
É modinha agora, nas redes sociais, dizer que “foguete não dá ré”. Eu tenho um amigo que completa: “e pra trás, nem pra tomar impulso.” No entanto, não é o caso da educação brasileira.
Querem um lamentável exemplo? Acabam de sair as notas das provas de Redação do Enem 2021. A nota máxima, só para vocês entenderem que andamos de ré, foi o menor número de notas máximas desde 2013.
De mais de dois milhões de candidatos e candidatas, apenas 22 participantes conseguiram receber nota Mil atribuídas por dois avaliadores. Alunos e alunas que tiram 980, por exemplo, tiveram atribuição de nota máxima de um deles, mas não dos dois examinadores. Quem tira 980, teve 1000 e 960. Somando e dividindo por 2, o resultado é 980. Entenderam como é difícil chegar ao pódio dos campeoníssimos?
“E teve muitos ZEROS, professor?” – Você me pergunta e eu te respondo:
“Imagine 2.500 ônibus com 40 estudantes cada chegando para fazer a prova e todos não sabem, mas vão tirar zero. Foi isso! Cem mil candidatos zeraram feio. Por quê? As razões são várias: ficaram olhando para a folha, sem saber o que escrever; ou escreveram o que não foi pedido; ou mandaram recadinhos de socorro aos examinadores; ou resolveram escrever uma oração, pedindo ao Criador que quebrasse o galho; ou desenharam alguma coisa na folha de prova: e isso tudo é motivo de zero.
E a grande maioria que não tirou zero foi bem? Foi bem mal, isso sim! A média, de zero a mil, fica sempre em torno de 600 pontos. E média é média, é um texto medíocre, fraco, cheio de expressões coloquiais, carregados de senso comum, de falta de autonomia textual.
Por isso, leitores e leitoras, se vocês vão prestar Enem neste ano, ou se conhecem alguém que vai prestar, um recado de quem conhece o Enem há mais de 30 anos:
Evite estudar todas as matérias e deixar para depois a produção de textos. Se usar este planejamento equivocado, quando a água bater nos fundilhos, você não terá tempo para se salvar. E nem caia no erro de pensar que o treino de uma redação por semana será o suficiente.
Leia entrevista dos que tiraram mil, neste ou em anos anteriores. Você verá que todos eles e elas treinaram mais de duas redações por semana. É óbvio como o “foguete não dar ré”, ou seja, mais treino, mais munição, mais confiança na hora de azular o papel em branco.
E como você faz para ver como se escreve uma redação que tirou Mil, nota máxima? Estudar as disponibilizadas em vários sites já ajuda muito. E recomendo o Cartilha Redação a Mil, do estudante Lucas Felpi, que, hoje, estuda Ciência da Computação e Ciência Política na Universidade de Michigan. Em 2018, 2019 e 2020, ele colecionou e publicou muitas redações nota mil.
Elas estão a um clique da vontade dos candidatos e candidatas se empenharem. Bora?