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Aos 105 anos, Gabriel dança, toma cerveja e proseia na praça

'Seo' Gabriel, que afirma levar "uma vida normal", comemorou o aniversário com seis festas

| ACidadeON/Ribeirao


"Tive duas reuniões na casa da minha filha e duas em casa. Depois teve a comemoração no Clube da Velha Guarda e a festa no apartamento do meu neto".

Gabriel Romão Teixeira Netto adora estar com os amigos e familiares, mas essa quantidade de comemorações tiveram um motivo especial: o aniversário do idoso, que completou 105 anos no dia 23 de outubro.

Mas não foi apenas durante as comemorações que Gabriel pôde estar ao lado de pessoas que fazem parte de sua longa história. De segunda a sábado - "de domingo tenho folga" - é possível encontrar o centenário na Praça XV de Novembro sentado no banco atrás do Monumento ao Soldado Constitucionalista de 1932 com os amigos. "Na praça a gente conversa muito e aproveita nada", ri.

Essa cena se repete todos os dias, há 34 anos. As únicas mudanças foram o meio de transporte - de à pé para ônibus e agora, táxi - e o andador, que Gabriel reforça que é usado apenas para caminhar na praça. Até mesmo a bengala, que lhe serve de apoio em casa, foi uma adição recente a vida do idoso. "Até os 100 anos não usava bengala. Mas viajei para Bertioga no meu aniversário de 100 anos e comprei essa, que comecei a usar recentemente", confessa.

Cerveja e vinho  

Chegar a uma idade tão avançada nunca foi uma pretensão do idoso, que apesar de ter levado "uma vida normal", esbanja saúde e lucidez."Nunca imaginei que ia chegar aos 105 anos. Não tenho problema de coração, de pressão, tudo normal", afirma. 

Gabriel nasceu em Uberaba (MG) em 1914 e veio para Ribeirão Preto em 1958, aos 44 anos, para administrar uma fábrica de artefatos de couro. O idoso trabalhou por 15 anos na fábrica e, em 1966, se aposentou pela primeira vez. Mas, como a aposentadoria era pequena, ele resolveu sair à procura de um novo emprego. "Sai de gerente para virar faxineiro. Depois de um ano trabalhando na parte interna passei em um concurso para auxiliar de escrevente do cartório. Me aposentei com 70 anos". 

Com três filhos, dez netos e 11 bisnetos, ele não se nega alguns rituais que podem ter ajudado a chegar nessa idade. "Vinho sempre tenho uma garrafa aberta na geladeira, agora tá calor então não estou tomando. Mas quando o tempo está bom, tomo um golinho de vinho todas as tarde. Cerveja é infalível, onde abrir uma garrafa de cerveja tem que estar junto. Quando os filhos me visitam vou para os bares tomar uma cerveja".     

Apesar de estar sempre próximo da extensa família, Gabriel também não nega a saudade da esposa, que faleceu em 1998. "Nós completamos 58 anos de casados. Viajávamos todos os meses, era uma boa companheira. Inesquecível".  

E para quem abriu esta reportagem para saber o segredo de longevidade do 'seo' Gabriel, a resposta vem em forma de piada. "O segredo é não morrer", diz, entre risos cheio de história.

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