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Tipo Textual: N.A.D.E.I

N de Narrativo, A de Argumentativo, D de Descritivo, E de Explicativo e I de Injuntivo; O Carnaval acabou, o ano começa e, com ele, a maratona de estudos

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Luiz Puntel é escritor e formado em letras (Mastrangelo Reino / Arquivo A Cidade)

N.A.D.E.I

O Carnaval acabou, o ano começa e, com ele, a maratona de estudos. E, por falar em estudos, é hora de começar a construção da prova de Redação, temor e tremor de muitos candidatos que prestarão os vestibulares no final do ano.

Então, aqui vão algumas sugestões para os alunos não confundirem, por exemplo, Tipo Textual e Gênero Discursivo. Eu sei, eu sei, leitores, que até vocês estão se perguntando que raios de tipologia é essa. Para explicar, usemos a tática do Jack, o Estripador: vamos por partes!

Em primeiro lugar, os candidatos tanto não dominam esses conceitos que, se entrarmos agora em uma sala de cursinho lotada, aqui, ou em qualquer cidade pelo Brasil, e perguntarmos a diferença entre essas duas estruturas, o silêncio é geral.

E o curioso é que, seja no Enem, Fuvest, Unesp, Ita, Unicamp e tantos outros vestibulares, os alunos precisarão ter escrever a Redação da prova levando em conta a dicotomia desses conceitos. Então, avisem os parentes vestibulandos, os vizinhos, os que pularam ondinhas, os que despularam o carnaval, e vamos puxar a lousa.

Em segundo lugar, para não teorizar demais, que eu sei que vocês, leitores, não têm muito tempo a perder, o Tipo Textual, eu destrincho rápido, é como os grupos do whatsapp. Não tem lá o grupo da família, o grupo dos amigos, o grupo das mães da escola, entre outras denominações?

Assim também é o tal Tipo Textual. Há cinco desses grupos, o que fica fácil memorizar. Se usarem a palavra N.A.D.E.I, não vão esquecer: N de Narrativo, A de Argumentativo, D de Descritivo, E de Explicativo e I de Injuntivo. Já o Gênero Discursivo é o nome dos integrantes dos grupos. Nomes mesmo, como Antônio, José, Fábio, etc. Ou seja, o Gênero Discursivo nos dá conta se o nome do texto é editorial, romance, carta, relato, crônica, artigo de opinião, bilhete, receita médica, com ou sem garrancho do médico, manifesto, entre mais umas dúzias de gêneros.

Os candidatos costumam embatucar nas duas definições, confundindo Nabucodonosor com nabo na horta do Senhor, daí o aviso deste professor. "Gênero só cai na Unicamp, na Fuvest não, né?", o candidato mais ingênuo pergunta, e os professores têm que explicar um caminhão de vezes: "Na Unicamp, cai para você escrever ou identificar em uma pergunta interpretativa; já na Fuvest, você escreverá obrigatoriamente o gênero Dissertação, cujo Tipo Textual é Argumentativo, não é o Explicativo. Explicou e não argumentou, não discutiu, a nota despenca, fiquem espertos!

Ou seja, candidatos, de um jeito ou de outro, Tipo Textual e Gênero Discursivo cai para você escrever ou cai para você interpretar e responder questões fundamentais para sua aprovação. Comecem a estudar agora!

Mais um último detalhe: no vestibular da Unicamp deste ano, era para que os alunos escolhessem entre escrever um podcast ou uma crônica. No podcast, para uma revista eletrônica, os candidatos tinham que discutir um tema que envolvia caráter multiétnico e multicultural no Brasil. Vão vendo! Discutir é argumentar, ok?

Além disso, tinha que argumentar de forma a convencer seus ouvintes. Portanto, o Tipo de Texto era Argumentativo e o Gênero era podcast. Além disso, os candidatos poderiam escolher outra redação, com Tipo de texto Narrativo e Argumentativo, porque teriam que produzir, como Gênero Discursivo, uma crônica. Nela, os candidatos teriam que discutir sobre o micromachismo na sociedade. É o que discutimos aqui na semana passada, certo?

Eles deveriam expor suas reflexões sobre os sentimentos que o micromachismo despertou no candidato ou candidata. Ou seja, o Tipo de texto era Argumentativo.

A prova da Unicamp, já notaram, não é para mirins, certo? E nem a Fuvest, e nem o Enem. Candidatos que não leem, que não têm criticidade, que não treinam pelo menos duas redações por semana, dificilmente ultrapassam uma nota mediana. Portanto, avisem a tchurma de candidatos que agarrem a caneta ou lápis, e comecem já a tecer o texto vitorioso do final do ano.

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Puntel, já virando a folhinha de março. Vixi!


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