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Depois que o desastre anunciado faz seu estrago é impossível corrigi-lo

Sempre que acontece algo traumático os governantes tomam providências, mas nunca se lembram da origem dos fatos; Confira a coluna de Júlio Chiavenato

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Jornalista e escritor Julio Chiavenato é colunista do portal ACidade ON (Foto: Weber Sian / ACidade ON)


Deseducação municipal

Sempre que acontece algo traumático os governantes "tomam providências". Nunca se lembram da origem dos fatos. Depois que o desastre anunciado faz seu estrago é impossível corrigi-lo. A morte do garoto Lucas, provavelmente por choque elétrico, na escola Professor Eduardo Romualdo de Souza, na Vila Virgínia, é exemplo dessa conduta. A educação municipal em Ribeirão Preto não começou a afundar com Dárcy Vera nem Nogueira é seu coveiro.  

Até 1968, por aí, as escolas municipais eram boas. Então, a ditadura começou a desconstrução do ensino elementar. E tome moral e cívica e hino patriótico. Em Ribeirão Preto foi mais do que isso.  

O ex-vereador Cícero Gomes da Silva não deve ser lembrado apenas pelo cafezinho que a Operação Sevandija revelou. Ele esteve no centro da derrocada do ensino municipal. Por mecanismos vários que não cabem aqui, tornou-se influente ou temido nos governos municipais. Nomeou diretores de escolas e secretários. Transformou, com a submissão dos prefeitos de turno, a Secretaria da Educação em sua muleta política.  

Patrocinou "causas" de professores municipais e recebeu o voto agradecido. Enquanto a qualidade de ensino caía, ele subia. Professores apaniguados tiveram cargos e altos salários, com diferenças brutais entre os da patota e os que não entraram no jogo (a maioria).  

Concluindo: o ensino elementar em Ribeirão Preto nem precisou da burrice ditatorial para ser destruído: ruiu por dentro, minado pela politicanalha. Pouco mudará nos próximos anos: os futuros prefeitos são produtos de uma "educação política" que desgraça o Brasil e se submete aos "cíceros".

...ou barbárie?

Melhor encarar a realidade. O socialismo, até como utopia, acabou. Já vivemos a barbárie, com algum verniz de civilidade.  

Ponto 1: mudar os conceitos. Filósofos não são gurus. E os gurus devem ser enquadrados como embusteiros. Marx explica, mas não dá receita. Quem inventa receituário estrepa a massa.  

Ponto 2: a massa. Velhos esquerdistas diziam que o povo nunca erra. Paternalismo besta e ideologismo idiota: a multidão, plural e heterogênea, encontra o "cimento" que a transforma em massa unida ao adotar coletivamente os preconceitos assimilados pela justaposição das classes sociais e raramente acerta.  

Ponto 3: rever a "mecânica social". Hoje, nada evolui ou se transforma. Quebra-se. A sociedade está mudando seus valores por ruptura, aos trancos. Não há transição "natural" e, menos ainda, revolucionária. De repente, aglutinam-se ideias forjadas pela indústria cultural e dissemina-se a cultura de massas. O povo reage por estímulos e o instinto sobrepõe-se à razão: acontece a "animalização" dos humanos, respondendo às incongruências políticas como o avestruz (metendo a cabeça no buraco) ou o escorpião (destilando ódio e veneno).  

Ponto 4: o ponto. Atualmente o "povo" ou a "sociedade civil" (ou seja, o que se repre-senta nas ideias predominantes patrocinadas pelas classes dominantes), têm uma visão de mundo que condiciona não apenas o padrão de consumo (todo mundo tem smartphone) como o imaginário político (todos acham a política "suja") e se alimentam das mesmas fontes de notícias (toda a imprensa "comunica" os mesmos fatos).  

Ponto 5: o resultado. Trump e Bolsonaro na cabeça.

Poemeto oportunista

Antigamente as eminências
eram pardas e ocultas
hoje, são excelências
estridentes e estultas.

Antes, tais excrecências
agiam com mão de gato;
agora, com evidências
de verdadeiro desacato.

É sabida a consequência
deste triste dislate:
temos na presidência
um ilustre tatibitate.

Melhor já ir se acostumando,
diz o esperto à asnada,
pois quem vive criticando
perde o amigo e a piada.

Por isso vos aconselho
com toda sinceridade:
entre nesse aparelho
e ganhe a felicidade,
já que para ser feliz
é preciso ser abobado
e não meter o nariz
onde não é chamado.

Isso aí

Se tirarmos do homem comum as ilusões da sua vida ele perderá a felicidade. (Henrik Ibsen, 1828-1906)

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