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'Vamos até onde der: queremos a verdade', diz pai de Lucas

Polícia Civil já tem resultado da perícia sobre a morte do estudante em escola municipal de Ribeirão Preto, mas ainda aguarda laudo necroscópico; suspeita é de choque elétrico

| ACidadeON/Ribeirao

Lucas Souza tinha 13 anos; morte precoce ainda está sem esclarecimento (Foto: Arquivo pessoal)
 

Os pais do estudante Lucas da Costa Souza, de 13 anos, sofrem em uma espera angustiante para saber a causa da morte do filho, ocorrida no interior de uma escola municipal de Ribeirão Preto, no dia 30 de novembro do ano passado.  

A suspeita é de choque elétrico em uma grade que o adolescente teria escalado no Cemei (Centro Municipal de Educação Infantil) Professor Eduardo Romualdo de Souza, na Vila Virgínia, zona Oeste da cidade.  

O exame realizado por peritos criminais no local da morte, conhecido como perinecroscópico, já está concluído, mas o delegado Leandro Árabe, do 6º Distrito Policial, aguarda a finalização do laudo necroscópico, segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP) de São Paulo (leia mais abaixo).

Além da Polícia Civil, o caso também é investigado pelo Ministério Público (MP) e entrou na mira de vereadores.

"Vamos até onde der: queremos a verdade, a resposta. Porque não é possível um ato desses. Se eles sabiam que a molecada pulava naquele local [grade], porque não tomaram providências?", indagou o pai da vítima, Luiz de Souza, 57.

No dia do ocorrido, a diretora da escola declarou à polícia que o estudante teria escalado uma grade de proteção que separa o pátio de recreação na instituição de ensino e já foi encontrado caído e desacordado. Os socorristas não teriam conseguido reverter um quadro de parada cardiorrespiratória do adolescente.

"Não tinha um monitor, um inspetor de aluno. Ele caiu às 17h07. Foram achar ele às 17h28 e resgatá-lo às 17h40. Eu cheguei com a ambulância e vi que ele não tinha mais retorno, não deu reversão", contou a mãe de Lucas, Silvia Helena da Costa, 36.

Os pais do garoto afirmaram que receberam a informação de uma suposta intervenção no local após a Polícia Cientifica ter acusado duas pontas de fios desencapados de 220 volts na parte superior de uma laje perto da grade onde a vítima escalou na escola.  

Essa suposta intervenção teria ocorrido antes de uma segunda vistoria, realizada por técnicos nomeados pelo MP.

Luiz, contudo, disse que essa informação ainda não foi repassada para a polícia e afirmou que a mãe de Lucas é quem deverá comunicar no inquérito quando for chamada.   

VÍDEO MOSTRA OS ÚLTIMOS MOMENTOS DO GAROTO LUCAS



Confronto de laudos

O promotor Naul Felca, que atua no caso desde o início, deve confrontar os laudos da polícia e do MP. A expectativa dele é que isso possa ocorrer ainda em janeiro.

Felca garantiu que a investigação não deverá ser prejudicada, mesmo que seja confirmada a suposta modificação na fiação depois da vistoria do MP, já que houve perícia instantes após o ocorrido.

"Vai haver um confronto dos laudos da Polícia Técnico-Científica, do IML [Instituto Médico Legal] e, a partir daí, vamos verificar o que foi apurado com nossos laudos e tomar as providências necessárias", afirmou.

ACidade ON não conseguiu contato com o advogado da família de Lucas. A mãe do garoto, no entanto, disse que o defensor também aguarda o laudo para definir as providências.

"É uma perda que não tem explicação, uma dor difícil de lidar", declarou a mãe sobre a morte trágica do filho.  

"Deixar o filho para estudar e ir buscar morto é inadmissível, impossível uma coisa dessas", lamentou o pai de Lucas.

Outro lado

A SSP informou, por meio de nota, que o caso segue sob investigação por meio de inquérito conduzido pelo 6º Distrito Policial.  

O órgão, contudo, não deu detalhes sobre o laudo da perícia já concluído e apenas informou que aguarda a finalização do parecer necroscópico.

A secretaria ainda informou que o 6º DP já teria colhido depoimentos da mãe do estudante e da representante da escola.

A mãe de Lucas, porém, disse que ainda não foi chamada pela polícia.

Já a Secretaria Municipal da Educação informou que ainda não teve acesso ao laudo sobre a causa da morte do estudante, citou que há uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) e uma investigação do Ministério Público e que irá se pronunciar apenas as autoridades.

Sobre a suposta intervenção antes da vistoria da equipe do MP, a Educação afirmou que o fato não procede.

"Não houve qualquer intervenção na fiação do local onde ocorreu o acidente", declarou.    

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