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O ópio do povo

Terminou o Carnaval, começou efetivamente março. A realidade está de volta. Confira a coluna do jornalista Sérgio Trindade

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Sérgio Trindade é jornalista e gerente de Jornalismo da EPTV em Ribeirão Preto (Foto: Weber Sian / ACidadeON
Terminou o Carnaval, começou efetivamente março. A realidade está de volta. Então, brasileiros, vamos deixar de lado a Anita e o Neymar, o Instaram da Bruna Marquezini, os vídeos de Carnaval e a polêmica do golden shower.  

Já na quarta-feira de Cinzas, depois do meio-dia, somos chamados a lembrar da reforma da Previdência, da declaração de Imposto de Renda e de vários outros assuntos que mexem de verdade no nosso dia-a-dia. E só nos resta nos preocuparmos com gente mesmo porque, já aprendemos ninguém vai fazer isso por nós.  

Pensem no Imposto de Renda, por exemplo. Pelo terceiro ano consecutivo não houve correção da tabela. Vou usar aqui um cálculo do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita, o Sindifisco. A defasagem da tabela, em relação à inflação acumulada de 1996 até hoje, é de 95%. Em 2019, vai pagar imposto de renda quem recebeu até R$ 1.903,98 por mês. Se a inflação desses 22 anos tivesse sido aplicada na tabela, ficariam isentos de imposto quem recebeu até R$ 3.689,57.  

Numa avaliação bem simplista, essa distorção proposital dos governos para aumentar a arrecadação de impostos e diminuir seu déficit, penaliza principalmente quem ganha salários menores, que poderia estar isento. São os governantes querendo resolver somente os seus problemas. 

Está escrito no site oficial do Governo Federal que imposto é um tributo que serve para custear parte das despesas de administração e dos investimentos em obras de infraestrutura (estradas, portos, aeroportos etc.) e serviços essenciais à população, como saúde, segurança e educação. Mas o que o brasileiro nota, não é exatamente isso. Parece que a única preocupação é sempre arrecadar mais.  

Na visão do governo, o déficit público é um problema que o contribuinte tem de resolver pagando mais impostos; o rombo da Previdência é problema que "todos" têm de dar sua contribuição para resolver; o custo Brasil, que atrapalha investimentos, é um problema que o trabalhador tem de compreender e ajudar a resolver. Assim não dá. É muito melhor falar de Carnaval, Neymar, Anita, Bruna...

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