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Vacinação das crianças: Tudo que você precisa saber sobre a campanha

A vacinação de todas as faixas etárias terá um papel extremamente importante para o controle desta pandemia, disse em entrevista o virologista Benedito Lopes da Fonseca

| ACidadeON/Ribeirao -

 

Vacinação das crianças começa na terça-feira (18) em Ribeirão Preto - Foto: Divulgação/Governo de São Paulo

Ribeirão Preto inicia na terça-feira (18) a vacinação das crianças de 5 a 11 anos. Inicialmente a prioridade são aquelas com comorbidades ou deficiência permanente. 

A estimativa é de que há cerca de 60 mil crianças no munícipio dessa faixa etária, informou a Secretaria Municipal da Saúde. 

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Com a campanha prestes a começar, a reportagem do acidade on ouviu o virologista Benedito Lopes da Fonseca, da USP de Ribeirão Preto. Atualmente ele coordena a ala de enfermaria covid-19 do Hospital das Clínicas campus. 

Ele explicou sobre a importância da vacinação para esta faixa etária, sobre possíveis reações e se acredita que estamos chegando ao fim da pandemia - confira na íntegra abaixo

Qual a importância de vacinar essa faixa etária também de 5 a 11 anos?

Dr. Benedito: As crianças podem ter uma doença (covid-19) menos grave do que os adultos, mas elas ainda podem ser infectadas e algumas delas desenvolverão uma doença suficientemente grave para necessitar de admissão em uma Unidade de Terapia Intensiva. Uma das mais graves formas da covid-19 é uma doença que é chamada de Síndrome Inflamatória Multissistêmica, uma doença que está associada a uma maior mortalidade e geralmente aparece algumas semanas após a doença aguda. Nos Estados Unidos, a covid-19 foi responsável por quase 2 milhões de internações em crianças. Além disso, é importante vacinar crianças desta idade pois elas podem transmitir a doença para os seus familiares adultos, incluindo pais e avós, que podem desenvolver a forma grave da doença, necessitarão de internação hospitalar e, eventualmente, morrer. Finalmente, a vacinação desta faixa etária é extremamente importante porque irá permitir que essas crianças voltem as aulas de uma maneira mais segura e recebam a educação que tanto foi prejudicada nesses últimos anos.

Têm pais que estão com medo de possíveis reações. Isso pode acontecer?

Dr. Benedito: As reações vacinais podem ocorrer com qualquer vacina, inclusive com a vacina da Pfizer contra a COVID-19, mas não há como prever quem irá desenvolver os efeitos adversos à vacina. Entretanto as reações observadas com a vacina da Pfizer são muito parecidas com aquelas que nós observamos na população adulta. Essas reações são dor no local da injeção, dor no corpo, febre, dor de cabeça, fadiga, entre outras. Existe uma complicação muito temida com esta vacina que é a miocardite. Entretanto, é uma manifestação muito rara e muito menos frequente do que a doença cardíaca que a covid-19  causa. Os estudos mostram que a resposta imunológica induzida pela vacina da Pfizer nesta faixa etária é tão boa ou melhor do que na faixa etária de adultos jovens. Portanto, os riscos da covid-19 são muito maiores do que aqueles associados a vacinação contra esta doença.

Essa vacina vai proteger contra todas as variantes, incluindo a Ômicron?

Dr. Benedito: A proteção da vacina da Pfizer contra as variantes é muito boa, mas existe realmente uma menor proteção contra a variante Ômicron. Entretanto, existem trabalhos da África do Sul e do Reino Unido mostrando que proteção contra a Ômicron com duas doses da vacina da Pfizer é de 35%, porém com a dose de reforço desta vacina, esta proteção alcança 75%. De qualquer forma, mesmo que não proteja totalmente contra a doença induzida pela Ômicron, o fato de estar vacinado resultará em uma doença menos grave quando infectado por esta variante.

O senhor acredita que estamos caminhando para o fim da pandemia e que vacinar esse público é crucial para isso, ou não necessariamente?


Dr. Benedito: Eu não acredito que nós estejamos chegando no fim desta pandemia, pois pela característica deste vírus, novas variantes continuaram aparecendo, mas não há dúvida alguma de que a vacinação de todas as faixas etárias, incluindo principalmente as pessoas mais vulneráveis, terá um papel extremamente importante para o controle desta pandemia e, consequentemente, tornará essa doença é uma doença de menor gravidade.  

O infectologista Benedito Lopes da Fonseca da USP de Ribeirão Preto - Foto: Divulgação/USP

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