Aguarde...

ACidadeON Ribeirão Preto

Ribeirão Preto
mín. 20ºC máx. 36ºC

cotidiano

De paquera a crush, língua reflete constante inovação das gerações

Linguagem de internet invade mundo real de adolescentes e jovens e dão origem a uma nova linguagem; confira abaixo, aprenda e se manter atualizado

| ACidadeON/Ribeirao



Enquanto a expectativa do papo com xs novinhxs for só grito, a realidade da tour pode ser um flop. Mas se você não entende o que os contatinhos e xs migx estão te falando, acredite: dá para sambar e deixar de sofrer shade. Pode pah.*  

Se você não entendeu nadinha da oração acima, não se assuste. Não é código. É a linguagem da internet que está invadindo o mundo real de jovens e adolescentes e criando uma nova linguagem. E para os pais e adultos que não quiserem ficar de fora da conversa, é sempre bom se atualizar.

*Quando vamos conversar com alguém mais jovem, muitas vezes achamos que as nossas gírias ainda são as mesmas usadas pela juventude. Mas a realidade não é bem essa como você pode ver no exemplo acima. Essas inovações constantes na linguagem podem chocar no início, mas acredite: existem maneiras de continuar aprendendo e se manter atualizado.

Para a professora de redação Luciana Mayumi, muitas vezes os papeis são invertidos e os alunos se transformam em professores dos verbetes da atual geração. "Pelo contexto consigo imaginar algumas [gírias], mas as que não sei eles querem explicar, dar exemplos. É uma troca de linguagens".

E para quem pensa que os verbetes são proibidos na sala de aula, a professora explica que nem sempre as gírias são ruins. "Dependendo do gênero, como por exemplo uma carta, não tem problema algum. Fica
até mais próximo da realidade em que vivem", explica.

Já para os jovens que incluem essas gírias na rotina, os novos verbetes não são difíceis de aprender. "Escrevendo, em textos ou no celular, não uso tanto. Mas falo em conversas com as minhas amigas", conta a adolescente Isadora Fenerich Almeida, de 17 anos.

E o amor pelos verbetes é tanto que em sua casa chegou até a se espalhar pela família. "Minha mãe já até pegou algumas palavras e acaba usando comigo". E por ser fã da cultura, de livros e séries, seu verbete predileto foi fácil de escolher. "Shippar! Acabando shippando muitos casais em tudo que leio ou vejo".

Para Allan Ferreira Gonçalves da Silva, tudo é "sem maldade". Mas não é por ingenuidade, e sim porque a colocação acaba se "infiltrando" sem querer querendo em seu vocabulário. "Uso muito! Nem penso direito, do jeito que falo já acaba saindo".

Já para Yasmin Schiavon, até mesmo no balé ela encontra gírias. "Minha professora de balé também acaba falando gírias como "plena" para falar com a gente". E no seu vocabulário o que não pode faltar é uma palavra que resume o que a adolescente está passando. "Moiô".

E se você está curioso em aprender e tiver algum parente ou conhecido que manje dessas palavras, que tal fazer igual Luciana e perguntar direto pra eles? "Nem toda frase que usam na internet e nem todas as frases são usadas lá. Conversa, pergunta", afirma Allan.

Língua em constante mudança

"A língua viva, usada no dia a dia, é muito dinâmica e expressões podem surgir sem que saibam de onde ou como. Uma série, uma novela ou até mesmo uma peça publicitária pode levar a uma transformação da linguagem. Os estrangeirismos também fazer parte da dinâmica já que hoje, com a internet, o contato com outros idiomas e culturas facilitou uma visão mais cosmopolita. A linguagem é o mundo da pessoa, então quantos mais gírias ela usa, mais ela está próxima de uma língua coloquial, cotidiana. Tanto que há aqueles que tem medo de ser identificado pela linguagem que usam. Não dominar a linguagem dos jovens é uma denúncia da idade"
Wlaumir Souza, professor e sociólogo 

 

Veja também