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A vida é uma festa!

Conheço muitas pessoas que nasceram em outubro: irmão, marido, primos, amigos e eu mesma; Por isso, ele foi eleito por mim como o mês nacional dos aniversários

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Fabiana Guerrelhas, terapeuta analítico-comportamental (Foto: Divulgação)
Conheço muitas pessoas que nasceram em outubro: irmão, marido, primos, amigos e eu mesma. Por isso, ele foi eleito por mim como o "mês nacional dos aniversários". Acredito que esta quantidade de nascimentos e, consequentemente, de aniversários, ocorra como resultado do amor que emana nas férias e no Carnaval.  

Fico feliz quando ele chega, principalmente devido ao clima de verão que se aproxima, à alegria e às festividades. E eu adoro festa! Quando pequena, era mês de ganhar dois presentes: o do dia das crianças e o de aniversário. Nessa época, só ganhávamos presentes em datas especiais e olhe lá! E ganhar presente é ótimo, mas será que é o que mais importa? 

As festas são fenômenos sociais, existem desde os tempos mais remotos e estão presentes em todos os povos e tradições. Podem ter sentido folclórico, religioso ou ter por objetivo celebrar, comemorar um acontecimento ou homenagear alguém. Estão descritas em passagens bíblicas, como a Páscoa e o Natal. No Império Romano, os banquetes e orgias eram frequentes e tinham a intenção de ostentar a riqueza e o poder da aristocracia.  

Muitos filmes apresentam as festas como tema central. Sem fazer muito esforço, lembro-me do épico "A festa de Babette", do drama "Festa de família" e do divertido "Se beber, não case". A animação "A vida é uma festa", que retrata o "Día de Los Muertos", celebração festiva e popular do povo mexicano é mais uma lembrança da qual nos brinda a sétima arte.  

E por falar em brindar, uma festa histórica e curiosa, conhecida como "o dia em que acabou a vodca na Rússia", ocorreu em 9 de maio de 1945, quando as tropas nazistas se renderam à União Soviética pondo fim à Segunda Guerra Mundial. Na ocasião, os russos saíram às ruas para comemorar a vitória sobre a Alemanha e passaram mais de 20 horas celebrando, o que liquidou todo o estoque nacional da bebida. Reza a lenda, que o dia seguinte foi a maior ressaca coletiva da história. 

Motivos e tipos de festa não faltam: festa "Rave", festa à fantasia, Carnaval, Réveillon, festa de inauguração, chá de bebê, de lingerie, de cozinha, de revelação, "bota fora", "bota dentro", festa de rodeio, festa surpresa, festa da firma, formatura, churrasco na laje, feijoada beneficente, baile de debutante, festa junina, festa das nações, sem falar nas festas milionárias com custos altíssimos e aquelas em que são pagas pequenas fortunas para entrar. Essa lista sempre se renova e nunca tem fim! 

Sempre que posso, aproveito a oportunidade para fazer festa e minha  casa está sempre aberta para receber amigos. Essa é uma parte muito importante da minha vida. Aos quinze anos, preferi um "festão" à uma viagem internacional, em meu casamento havia mais de 500 convidados e a comemoração dos meus 40 anos durou 12 horas. Também adoro fazer festas
para os outros e prepará-las é sempre uma curtição. Envolvo-me com tudo, dedicadamente, desde a comida e a decoração até a lista de músicas. 

Algumas pessoas não gostam do dia de seu aniversário, talvez porque não tenham boas lembranças sobre a data ou porque a vida esteja tão ruim que não haja motivos para comemorar. Outras, sofrem de ansiedade social e não gostam de estar no centro das atenções. 

Aprendi com uma terapeuta muito sábia, que trabalhou até os 80 anos, e me atendeu no último dia de sua vida, que se você gosta de receber telefonemas, mensagens, felicitações e surpresas no dia do seu aniversário, deveria fazer as pessoas saberem disso. Alguns podem dizer: ah, mas aí não tem graça! E eu respondo: por que não? Receber carinho e congratulações não seria a parte principal? Penso que sim, já que acredito que devemos ter menos expectativas e ficar mais gratos pelo que temos e menos frustrados com o que falta. 

Ao refletir sobre o valor que as festas têm pra mim e justificar o meu grande interesse por elas, concluí que sua importância está no fato de gostar muito - mas muito mesmo - de me divertir, de conviver e de fazer as pessoas felizes. Festas são oportunidades perfeitas para interagir e colocar tudo isso em prática. Se a festa é boa, a diversão é certa! Quem te convida para uma festa fica contente em ser prestigiado com sua presença. Se quem a oferece sou eu, empenho-me ao máximo para agradar a todos. Quando faço alguém feliz ou quando sinto que estou conectando pessoas e me relacionando verdadeiramente com quem eu gosto, eu me realizo.  

Recentemente, soube de um estudo fantástico da Universidade de Harvard que descreveu porque devemos investir em relacionamentos. O psiquiatra e professor Robert Waldinger e seus colaboradores conduzem atualmente uma pesquisa que teve início há mais de 80 anos. Eles acompanharam pessoas desde a adolescência procurando entender o que as torna felizes e saudáveis, ou seja, o que significa ter uma vida boa. Avaliaram sujeitos de diferentes classes, raças, crenças e profissões, por meio de questionários, marcadores biológicos, exames de imagem, chegando à conclusão de que pessoas que se julgam felizes e que têm saúde são aquelas que cultivam, ao longo da vida, relações íntimas e fortes. Eles dizem: "Bons relacionamentos nos mantém mais saudáveis e felizes. Ponto final. A solidão é tóxica. O que importa é a qualidade dos seus relacionamentos bons e íntimos. 

Eles protegem nossos corpos e nosso cérebro". Quer melhor ocasião para celebrar seus relacionamentos do que uma festa? 

E como a música é a "alma da festa" cito, aqui, uma que sempre está na minha seleção: "Dont´t stop me now", do Queen, apontada em uma pesquisa, na Holanda, como a música mais feliz do mundo por conseguir produzir as melhores sensações. É realmente uma música sensacional, adorada e cantada por todos. Sugiro que você também não deixe de incluí-la na sua próxima festa. 
 
*Fabiana Guerrelhas, terapeuta analítico-comportamental do INBIO (Instituto de Neuropsicologia e Biofeedback) de Ribeirão Preto 

 
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