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Em dois anos, número de MEIs cresce três vezes mais que vagas de emprego em Ribeirão Preto

Até janeiro de 2019, 37.333 pessoas se formalizaram como microempreendedores individuais; veja desafios e benefícios de se tornar MEI

| ACidadeON/Ribeirao

Luma transformou hobby em empresa após se formalizar como MEI (Foto: Weber Sian / ACidade ON)


Luma Pisi Teixeira Moura começou sua carreira em doçaria artística e artesanal trabalhando informalmente por um ano e meio sem registro enquanto se preparava para o vestibular. Após um ano na faculdade de gastronomia, ela decidiu transformar seu hobby em profissão e se tornou uma das 37.333 pessoas de Ribeirão Preto que se formalizou como MEI (Microempreendedora Individual).  

Nos últimos dois anos, os MEIs cresceram 17,7% de acordo com dados do Portal do Empreendedor, do Sebrae-SP - quase quatro vezes mais que o número de vagas de emprego na cidade (veja abaixo o infográfico).  

Esse aumento, segundo o analista de negócios do Sebrae-SP Leonardo de Moura Persi, ocorreu por dois motivos: a redução do emprego formal e também das vagas formais com carteira assinada. Essa redução então apresentou dois perfis diferentes de MEIs.  

"O primeiro é o MEI por oportunidade. É o que tem uma habilidade muito boa para trabalhar, por exemplo, com alimentação. Talvez essa pessoa já tinha isso como forma secundária de renda, então naquele momento ela toma a decisão de trabalhar de maneira autônoma para desenvolver a carreira focada no que ela gosta".  

Dolcittà, empreendimento da docente de confeitaria de 26 anos, começou por acaso. Após abandonar o curso de arquitetura, ela estudava para entrar em um curso de engenharia. Para poder juntar dinheiro, a jovem começou a vender doces no cursinho. Quando não passei no vestibular, decidi cursar gastronomia em Ribeirão Preto e após um ano na faculdade me encontrei na área de confeitaria".  

Com a Páscoa, uma das épocas de maior movimento para profissionais como Luma é a oportunidade da jovem oferecer algo diferente em um mercado, que segundo ela, está cansada de mesmice.  

"Querem produtos de boa qualidade, criativos e com preço competitivo. A criatividade, para mim, é o maior diferencial que um empreendedor do ramo pode ter. Entender o que o cliente quer, espera e deseja é a carta na manga. Por isso, acredito que os pequenos produtores tem maior flexibilidade para atender este mercado".   

Necessidade de ser MEI  

Já Vanessa Aveiro faz parte do segundo grupo. "Há também quem atua por necessidade. É alguém que tinha carteira assinada e por questão econômica, ou demissão, passa a trabalhar por conta para manter a renda que já tinha anteriormente", explica o analista do Sebrae-SP.  

A microempreendedora de 23 anos conseguiu uma vaga em uma agência de comunicação que só contratava profissionais como PJ (pessoa jurídica), portanto ela precisou se tornar MEI para conseguir trabalhar. "Logo depois que fui demitida, já tinha alguns trabalhos como freelancer [profissional que presta serviços de modo autônomo] então para não perder rendimentos, decidi manter. Estou desde setembro de 2018 sem carteira ou empresa."  



Lucros e prejuízos de ser MEI  

Vanessa, que trabalha nas áreas de design e social media, relata que após se tornar a "própria chefe", ela pôde notar algumas melhorias na sua vida profissional, como o aumento no seu salário. "Meu rendimento hoje é bem maior do que quando trabalhava com carteira assinada. Também tenho flexibilidade com meus horários, posso me organizar para fazer cursos", exemplifica a jovem.  

Já para Luma, o maior ponto positivo de se tornar MEI foi poder formalizar o trabalho dela e ter proveito de alguns direitos. "A partir deste momento, eu estaria amparada por INSS, contaria tempo de trabalho, pagaria os impostos reduzidos para a categoria sem maiores problemas e poderia fazer compras de produtos utilizando o CNPJ, o que garante melhores preço e condições de pagamento."  

Para o ramo de alimentação, a possibilidade de poder emitir nota fiscal também é um grande diferencial e foi um fator decisivo na hora de fechar negócios, segundo a profissional.  

Mas mesmo com todos esses lucros, ser MEI também tem alguns prejuízos. Para a designer gráfica, quando você se torna microempreendedora assume opções além das que já conhecia. Ela também alerta que feriados e finais de semana são cada vez mais raros. "Se você só tinha uma função com carteira, agora têm várias. Qualquer problema é você por você, independente do horário ou dia, tem que resolver".  

Vanessa se formalizou para conseguir uma vaga de emprego e depois se tornou profissional freelancer (Foto: Weber Sian / ACidade ON)


Desafios em se tornar um MEI  

Para a docente em confeitaria, o principal desafio foi lidar com as questões financeiras e burocráticas durante o processo de formalização. O analista de negócios do Sebrae-SP explica que atividades em áreas que envolvem saúde e segurança, que podem gerar riscos, os cuidados são ainda maiores e, por isso, é importante ter o máximo de informações.  

"Cada prefeitura tem regras próprias para os MEIs, então a Sala do Empreendedor, por exemplo, pode dar informações detalhadas sobre a abertura do negócio".  

Além de o nome ter mudado de Sala do Empreendedor para Posto Avançado de Atendimento ao Microempreendedor, o novo espaço oferece "tudo que um microempreendedor precisa", segundo Adriana Carvalho, representante executiva da Prefeitura de Ribeirão Preto no Poupatempo.  

"Nós trouxemos o atendimento para o Poupatempo nessa gestão para que se a pessoa precisa fazer uma carteira de trabalho, RG, empréstimo, tudo é ali". No órgão também há o Banco do Povo, programa do Governo do Estado de São Paulo onde micro e pequenos empreendedores, formalizados ou não, podem ter empréstimo com juros de 0,3% ao ano para o negócio.  

No caso de Luma, foram necessários alvarás nas áreas de Vigilância Sanitária, Secretaria do Meio Ambiente, Corpo de Bombeiros e Secretaria do Planejamento que, de acordo com a empresária, tem uma burocracia extensa. "Não tinha dinheiro para pagar alguém para fazer isto por mim, então fiz eu mesma. Foi um processo longo, desgastante e cansativo. E muitas taxas durante todo o processo".  

Segundo Adriana, também na gestão Nogueira foi criado um grupo de trabalho que compreende desde a Acirp (Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto) até o Corpo de Bombeiros. "Agora a prefeitura e a Receita Federal conversam, prefeitura e Casa do Contabilista conversam, todos conversam. Antes as coisas ficavam paradas e muitas pessoas até deixavam de se formalizar por isso".  

O Sebrae-SP também oferece uma gama de cursos gratuitos na área de gestão, desde o controle de dinheiro de uma empresa até como vender os produtos. Segundo Leonardo, muitas empresas são abertas, mas não conseguem manter a gestão em dia, por isso cursos como o Super MEI Gestão podem ser de grande ajuda.  

"Às vezes a pessoa vende bem, tem uma boa clientela e não sobra dinheiro, pois acaba confundindo o dinheiro da empresa com o dinheiro pessoal, não tem uma gestão aprimorada".  

No Portal do Empreendedor também é possível acessar materiais específicos para mais de 450 diferentes ideias de negócios, como uma cartilha com o passo a passo para a área específica do microempreendedor. 

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