Uma operação conjunta realizada pelo MPT (Ministério Público do Trabalho) e pelo MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) resgatou 17 trabalhadores de condições análogas à escravidão em Jardinópolis, município a 23 quilômetros de Ribeirão Preto.
Um dos trabalhadores, segundo o MPT, tinha 17 anos. A operação aconteceu entre 23 e 24 de março, mas só foi divulgada nesta terça-feira (4).
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O grupo deixou Minas Gerais para trabalhar em uma propriedade rural na cidade. Eles foram trazidos por um turmeiro em duas vans clandestinas, com a promessa de ganhar até R$ 2 mil por semana no plantio de cana-de-açúcar, de acordo com o órgão.
No entanto, em alguns casos, os trabalhadores chegaram a receber R$ 230 semanais. O grupo se dividiu em dois apartamentos: um em Jardinópolis e outro no distrito de Cruz das Posses, em Sertãozinho.
Entretanto, trabalhavam na primeira cidade. Além de pagarem o aluguel, os trabalhadores tiveram que comprar os seus EPIs (Equipamentos de Proteção Individual).
As moradiras
O MPT informou que a moradia em Jardinópolis, uma casa em construção, apresentava condições degradantes, como falta de higiene e de armários.
Já em Cruz das Posses, apesar das melhores condições de estrutura, o alojamento também não possuía camas e armários, além de apresentar em estado de higiene precário, de acordo com o MPT.
Indenização
O Ministério Público do Trabalho disse que a empregadora, que não teve o nome divulgado, se responsabilizou a pagar verbas rescisórias e indenizatórias aos trabalhadores.
Cada um recebeu R$ 3 mil a título de indenização por danos morais individuais, sendo que o adolescente foi beneficiário de indenização de R$ 5 mil.
A contratante também pagou para cada um o valor relativo à passagem de idade para Jardinópolis, além de custos como aluguel, gás, ferramentas, EPIs e a passagem de volta para Minas Gerais.
Ao todo, cada trabalhador receber uma média de R$ 13,3; o adolescente, por sua vez, recebeu montante superior a R$ 15 mil.
O MPT disse que optou por divulgar o caso só depois de o grupo ter recebido os valores, o que aconteceu nessa terça. Eles já retornaram ao estado de origem, informou o órgão.
A identidade da contratante não foi divulgada.
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