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Quando a crise vira uma oportunidade

Em um cenário econômico ainda em recuperação, empresas que automatizaram, inovaram e tornaram o foco para o cliente estão expandindo e realizando contratações

| ACidadeON/Ribeirao

VExpenses passou de 19 para 40 pessoas em menos de um ano (Foto: Weber Sian / ACidade ON)

Após cinco anos de crise, uma mudança de governo e uma previsão do Banco Central de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) de 3% ao ano, a palavra "expectativa" era a que melhor definia o cenário econômico brasileiro no início de 2019. Porém, essas expectativas sequer foram alcançadas - a previsão no momento do Banco Central para o ano é de 0,9% -, frustrando planos de empresas e investidores. Mas quem conseguiu enxergar uma oportunidade nesse cenário não apenas se destacou, como também conseguiu expandir sua marca e gerar mais contratações.

Para a Rede Savegnago, não deixar projetos de lado por receio do futuro foi essencial para crescer e planejar empregar mais de 10 mil colaboradores até 2020. "Em uma expectativa de melhora da economia, que acreditamos que vai acontecer em breve, precisamos acelerar o crescimento e começar a contribuir para a geração de empregos", afirma o presidente-executivo da rede, Sebastião Edson Savegnago, o Chalim.

Apenas em Ribeirão Preto, isso significa 12 lojas em atividade - e mais uma em construção. O grande diferencial da rede? O foco no cliente. Segundo o empresário, com um número maior de facilidades para tornar a compra mais assertiva, os clientes aderem cada vez mais à marca para abastecer a geladeira.

Segundo Lara Bianchi, professora mestre em economia, o País começou o ano muito motivado, pois, com uma troca de governo, há uma "euforia" entre os investidores. Todavia, com o passar o tempo, os economistas perceberam que essa expectativa não se consolidou e o crescimento foi menor que o esperado. "O Banco Central tinha a expectativa de 3% ao ano e hoje percebe que vamos chegar nem a um terço da expectativa. Estamos crescendo menos que o esperado".

Portanto, empresas que pararam para repensar e rever processos, automatizar e reduzir custos, além de começar a ter um olhar maior no cliente, são as que conseguiram se destacar no mercado. "Em crises surgem muitas dores, e muitas empresas aproveitam essa oportunidade". 

No bar paulistano Tatu-Bola, que chegou a Ribeirão Preto nesta semana, a democracia na hora de olhar para os clientes foi essencial para a expansão da marca. Com a decisão de atender todos os tipos de clientes, o bar, que é uma das marcas do grupo Eu, Tu, Eles, já acumula 10 estabelecimentos em quatro cidades.  

Com opções para todos os bolsos aproveitarem uma noite de lazer, a marca vem em crescimento. Marcelo Mello, um dos sócios, explica que o bar é baseado no que os brasileiros mais buscam: música ao vivo, petiscos característicos e cerveja de garrafa de 600 ml.  

E seguindo o foco de atingir o maior grupo possível de pessoas, eles também focam na praticidade em um dos momentos mais difíceis da noite: o pagamento da conta. Com um cartão individual de consumo, o processo é facilitado. "É o projeto de um bar brasileiro, então nossa proposta é aceita no País inteiro. Começamos a expandir e agora já estamos olhando para o Rio de Janeiro, Goiânia e Belo Horizonte", afirma Marcelo.

Quem também conseguiu enxergar uma oportunidade e agora está desbravando novos territórios é a VExpenses, uma das startups encubadas pelo Supera Parque de Inovação e Tecnologia de Ribeirão Preto. Com plataforma e aplicativo que facilitam o processo de controle de reembolso de despesas corporativas, em pouco mais de três anos, a startup expandiu para 22 estados brasileiros e cinco países. E de apenas sete pessoas, a empresa passou a ter 40 colaboradores - e com a expectativa de chegar a 50 ainda neste ano.

Apesar dessa plataforma ser um gasto para a empresa, ela permite que seja economizado algo tão valioso quanto dinheiro: tempo. "A gente economiza 80% do tempo das pessoas no processo. Em uma equipe de vendedores, por exemplo, eles gastam um dia por mês só fazendo prestação de contas. Pega esse dia e devolve para o vendedor. O resultado é grande", explica o sócio Thiago Campaz.   

Chalim afirma que investimento em tecnologia dá comodidade ao consumidor e ajuda na criação de empregos (Foto: Divulgação)

E para quem pensa que tecnologia e empregos não combinam, pode pensar de novo. No Savegnago, por exemplo, foram instaladas estações de self check-out e o e-commerce, onde os clientes podem comprar produtos on-line. Mas segundo Chalim, isso não eliminou mão de obra, só ofereceu mais comodidade para os consumidores.

Em uma compra on-line, segundo o presidente-executivo da rede, são necessárias equipes para separar e embalar os produtos, além de entregá-los até o cliente. "A tecnologia está bem avançada, mas em nenhum momento é para reduzir mão de obra". 

Para a consultora e professora mestre de recursos humanos, Marcela Soares Pacheco, de 35 anos, a crise é tão importante quanto o momento de bonança, pois é durante a "maré baixa" que o "bom surfador" vai se destacar.  

Pode-se dizer que Wellington Nazo, de 34 anos, é um surfista nato. Há cinco anos na área de serviços, ele já passou por cargos como garçom gerente e barman. Após ficar dois meses desempregado, ele foi contratado. E em menos de uma semana de trabalho ele subiu de posto. "Houve um desligamento e procuraram dentro da equipe alguém que tivesse perfil para se encaixar. Uma semana depois que comecei, virei chefe de bar". 

Apesar do bar ter inaugurado nesta semana, a equipe iniciou os treinamentos no início do mês, e o entusiasmo em aprender fez diferença para Welligton conseguir a vaga. "Olharam a produção, a apresentação e o entusiasmo. E eu também estou sempre estudando, com cursos ou palestras. Agora, como esse novo cargo, vai me permitir fazer uma especialização", planeja. 

Wellington foi contratado em bar e conseguiu subir de cargo em apenas uma semana (Foto: Weber Sian / ACidade ON)

Afinal de contas, o que as empresas buscam?

São filas que começam durante a madrugada para feirões de emprego. Milhares (sim, milhares) de currículos enviados para uma única vaga. Em um mercado que após anos ainda apresenta situações tão extremas, como um profissional que busca recolocação pode se destacar?  

Segundo Marcela, esse movimento fez com que as pessoas percebessem que é necessário agir. Começando pelo currículo (confira arte abaixo).

Marcela alerta que esse documento deve ser a carta mais importante na manga de um funcionário, pois ele é o primeiro contato com o recrutador. "Não é aquele currículo rebuscado, colorido, com fotos. Mas com um texto objetivo e que, nessa objetividade, a pessoa tenha noção do que é essencial".

Já durante a entrevista é importante que o candidato mostre convicção em suas habilidades e também no que espera do novo emprego. "Se a pessoa não demonstra essas característica, sugiro que ela dê um tempo e busque se conhecer melhor, se aprimorar, fazer cursos".  

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