Seis vereadores da atual gestão estão em lista de celular de Plastino

Relatório da PF indica que eles receberam propina e atuavam como funcionários-fantasmas

    • ACidadeON/Ribeirao
    • Da reportagem

F.L.Piton / A Cidade

 

O relatório da perícia realizada pela Polícia Federal no celular do empresário Marcelo Plastino também cita o nome de seis vereadores da atual gestão da Câmara. Os nomes são acompanhados com descrição de pagamentos de propina, acusação de atuarem como funcionários-fantasmas, entre outras irregularidades.

Dois deles integravam o quadro do Legislativo ano passado, quando a Operação Sevandija foi deflagrada: Rodrigo Simões (PDT) e Maurício Gasparini (PSDB). Os demais cumprem primeiro mandato na Câmara de Ribeirão Preto: Marmita (PR), Jean Corauci (PDT), Dadinho (PTB) e Maraca (PMDB) – veja nos documentos ao lado.

A Polícia Federal fez a análise de arquivos de texto, conversas no aplicativo WhatsApp e arquivos de imagem encontrados no iPhone de Plastino, utilizado por ele desde que deixou a prisão, no início de outubro de 2016, até o dia do suicídio, em 25 de novembro de 2016. O empresário era acusado de pagar propina a funcionários da prefeitura e ex-vereadores, além de se beneficiar de licitações fraudadas.

As citações

Sobre o atual presidente da Câmara, Rodrigo Simões, Plastino diz tê-lo conhecido por meio do ex-advogado do Sindicato dos Servidores Sandro Rovani e que pagava ao vereador R$ 5 mil por mês.
Sobre Maurício Gasparini, Plastino diz que, em um encontro em um restaurante da cidade, o vereador pediu R$ 20 mil a ele.

Plastino cita que Marmita era funcionário da Atmosphera, mas que não trabalhava – e que havia falsificação no ponto de presença onde o atual vereador deveria trabalhar.

Jean Corauci também é citado como funcionário-fantasma da Atmosphera – teria recebido salário nos dois últimos meses mesmo com a folha em branco.

Sobre o vereador Maraca, o empresário citou que ele indicava cargos. Já Dadinho, suplente que assumiu recentemente a cadeira de Waldir Villela (PSD), afastado pela Justiça, era, segundo Plastino, indicado de Walter Gomes na Atmosphera e que também falsificava as folhas de ponto.

Apuração

O promotor de Justiça do Gaeco, Leonardo Romanelli, disse que os vereadores que foram citados podem ser investigados no futuro. “Certamente vão merecer, a partir de agora, uma apuração à parte daquela que já vem sendo feita no caso da Coderp”, explicou. (com EPTV) 

Vereadores negam envolvimento com Marcelo Plastino

Em entrevista à EPTV, Rodrigo Simões negou envolvimento em qualquer esquema ilícito. “Quando estourou isso aí lá atrás eu deixei muito claro que eu nunca tive contato, nunca estive pessoalmente, ou conversei por telefone com o finado Marcelo Plastino. Repito isso novamente e faço um desafio pra alguém mostrar qualquer tipo de gravação do Rodrigo Simões com o finado Marcelo Plastino”, disse. 

Também em entrevista à EPTV, Maurício Gasparini negou qualquer pedido de dinheiro ao empresário. “O que aconteceu é bem diferente disso. Ele me procurou querendo fazer uma doação para a minha campanha de vereador. No dia da reunião desse restaurante eu não pude ir. Quem foi no meu lugar, e vocês já sabem disso, foi o meu irmão Marcelo. Na época, ele disse: ‘Marcelo Plastino, eu só posso receber essa doação se você me emitir um recibo eleitoral. A gente só trabalha desse jeito’. No dia, ele disse: ‘Eu vou ver então como vou fazer isso porque não estava preparado pra isso’. Foi embora e nunca mais apareceu.”

Dadinho afirmou que sempre agiu dentro da lei e que nunca teve acesso aos documentos que mencionam que ele era funcionário-fantasma.

Jean Coraucci disse que trabalhou por 12 anos na administração pública como analista de sistemas, incluindo alguns anos na Coderp. Disse também que é o maior interessado que a verdade venha a público.

Em nota enviada à EPTV, Maraca declarou estar tranquilo. “Não conheço e nunca tive contato algum com o sr. Marcelo Plastino, mesmo assim tenho que responder algo que nem a EPTV sabe informar, quais e quantos cargos eu teria na prefeitura. Sendo assim estamos falando do nada do nada. Todavia, é necessário ratificar que a tese de culpabilidade da Justiça nas indicações de cargos é de pessoas indicadas por vereadores na época para que estes votassem a favor do Executivo (ainda a ser comprovada), como não era vereador e não indiquei nenhum cargo e não votava no Legislativo, o que teria a esclarecer? Da minha parte como democrata, acho importante nessa época de depuração da política, que as pessoas envolvidas em qualquer escândalo sejam julgadas pelo estado democrático de direito e paguem pelo que devem, e entendo o papel relevante da imprensa, contudo, também creio ser importante preservar pessoas sérias e com honradez, para que não manchemos a nossa democracia com injustiças”.

Marmita não quis gravar entrevista com a EPTV sobre o assunto.


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