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Eles encaram a pandemia e não têm a opção de ficar em casa

No aniversário de Ribeirão Preto, o ACidade ON homenageia os profissionais que enfrentaram o surto de coronavírus em funções essenciais

| ACidadeON/Ribeirao

Paulo diz que, em 18 anos de trabalho, nunca passou por algo tão desafiador (Foto: divulgação)
 *VIVA RIBEIRÃO: Este conteúdo faz parte do hotsite criado para comemorar os 164 anos de Ribeirão Preto  

Há 18 anos a rotina de Paulo Reis Nascimento é a mesma: ele levanta cedo e assume ainda pela manhã o posto de motorista de ônibus em Ribeirão Preto. A tarefa é cansativa, mas cumprida com prazer - inclusive nesta sexta-feira (19), em pleno aniversário de 164 da cidade.  

Para dar conta do "batente", nunca foi preciso mais que café e muita disposição. Com exceção para os últimos três meses.  

Os cuidados foram ampliados por ele além da direção e também incluem o uso de máscaras, repetidos rituais de higienização e atenção com as possíveis formas de infecção causadas pelo novo coronavírus. 
 

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Tudo isso porque o funcionário do Consórcio Pró-Urbano, que opera o transporte coletivo urbano, está entre os trabalhadores que pertencem aos "serviços essenciais". Foram eles que não pararam e tem encarado, diariamente, uma das maiores pandemias de frente.  

"Nesse tempo todo de empresa, essa é a fase mais desafiante. Sem dúvidas. Nunca houve tanta preocupação e pânico geral, mas estamos lidando bem com isso e seguindo todas as recomendações da empresa", explica.    

Valderi diz que aguarda ansiosamente o descoberta da vacina (Foto: divulgação)
 
O mesmo acontece com o porteiro de condomínios Valderi Tomé, que trabalha na área há 16 anos e já passou por diversas reestruturações. 

Ele diz que muitas funções básicas da profissão, como recebimento de encomendas, pedidos de assinatura e a recepção de convidados, estão suspensos por segurança até segunda ordem. A organização de festas no prédio, então, nem pensar. 

"A gente não vê a hora de tudo isso passar e encontrar a fórmula da vacina contra o coronavírus. Enquanto isso, seguimos trabalhando de máscara e cumprindo todas as regras", completa.    
 

Não é lazer  

Com o fechamento do comércio e aglomerações completamente proibidas, muitos moradores de Ribeirão Preto acabaram superlotando os supermercados, que por serem essenciais não fecharam.  

Quem sofreu com o descumprimento das regras de isolamento social, no entanto, foram os ajudantes e atendentes desses locais.  

Carlos Alberto Trovão, responsável pela parte operacional da rede Savegnago, diz que esse foi o maior desafio da parte administrativa e um choque para todos.  

"Infelizmente, tivemos que limitar o número de pessoas dentro das lojas e dar orientações de disciplina", conta.  

Ele afirma, ainda, que adotar o distanciamento social foi difícil. "Nossa cultura era de aproximação, então foi bem impactante. Tivemos que mudar nossos hábitos para tomar conta dos funcionários e dos clientes também", completa. 

Pensamentos positivos 

O pensamento positivo de Nascimento, Tomé e Trovão foi retratado em uma pesquisa divulgada pela Agência Brasil e encomendada pela consultoria de recrutamento Talenses Group, em parceria com a Fundação Dom Cabral.  

O estudo mostra que o receio na esfera profissionais atingiu 47% dos 1.294 participantes ouvidos em abril deste ano. Esses trabalhadores foram questionados sobre como é atuar em meio ao crescimento dos casos de covid-19.  

Em contrapartida, 83,2% deles julgam estar preparados para enfrentar os desafios que poderão surgir pelo caminho.   

Outro aspecto avaliado e que ficou em alta, de acordo com as considerações dos pesquisadores, foi a compreensão dos profissionais, especificamente quanto ao ramo em que estão empregados.  

A maioria acredita que seu setor será "altamente impactado" por reestruturações em curto ou médio prazo.  

Trovão: "tivemos que limitar as entradas" (Foto: divulgação)


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