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Talokei? Hoje temos uma nova categoria social, a Pessoa de Bem

O populismo fascistoide usa a Pessoa de Bem, moralista patriota que repete a tragédia como farsa; Confira a coluna de Júlio Chiavenato

| ACidadeON/Ribeirao

Jornalista e escritor Julio Chiavenato é colunista do portal ACidade ON (Foto: Weber Sian / ACidade ON)
 
Pessoa de bem

Realeza, aristocracia, burguesia & variantes pariram escravos e proletários. Para amortecer os choques usaram as classes médias, guardiãs dos (pre)conceitos da gente de cima e desdenhosa da turma de baixo. 

Escravos, castelões, vilões, servos, proletários, assalariados & derivados (nas classes C, D e no resto do abecedário), ao longo da história mudaram nominalmente, subsistindo na práxis diária: uns correndo, outros deixando o bicho pegar.  

Talokei? Hoje temos uma nova "categoria social", a Pessoa de Bem, servil, sem saber que serve aos prepostos dos prepostos. A Pessoa de Bem é a "progressão" do Homem Bom da Idade Média, o cristão velho proprietário de terras, que não poderia ter sido judeu, escravo ou trabalhador manual. Ele era escolhido para representar o rei e administrar as vilas, em Portugal.   

No Brasil colonial foram os vereadores da época, base do governo. Tataravô da classe média, o Homem Bom hoje é a Pessoa de Bem bolsonarista, sem precisar de lenço nem documento.  

Acabou a "carteira assinada", agora todos são ou serão serviçais. Mas é preciso acolchoar a mistificação para os cristais não se quebrarem: o populismo fascistoide usa a Pessoa de Bem, moralista patriota que repete a tragédia como farsa.  

Bolsonaro é o herói da Pessoa de Bem, que marcha na boiada das redes sociais. Quem se serve deles?

Morrer pela boca

Será que ele é idiota pela própria natureza? Ou tem a esperteza da bicharada diante do fracasso? Tatu em perigo corre pra toca. Avestruz enfia a cabeça no buraco. Ave pequena estufa o peito, para parecer maior. Cobra foge, mas acuada, dá o bote traiçoeiro. No reino da bicharada cada um tem suas estratégias. Às vezes dá certo, outras não. Só se dana mesmo o escorpião: é da natureza dele picar o sapo besta que o ajuda a atravessar o rio: os dois se afogam. No reino dos homens os pacóvios venenosos como o escorpião agem como peixes: morrem pela boca.

Poemeto municipal

Com toda vossa sabença
sabeis de modo perfeito
qual é a diferença
entre o burro e o prefeito?

Respondo com consciência:
o burro não é eleito
nem tem tanta competência
pra fazer tanto malfeito.

Mordendo a língua

É melhor calar-se e deixar que as pessoas pensem que você é um idiota do que falar e acabar com a dúvida. (Abraham Lincoln, 1809-1865)
 

*a opinião do articulista nem sempre reflete a posição do portal ACidade ON

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