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Enfrentando o câncer: a cura é real e está mais próxima

Outubro Rosa e Novembro Azul levantam o diálogo sobre o câncer enquanto tratamento da USP traz novas possibilidades de cura

| ACidadeON/Ribeirao

Após enfrentar um câncer de ovário, a designer Thaís Navarro é exemplo de positividade e amor próprio | Foto: Weber Sian

"Agora eu brilho". Com uma cópia de 'Mulheres Que Correm Com Os Lobos' nas mãos e sentada com seu gato Jorge no colo, Thaís Navarro não tem dúvida ao afirmar como está agora, após enfrentar um câncer de ovário: "estou bem, brilhando na vida, uma diva". 

Thaís, que é jornalista e designer gráfico, transformou seu processo contra o câncer em uma experiência positiva nas redes sociais e foi na contramão da doença, que ainda carrega o sinônimo de morte. Com postagens, textos e posando para fotos repletas de luzes e cores, ela se transformou em referência. buscando criar uma nova imagem sobre pessoas com câncer.  

"Por trabalhar com produção de conteúdo para as redes sociais eu já utilizava bastante essa ferramenta Depois do susto do diagnóstico fui procurar por pessoas que estavam na mesma situação e elas me inspiraram a mostrar que, apesar de todo o sofrimento, é possível passar pelo tratamento de uma maneira mais suave e tranquila", afirma.  

Fora da internet, o que mais chateia a designer de 31 anos é o negativismo relacionado a tudo que envolve a doença. "Fico muito brava quando vejo as pessoas automaticamente relacionarem alguém que esteja com câncer à morte. A cura é uma verdade, ela é real", ressalta.  


 
CÉLULAS CAR T E O FUTURO

Em outubro, o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP mostrou que Thaís está certa ao ser positiva e anunciou que um novo tratamento desenvolvido por eles livrou 'virtualmente' um paciente de todos os sintomas de um linfoma em fase terminal.  

Um aposentado de 62 anos passou pela inovadora terapia com células CAR T, que apontou uma remissão considerável no quadro da doença. "Esse paciente é portador de um linfoma não Hodgkins avançado, uma doença agressiva. Ele já foi submetido a quatro linhas de tratamento prévias, teve uma resposta muito ruim, inclusive refratária a algumas delas, e veio justamente para fazer o tratamento com células CAR T", conta Renato Cunha, médico que cuida do caso em Ribeirão Preto, ao Jornal da USP. 
 
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COMO FUNCIONA A TERAPIA 

A terapia com células CAR T não é simples, exige também hospitais com capacidade para fazer transplantes de medula óssea, bons laboratórios e bom suporte de tratamento intensivo. Uma vez que as condições permitam, tudo começa com uma amostra de sangue do paciente. 

Nosso sistema imunológico é composto basicamente por dois tipos de células especializadas. Um deles é o linfócito B, responsável por produzir anticorpos. O outro é o linfócito T, que funciona como um exército em nosso organismo e ataca bactérias invasoras. No caso do tratamento realizado em Ribeirão Preto, o câncer do paciente era causado por linfócitos B doentes.  

O que os pesquisadores da USP fizeram foi extrair os linfócitos T da amostra de sangue do paciente e modificá-los geneticamente. No laboratório, eles introduziram nessas células um uma espécie de vírus sintético que carrega no DNA a habilidade de reconhecer determinadas substâncias de interesse. Os linfócitos T modificados ganharam, então, um receptor que lhes permite reconhecer o alvo terapêutico. Foi assim que os linfócitos T se tornaram células CAR T. 

O principal problema da terapia com células CAR T é o custo. Somando a produção das células e as despesas hospitalares, os valores chegam a aproximadamente R$ 4 milhões. Porém, a USP calcula que a plataforma brasileira poderá baratear o tratamento em até 20 vezes, na comparação com o custo de um produto comercial.  

Os avanços são significativos, porém, por estar em fase de estudos, o tratamento não está aberto à população. A expectativa é que essa etapa seja concluída entre dois e três anos. 

O Centro de Terapia Celular da USP indica que pacientes com dúvidas podem entrar em contato através do e-mail: terapia@hemocentro.fmrp.usp.br  

 
A PRIMEIRA BATALHA COMEÇA NA MENTE

Para a psicóloga Ana Loureiro, além do acompanhamento médico especializado, o principal passo após o diagnóstico é reeducar o pensamento. "Nosso maior campo de batalha é na mente, então se pensarmos o câncer de outra maneira conseguimos ter mais suporte emocional e consequentemente uma reposta imunológica muito melhor".  

Foi assim que a publicitária Carina Sofia, de 31 anos, encarou a doença quando ficou sabendo que estava com câncer de mama. "Por que eu? Essa pergunta eu fiz só uma vez, por poucos minutos, a partir daí segui minha vida. O tratamento é muito difícil, a quimioterapia, os medicamentos. Mas procurei manter ao máximo o mesmo ritmo de vida. Saía com a família e amigos. O pensamento positivo foi o que me ajudou", afirma Carina.  

Mesmo ainda em tratamento, a sensação de vitória é algo constante na mente da publicitária. "Hoje me sinto forte, mais humana, mais sensível. Olho pra trás e parece que perco a noção do tempo, do que aconteceu. Não tenho orgulho de ter tido a doença, mas me sinto forte. Me sinto como uma pessoa que ganhou uma guerra. Hoje ainda passo por um tratamento, mas a doença não me venceu".  

Segundo dados do Ministério da Saúde / INCA, o Brasil registrou 582.590 mortes por câncer em 2018. Entre os homens, o câncer de próstata ainda é o que mais preocupa (31,7% dos óbitos), enquanto para as mulheres, o câncer de mama atinge a maioria da população (29,5%). 

ENTREVISTA: 
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