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'Isso não tem perdão', diz garçom acusado de matar o primo

Arrependido, Cleciano Geracino Mota, 31, procurou a polícia para se entregar após a morte de Rodrigo Rodrigues de Castro numa pensão de Ribeirão Preto

| ACidadeON/Ribeirao

O amigo Luciano (atrás) mostra foto da vítima Rodrigo Castro no celular (Foto: Ricardo Canaveze / ACidade ON)
 

O garçom Cleciano Geracino Mota, de 31 anos, declarou que não merece perdão pelo assassinato do primo, o também garçom Rodrigo Rodrigues de Castro, 23 anos, morto com ao menos uma facada no pescoço, nesta terça-feira (26), em Ribeirão Preto.  

Mota conta que antes do crime houve um desentendimento por causa de droga entre ele e o primo na pensão onde os dois moravam, no Jardim Mosteiro, zona Norte de Ribeirão Preto. Ambos estariam sob efeito de cocaína, cerveja e conhaque e o próprio acusado procurou a polícia para se entregar.  

"Acabei com minha vida e a da família dele. Isso é uma coisa que não tem perdão. Passou o efeito da droga e da bebida, mas isso não tem perdão. Pra falar bem a verdade, eu tirei a vida de um próprio irmão", declarou o garçom.  

Conforme relato de Mota, ele e o primo teriam consumido cocaína, cerveja e conhaque na segunda-feira (26) e durante a madrugada desta terça.  

"Eu só lembro que falei para ele [o primo assassinado]: cadê a droga que a mulher iria trazer? Daí, ele pediu calma e veio pra cima. Eu só lembro que eu peguei a faca e dei uma no braço", disse.  

Pela manhã, após passar o efeito do álcool, mas ainda sob o efeito da droga, o garçom procurou a base da PM no Centro para relatar o crime.  

"Eu lembro que caí em um mato e dormi. Depois, levantei perturbado, saí correndo e pulei uma cerca", disse, sem saber indicar o local exato onde adormeceu.  

A faca que teria sido utilizada no crime, contudo, não foi localizada. É a mesma que Mota usava no trabalho para cortar carnes.  

O 1º tenente da PM (Polícia Militar) Edison Emboaba disse que Mota chegou à base da 1ª Companhia ainda sob efeito de entorpecente.  

"Isso diminui muito a capacidade do indivíduo e perde todo o senso do certo, do errado. No caso, ele já sabia o que tinha feito. Só nos mostrou o caminho", afirmou o tenente.  

Ao chegar à pensão, no Edifício Luiz Fregonesi, a polícia encontrou o corpo no chão do quarto, com pelo menos um corte profundo no pescoço.  

"Tenho que agir com os meus erros. Passou o efeito da cachaça, eu fui procurar a polícia porque eu errei. Mas, perdão não tem. Eu tirei a vida de meu próprio irmão por causa de droga e bebida", lamentou Mota.   


Briga anterior  

Um amigo dos primos, que também morou com eles na mesma pensão, disse que há três semanas os dois teriam brigado. Naquele dia, ambos também estariam embriagados, segundo Luciano Vieira de Souza, 46.  

"O Rodrigo ameaçou pegar uma faca. Só que ele não ia achar nenhuma, porque eu tinha escondido", comentou.  

Luciano disse que resolveu ir morar em outro local ao perceber que os primos não estavam trabalhando e consumindo drogas e bebidas.  

O amigo disse que chegou a convidar Rodrigo para ir para a nova moradia dele, no Ipiranga, zona Norte, mas que ele não quis.  

"O Rodrigo era uma pessoa muito boa, tinha muita experiência, era muito trabalhador, tanto que o apelido dele era Ligeirinho, por ser muito rápido no serviço", lembrou.  

Os primos são do Ceará e estariam há aproximadamente um mês em Ribeirão.  

Nas últimas semanas, eles teriam trabalhado em uma churrascaria da zona Sul, mas não estariam dispostos a continuar na empresa, por isso resolveram sair. Mota tem uma filha de quatro anos que está com a mãe dela no Paraná.  

"Eu preferia eu morto do que meu primo. Não tem justificativa o que eu fiz. A droga é cadeia ou então o caixão. Acabei totalmente com minha vida", disse.  

As famílias dos primos são de Itatira, município do interior cearense, distante aproximadamente 2,6 mil quilômetros de Ribeirão.  

"Nós fomos criados juntos, sempre usamos o mesmo sapato, a mesma calça, mesma camisa. Se ele tinha dinheiro, eu tinha. Nunca tinha desavença. Acabei com minha vida, acabei com a vida da mãe dele, meu Deus", declarou.  

Os primos não possuíam registro de passagem policial no Estado de São Paulo, segundo a PM.  A delegada Mônica Cristina Lombardi iria ouvir Mota nesta tarde, na CPJ (Central de Polícia Judiciária) da rua Duque de Caxias.  

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Cleciano Mota se entregou após o crime (Foto: Ricardo Canaveze / ACidade ON)

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