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Saiba como investir para deixar de depender do salário

Já entendeu onde quero chegar? Sua liberdade financeira! A partir desse momento, você já não é mais escravo da própria força de trabalho

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Eliseu Hernandez D'Oliveira, assessor de investimento da Blue Trade (Foto: Weber Sian / ACidade ON
Robert Kiyosaki, autor de Pai Rico Pai Pobre, descreve a corrida de ratos como um estilo de vida financeiro frustrante e difícil de modificar no qual uma pessoa trabalha duro para receber um aumento ou uma promoção e, à medida que sua renda aumenta, as suas despesas também aumentam. E conforme as despesas aumentam, essa pessoa fica ainda mais vinculada ao trabalho e mais dependente do salário. A ideia desse texto é passar ao leitor, por meio de uma simulação simplificada, o contexto do que é gerar renda ao longo do tempo e, finalmente, sair da corrida dos ratos.

Suponha que você tenha um salário de R$ 5.000,00. Para facilitar a simulação, vamos deixar de lado os impostos e contribuições. Logo, seu rendimento anual será R$ 65.000,00, incluindo o décimo terceiro (13 x 5 mil). Vamos supor, também, que você consiga poupar apenas 10% da sua renda anual com o objetivo de investir, ou seja, R$ 6.500,00 por ano.

Além disso, podemos dizer que ao longo dos anos seu salário terá ajustes. Pode ser que seja corrigido pela inflação ou pode ser que ocorra um aumento ou promoção. Na média, imagine que esse ajuste seja de 4,5% ao ano (apenas para representar que o salário não é estático). Então no ano seguinte, seu salário será de R$ 5.225,00 mensal, R$ 67.925,00 anual e sua poupança de R$ 6.792,50.  

 
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Claro que esses valores não ficarão parados na caderneta de poupança. Se você acompanha essa coluna, sabe que isso é burrice. Assim, vamos supor que você invista corretamente com um portfólio diversificado e protegido e tenha um rendimento anual de 10% em média.

No final do primeiro ano você investe os R$ 6.500,00. Esse recurso rende 10% e no final do segundo ano você investe mais R$ 6.792,50 e seu estoque de investimento será R$ 13.942,50 que renderá 10% novamente e assim por diante.

No nono ano você terá em estoque (valor investido mais rendimentos) o equivalente ao seu salário anual. No vigésimo sétimo ano, apenas o rendimento dos seus investimentos será o equivalente a 53% do seu salário anual. E no trigésimo sétimo esse mesmo rendimento sobre tudo aquilo que você acumulou será o equivalente ao seu salário anual.

É claro que você pode argumentar que 37 anos é muito tempo, o que de fato é. Porém, perceba o poder dos juros compostos. Levou 27 anos para atingir 50% do salário anual e apenas mais 10 anos para atingir o valor total. Quanto mais você poupar, maior será o efeito dos juros. Se você subir o valor poupado de 10% da renda anual para 25%, esse prazo cai para 23 anos. Na simulação o aporte é anual, se mudarmos para mensal, esse prazo será ainda menor.

Outro ponto importante é o rendimento anual de 10%. Caso deixe o recurso na caderneta de poupança, você nunca atingirá essa meta. Serão 130 anos para atingir 50% do salário anual. Depois disso parei de simular, pois já dava para ter a noção da impossibilidade. Mais uma vez demonstrando a importância de investir bem.

E como terceira observação, vale destacar que não importa se o salário é de 5 mil, 1 mil ou de 50 mil. A conta é a mesma e os prazos são os mesmos. Para salários maiores, o valor poupado é maior, mas o objetivo a ser atingido do salário anual com apenas o rendimento também é maior.

Já entendeu onde quero chegar? Sua liberdade financeira! A partir desse momento você não precisa trabalhar mais. Já não é mais escravo da própria força de trabalho. Já não vive mais de salário em salário. Você tem estoque de investimento suficiente para pagar todas as suas despesas e ainda sobrar. Conseguiu sair da corrida dos ratos.
 
 
*Eliseu Hernandez D'Oliveira é assessor de investimento da Blue Trade, formado em economia pelo Instituto Insper e mestre em economia pela Universidade de Brasília

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