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Educadores apostam na ludicidade no ensino

Para profissionais, o sonhar, imaginar, ver possibilidades em uma brincadeira devem fazer parte do estudante em qualquer faixa etária

| ACidadeON/Ribeirao

O educador André Luís Oliveira rodeado por alunos do Colégio Pequeno Príncipe, onde exerce o cargo de diretor: 'É da natureza da criança brincar, criar situações, se relacionar' (Foto: Matheus Urenha / A Cidade)
 

"Criança brincando é abelha colhendo néctar. Brincadeira é néctar armazenado na alma"

Para o educador, escritor e diretor do Colégio Pequeno Príncipe, André Luís Oliveira, a frase acima, da escritora catarinense Eloí Bocheco, traduz o fato de que uma criança que brinca é uma criança feliz.  

"As atividades lúdicas e o faz-de-conta são essenciais para a saúde psíquica e o desenvolvimento da criança", frisa Oliveira. "O importante é não perder o bonde da história, no sentido de ter a boa utilização da tecnologia inserida no ensino, mas sempre valorizando as atividades lúdicas."  

Não por acaso todas as atividades desenvolvidas no Pequeno Príncipe, como teatro, musicalização e jogos corporais, têm o viés da ludicidade. "O mais importante é manter a espontaneidade e a singularidade do aluno", diz Oliveira.  

Para ele, o grande problema da atual rotina das crianças é o encurtamento da infância. "Há uma preocupação grande dos pais em desenvolver em excesso os filhos, o que acaba deixando de lado o brincar, que é extremamente importante para o seu desenvolvimento", opina.  

Para o diretor, o sonhar, imaginar, ver possibilidades em uma brincadeira devem fazer parte do estudante em qualquer faixa etária. "Depois que a gente cresce e a vida fica mais custosa, são essas brincadeiras que dão o jogo de cintura para lidar com os problemas e situações da vida. Até porque são nessas situações que se aprende a ser gente", conclui. 

Brincar livre  

Para o educador André Luís Oliveira, mais importante do que as brincadeiras direcionadas pelos mestres, na escola, é o "brincar livre". Por isso, ele considera a hora do recreio um dos momentos mais importantes de uma escola, independente da idade dos alunos. "É o que vejo mais prejudicado - o brincar que nasce do ócio", comenta. "É da natureza da criança brincar, criar situações, se relacionar e buscar a presença do outro ou mesmo sozinho", afirma.  

Hoje, porém, Oliveira percebe uma dificuldade dos estudantes em brincar livremente, pois é tudo muito proposto, inclusive nas festas de aniversário, por monitores. "Além disso, os pais, bem intencionados, ocupam todo o tempo livre da criança com atividades extras, preocupados com o porvir, com a possibilidade de êxito maior no futuro", cita. "Mas, se a criança é o maior exemplo da dimensão poética e lúdica da vida, as escolas têm que ter em seu fazer pedagógico, independentemente do projeto que se esteja trabalhando, espaço para o brincar", reforça.  

O "fazer nada", acredita o educador, pode ser bom para a criança, pois abre espaço para a imaginação e a criatividade. "Dessa forma, a função da escola é ir um pouco na contramão dessa velocidade que se propõe. Não [significa] tirar da criança a possibilidade dessa contemporaneidade, da tecnologia, pois todos esses aparatos ela tem que ter em mãos. Mas [...] é importante buscar a contemplação, o interiorização, o ter tempo", conclui.

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