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Reajuste: andar de ônibus em Ribeirão Preto vale R$ 4,40?

Aumento de 4,03% da tarifa foi anunciado no início do mês e começa a valer na próxima quarta (31); ACidade ON foi andar de ônibus para ouvir os usuários

| ACidadeON/Ribeirao

 
Nesta quarta-feira (31), a tarifa do transporte coletivo urbano de Ribeirão Preto subiu de R$ 4,20 para R$ 4,40, reajuste de 4,03%. Esse aumento anual no mês de julho está previsto no contrato de concessão do transporte coletivo urbano.   

No entanto, esse contrato é alvo de muitas polêmicas: são pelos menos duas ações do Ministério Público, outras duas ações que contestam os reajustes da tarifa e, no mês passado, o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) considerou irregular o processo de licitação de 2011 da prefeitura que culminou com a contratação do Consórcio PróUrbano para operar o sistema.  A concessão ainda já foi alvo de duas Comissões Parlamentares de Inquéritos (CPIs) na Câmara de Ribeirão Preto. 
 
Muitas críticas

ACidade ON embarcou, na última terça-feira (22), nas linhas de ônibus 310-Vila Amália, às 6h30, e no 315-Bonfim Paulista, às 6h56, para ouvir a opinião dos usuários do sistema sobre a qualidade do serviço prestado e sobre o reajuste (confira o vídeo acima). 

Mônica Sousa dos Santos, de 41 anos, destaca que a falta de qualidade do serviço e de circulares que cheguem até os condomínios do distrito ribeirão-pretano deixam a desejar.  

"Moro no Parque Ribeirão e saio de casa às 6h25 para conseguir chegar no serviço às 8h. O ônibus vai até o terminal e, de lá, temos que esperar mais 35 minutos pela van. A mesma coisa pra voltar. Por que já não fazem uma linha direta?", questiona.  

A opinião da empregada doméstica também inclui uma reclamação que é maioria entre os passageiros ouvidos no percurso, em pleno horário de pico: a superlotação. Em ambos os acompanhamentos da reportagem, havia mais pessoas em pé que acomodadas nos acentos.   

Viajar sentada, segundo a estudante Jéssica Eduarda do Valle, 22, é considerado luxo. "Da última vez que aumentaram a passagem [setembro de 2018], falaram que iam trocar todos os ônibus. Eu, por exemplo, pego quatro todos os dias e eles estão caindo aos pedaços. Já que vamos pagar mais, acho que os veículos deveriam ser mais novos e confortáveis", completa. 
 
Questionada sobre as críticas, a Transerp respondeu apenas que as sugestões serão analisadas pelo departamento responsável e que o reajuste tarifário já estava previsto em contrato. O Consórcio PróUrbano não se manifestou.  

O investimento em novas linhas, sugerido por 10 usuários ao portal, também não foi mencionado na nota da empresa. Atualmente, são 356 ônibus em circulação.  

Dados obtidos no site da Prefeitura de Ribeirão Preto mostram que a frota atendeu quase 5 milhões de pessoas apenas em maio deste ano e, em média, 164.543 passageiros todos os dias neste período. Para isso, a estimativa é que 462 usuários tenham passado pelo mesmo trajeto entre às 5h e 23h30. 
 
O levantamento aponta ainda, que, dos 3.029 pontos de parada da cidade, apenas 925 são cobertos. Essa questão foi comentada pela operadora de caixa Viviane Sardinha, 33, na linha que passa pelo bairro Ipiranga. Ela diz que a segurança é um ponto crucial e que não justifica o aumento da tarifa. 

"Se fosse para melhorar, eu não duvidaria, mas não é o caso. Não concordo. Sempre aumentam e continuam na mesma. Esse valor vai pesar no bolso de quem ganha um salário mínimo, sustenta os filhos, paga aluguel e ainda tem que desembolsar o valor da passagem". 
 
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Histórico de aumento  

Iniciado em janeiro de 2013, o histórico de evolução da tarifa criado pela Ritmo (Rede Integrada do Transporte Municipal por Ônibus) mostra que, em cinco anos, as passagens aumentaram R$ 1,90. No início do contrato, custavam R$ 2,90.  

O aumento maior, de 11,76%, foi registrado em setembro de 2015, ainda no governo Dárcy Vera (sem partido), quando o reajuste elevou o valor de R$ 3,40 para R$ 3,80.  

Desta vez, a publicação feita no Diário Oficial em 5 de julho detalha que o cálculo foi feito com base no peso do salário na composição, preço médio do combustível, dos veículos e variação do IPC (Índice de Preços ao Consumidor) entre 2018 e 2019. A soma desses fatores resultou no preço de R$ 4,40.    
 
Agora, a tarifa de Ribeirão se igualou a de Sorocaba, cidade proporcionalmente equivalente ao município, e ficou R$ 0,10 mais cara que a de São Paulo.  
 
Em nota, a Transerp também informou que " a implantação dos corredores estruturais do transporte coletivo urbano, bem como a adequação da atuação rede tem como objetivo principal a melhoria da qualidade e desempenho do serviço", justificando o novo valor. 

 
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Para o engenheiro civil e especialista em trânsito, Creso Peixoto, o reajuste da passagem deve ser analisado a partir de três óticas: técnica, econômica e social. Junto a isso, estudos devem ser feitos para estabelecer valores que podem ser pagos pelos trabalhadores. Caso não, as consequências podem ser altas, como o aumento dos carros e motocicletas nas ruas.  

"Se a tarifa for maior, muitos vão encontrar outros meios de se deslocarem na cidade e a mais comum são as motos. Tem quem acredite que há um custo baixo nessa operação, mas, na realidade, o custo é disfarçado em comparação ao risco da vida do piloto. Vale lembrar também que grande parte da frota nacional de veículos é antiga, em função da quantidade elevada de impostos e incentivo que existe em ficar com um carro velho. Estes, porém, acarretam mais poluição ao meio ambiente e também não é uma solução viável para a cidade", explica.  

Peixoto ressalta, ainda, que os acordos estabelecidos entre empresas particulares e o serviço público devem ser justificados de forma clara, com as porcentagens em lucros obrigatórios estabelecidas e para que não haja nenhuma moeda indevida nessas operações. Além disso, o ideal seria que as planilhas ficassem abertas para consulta da população.  

"Isso geraria mais conforto e justiça aos usuários. Um ponto importante a ser destacado, e cabe na ótica técnica, é que o município, sempre que possível, deve tentar entender as necessidades de uma forma ampla da sociedade, como no caso da distribuição de linhas pela cidade, análise de origem e destino dos passageiros e deslocamentos possíveis para melhorar o serviço", finaliza o especialista.  






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