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Clusters e arranjos criativos

Existem diversas maneiras de fomentar e incentivar a economia criativa, e uma delas é a formação de Clusters Criativos; Confira a coluna de Lilian Rosa

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Lilian é presidente do IPCCIC e coordena a pós-graduação da FAAP (Foto: Weber Sian / ACidade ON)
A cultura, enquanto área fundamental das práticas sociais, pode ser compreendida a partir de três dimensões: a econômica, a simbólica e a cidadã. Em sua dimensão simbólica, a cultura congrega as diferentes expressões culturais resultantes da ação criativa da pluralidade de modos de vida dos grupos formadores da nação brasileira. No movimento contínuo e dinâmico dos fazeres culturais, esses grupos têm garantido, pela Constituição Federal, o direito ao acesso, à fruição e à difusão cultural, que caracterizam a dimensão cidadã. Em outra dimensão, a cultura, na qualidade de elemento fundamental para a coesão social e a consolidação das identidades, é um setor econômico tão importante, ou mais que qualquer outro, chamado de economia criativa. 

Existem diversas maneiras de fomentar e incentivar a economia criativa, e uma delas é a formação de Clusters Criativos. Essa é uma definição para a concentração geográfica de empresas, atividades e pessoas do setor criativo, que apresentam potencial de incrementar a economia das cidades, por meio da inovação e do investimento em negócios da economia criativa. 

A ideia vem se espalhando por várias regiões do mundo. Esse é o caso de Nairobi, capital do Quênia, onde foi implantado o Cluster The GoDown, concebido pela jovem empreendedora Joy Mboya. Aproveitando um espaço urbano anteriormente abandonado, o projeto requalificou a área, criando um espaço onde convivem jovens web designers, dançarinos contemporâneos, produtores de TV, estúdios de música e outros negócios afins. A agregação de energias criativas instaladas em um único espaço resultou na promoção o intercâmbio, a colaboração e a geração de negócios.  

Outro exemplo é o Centro Metropolitano de Design, em Buenos Aires. Como parte de uma política pública que definiu distritos econômicos na cidade, foram criados clusters temáticos, como o de audiovisual, das artes e de design. 

Encontramos outras modalidades dentro da concepção de interligação e concentração de negócios criativos como estratégia de fortalecimento do setor. Entre elas, estão os arranjos criativos, compostos principalmente por comerciantes e prestadores de serviços criativos. Outros exemplos são os bairros criativos, como a Vila Madalena, em São Paulo, e o Soho, em Londres, onde é possível perceber uma concentração acentuada de atividades artísticas e culturais que movimentam a economia local, gerando trabalho e renda.  

Existem alguns elementos fundamentais para que um arranjo criativo ou cluster cultural tenha sucesso. O mais importante é a existência de uma classe criativa, de grupos de pessoas que se dediquem a gerar valor a partir da criatividade, da cultura. Esse é um elemento que pode ser incentivado por meio de políticas públicas voltadas para a formação e qualificação de profissionais no setor. Outro fator relevante é a valorização do potencial do lugar, com o diagnóstico e reconhecimento dos valores simbólicos, história, identidade e atividades que podem ser potencializadas para a geração de valor. A conectividade é um elemento estratégico e emissoras de rádio, canais de televisão, jornais e mídias sociais que possam divulgar e conectar pessoas e empresas. Por fim, é imprescindível desenvolver a habilidade de cooperação e de articulação. Essa é a forma pela qual ocorre o transbordamento do conhecimento, multiplicando competências, conteúdos, técnicas e difundindo e ampliando a área de atuação dos envolvidos.

*Lilian Rodrigues de Oliveira Rosa, Presidente do IPCCIC / Coordenadora de Pós-graduação da FAAP

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