De líder sindical forte e destemido à clausura

Licenciado do Sindicato dos Servidores em Ribeirão Preto, Wagner Rodrigues teme ser reconhecido nas ruas

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    • Cristiano Pavini
Weber Sian / A Cidade
Wagner Rodrigues se compara a Abraham Lincoln, que, 'com a perseverança indispensável, se tornou o maior presidente da história dos Estados Unidos' (foto: Weber Sian / A Cidade)

 

Do alto de um carro de som, liderando os 2,4 mil servidores em greve que marcharam pela cidade e ocuparam a praça em frente ao Palácio Rio Branco em 25 de março de 2015, Wagner Rodrigues bradava convicto ao microfone: “Não podemos recuar”.

Um ano e oito meses depois, com a Operação Sevandija, Wagner perdeu a convicção. A interlocutores próximos, não sabe se a decisão de firmar delação premiada foi um recuo ou avanço. E amarga ainda um futuro sindical incerto.

Na balança, pondera qual será o tamanho do desgaste político que sofrerá assim que o vídeo em que assume ter participado das negociações de propina envolvendo os honorários de Zuely Librandi vier à tona.

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Presidente do Sindicato dos Servidores de Ribeirão desde 2005, entidade que representa mais de 11 mil servidores, Wagner tem mandato até 2020. Em 3 de outubro, pediu licença da presidência para se defender das acusações da Sevandija.

Desde então, está recluso em seu apartamento no Jardim Paulista. Segundo interlocutores, raramente sai de casa e até se “disfarça” com um boné quando vai até a calçada buscar uma pizza. Acostumado a falar para multidões por melhorias trabalhistas, agora prefere a solidão.

Fora do baralho

Na diretoria sindical, alguns integrantes dão como certo que ele é carta fora do baralho. Defendem seu afastamento como ato de sobrevivência – uma espécie de cortar a mão para salvar o braço, já que o sindicato caiu sob suspeita após a Sevandija e foi até alvo de busca e apreensão pela Polícia Federal.

Em entrevista ao A Cidade, Wagner alega estar em um período de “reflexão” após os 45 dias de corrida eleitoral – em que fracassou nas urnas, ficando em penúltimo entre os nove candidatos –, diz estar escrevendo um livro sobre suas vitórias em 12 anos de sindicato e que se dedica a enfrentar os “desmandos” do Governo Federal.

Sobre ser “carta fora do baralho”, ele tenta reacender a convicção de antes. “Pelé, antes da sua terceira Copa do Mundo, em 1970, era considerado uma carta fora do baralho. Recentemente, antes da Copa de 2002, Ronaldo também já havia sido considerado uma carta fora do baralho.”

Lembrou, também, que Abraham Lincoln perdeu cinco eleições e, “com a perseverança indispensável, se tornou o maior presidente da história dos Estados Unidos”.

E reforça: “Estou apto, em condições plenas, de exercer o mandato para o qual fui eleito”. O estrago que ainda virá da Sevandija definirá se, de fato, dará a volta por cima.

Sandro sai da esfera do poder

Acostumado aos bastidores do poder, o advogado Sandro Rovani perdeu prestígio no meio político após a Sevandija. Se tornou até “persona non grata” – interlocutores temem contato próximo com medo da repercussão negativa. O contrato de prestação de serviços que tinha com o Sindicato dos Servidores Municipais foi rompido e, agora, ele se dedica ao seu escritório advocatício, no Centro. A Sevandija o afastou, também, da campanha eleitoral. Nos bastidores, ele realizava articulação política em prol de Ricardo Silva (PDT) – que nega o apoio. A Cidade não conseguiu localizar Sandro na sexta-feira (25). Seu advogado, Júlio Mossin, negou as acusações da Sevandija. 

Zuely quase firmou delação

A advogada Zuely Librandi quase firmou delação premiada com a Operação Sevandija. Iria entregar a prefeita Dárcy Vera e Marco Antonio dos Santos e dizer que foi vítima de extorsão. Antes, porém, Wagner Rodrigues salvou a própria pele e denunciou que a advogada, em vez de vítima, participou ativamente da divisão de propina dos honorários advocatícios. Denunciada por corrupção, pode também responder por peculato, caso fique comprovado que os R$ 69,9 milhões que receberia da prefeitura foram superestimados. Ela teme, principalmente, perder uma fazenda em Cajuru, na qual pretende fabricar ração para animais. Ex-assessora de Luchesi na prefeitura, agora ela se dedica ao escritório de advocacia do filho. 


2 Comentário(s)

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aristides marchetti filho

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Há quatro elites no Brasil: os político, os funcionários públicos (de qualquer escalão), os patrões suficientemente grandes para realizarem conluios com o governo e os sindicalistas. Os sindicalistas surgindo na brecha da Constituição Federal aproveitaram todos os espaços concedidos pelo gado ruminante das classes trabalhadoras, e dos envios monumentais de dinheiro público para fundear as bases do "sindicalismo", classes essas as quais acreditam mais em um "messias" do que no Estado Democrático de Direito. Esses trabalhadores endeusam o sindicalismo. Dessa forma, o Agente de Controle de Vetores à frente do sindicato dos servidores de Ribeirão Preto cresceu no mesmo "encanto socialista" que levou desde de catadores de recicláveis até a elite dos intelectuais nas universidades a perenizarem no poder o mesmo indivíduo e o mesmo esquema de leniência, corrupção, e de plena atividade criminosa. Respeitando, claro, as devidas proporções, aqui em Ribeirão Preto ocorreu a mesma coisa.

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maria cristina vieira trevizani

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Tinha que ficar na clausura mesmo. Vê se consegue explicar o acordo, talvez outro milionário, que fizeram com a BV financeira, ainda sobre este acordo milionário com dra sueli, DENTRO DA SEDE DO SINDICATO, na época dele como presidente, que acabou em merda e levou ao SPC e SERASA os nomes de funcionários, pensionistas, ect, SEM TER DÍVIDA ALGUMA, que deveria ser paga pelo IPM NOS RECEBÍVEIS. CANALHA. Melhor clausura será a CADEIA.