidas pela rede, o que equivale a um terço de todo o estado. Para amenizar os problemas financeiros, a rede fez cortes e reduziu horário de trabalho das equipes de algumas unidades.
A preocupação é que isso interfira diretamente nos serviços prestados à população. Segundo Calado, de agosto para cá, o número de doações de sangue caiu de 8 mil para 7 mil por mês. São cirurgias, transplantes e até tratamento de câncer afetados, conta.
A rede Hemocentro que tem sede em Ribeirão Preto, realiza mais de 100 mil transfusões por ano. “Nós temos conversado com a Secretaria Estadual de Saúde, isso há muito tempo. Tivemos reuniões recentemente também, mas até agora não tivemos uma posição definitiva”, conclui Calado. (Com EPTV)
