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Após 1.142 dias, Operação Sevandija tem sua segunda sentença

As 21 condenações da última sexta somadas chegam a 297 anos de prisão; Nove ex-vereadores e a ex-prefeita estão entre os sentenciados

| ACidadeON/Ribeirao

 
Desde a deflagração da Operação Sevandija, em 1º de setembro de 2016, passaram-se 1.142 dias até a última sexta-feira, 18 de outubro de 2019, dia da publicação da segunda sentença. A operação descobriu o maior esquema de corrupção da história de Ribeirão Preto. Os fatos foram apurados pela PF (Polícia Federal) e pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do MP-SP (Ministério Público de São Paulo). A decisão foi do juiz Lúcio Alberto Enéas da Silva Ferreira, da 4ª Vara Criminal de Ribeirão Preto. 
 
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Ex-vereadores Walter Gomes e Cícero são condenados; Sentença inclui 21 réus 
 
Sevandija: Justiça determinou perda de bens dos condenados 

 

Políticos influentes
 
A Sevandija focou em políticos influentes de Ribeirão Preto, como os ex-vereadores Walter Gomes, Cícero Gomes, Maurílio Romano, Samuel Zanferdini, Genivaldo Gomes, Capela Novas, Pastor Saulo Rodrigues, José Carlos Oliveira (Bebé) e Evaldo Mendonça (Giló). Eles negam a autoria dos crimes (veja mais).
 
As condenações somadas de todos os 21 réus do processo, que além dos políticos inclui empresários e ex-funcionários da Coderp, é de 297 anos de prisão. Mesmo assim, todos ainda podem recorrer da condenação. Contudo, a Justiça já decretou a perda de bens do sentenciados.
 

Acusação
 
Na acusação, o Gaeco apontou que os ex-parlamentares, agora condenados, venderam apoio político para o governo da ex-prefeita Dárcy da Silva Vera. Em troca disso, eles fizeram indicações de funcionários para empresa terceirizada pela Coderp (Companhia de Desenvolvimento Econômico de Ribeirão Preto), a Atmosphera fazer contratações. 
  

Votações suspeitas
 
Entre as votações suspeitas de terem ocorrido com 'voto comprado', estavam a instalação de comissões de estudos para averiguar denúncias contra a gestão da Cohab-RP, em abril de 2012, que foi rejeitada pela Câmara, assim como análises de contratados da Coderp, no mês de agosto daquele mesmo ano.  

A Coderp era por onde ocorria a contratação da Atmosphera. As funções dos terceirizados eram variadas: informática para escolas, passando por funcionários de cemitérios e da própria prefeitura. As licitações foram fraudadas e os desvios teriam chegado a R$ 105 milhões, segundo o MP-SP.  
 

Outras votações
 
Além disso, o Gaeco e a PF consideraram como suspeitas as votações das contas de Dárcy Vera, referente ao ano de 2010, que só foi analisada pelo Legislativo em dezembro de 2013, e foram aprovadas pela Câmara, mesmo com parecer contrário do TCE-SP (Tribunal de Contas de São Paulo). O Legislativo ainda rejeitou o relatório final da CPI do Transporte, em 2013, e não permitiu a instalação da CPI da Stock Car, no ano de 2014. 


Escutas
  

Em 2018, a ex-prefeita Dárcy Vera foi condenada a 18 anos de prisão por outra ação da Sevandija  (foto: Weber Sian / A Cidade - 07.fev.2014)
Entre as escutas telefônicas captadas ao longo das investigações, que versam justamente sobre essa troca de apoio político, está uma conversa da ex-prefeita Dárcy Vera com o ex-secretário Marco Antônio dos Santos, em junho de 2016. Na transcrição, Dárcy e Marco Antônio discutem sobre a votação das contas na Câmara Municipal.  

Com a perspectiva de não ter votos o suficiente para que elas fossem aprovadas, a ex-prefeita questiona o secretário: "Marco, mas nós vamos segurar todo esse pessoal até a campanha inteira passar?". O pessoal a qual ela se refere, eram os apadrinhados dos políticos na Atmosphera.  

Marco Antônio dos Santos, assim como outros ex-secretários, como Ângelo Invernizzi, da Educação, e Layr Luchesi Júnior, da Casa Civil, também foram condenados na última sexta-feira. A ex-prefeita Dárcy Vera não respondeu por crimes cometidos no núcleo Coderp. 


Outros núcleos
 
A Sevandija ainda tem o núcleo do Daerp (Departamento de Águas e Esgoto de Ribeirão Preto), das fraudes em licitação para a colocação de catracas em escolas municipais, da lavagem de dinheiro e dos honorários advocatícios. Este último é o que rendeu condenação de 18 anos de prisão para Dárcy Vera.  

O núcleo dos honorários teve a sentença publicada em setembro de 2018. Além de Dárcy, outras cinco pessoas foram condenadas nesta ação. Atualmente, as sentenças proferidas pela Justiça de Ribeirão Preto estão em fase de recursos no TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo).
  

Leia mais: 
Dárcy Vera é condenada a 18 anos e 9 meses de prisão 

 

Caso Daerp
 
Já o caso que apura fraudes em contratos de licitação do Daerp está um pouco longe de ter sentença em primeira instância. Testemunhas ainda estão sendo ouvidas pela Justiça por meio de cartas precatórias. Uma delas, inclusive, só deve ser ouvida no dia 31 de março de 2020. Ou seja, daqui a cinco meses.  
 

Caso Léo Oliveira
 
Na última segunda-feira (14), o ACidade ON mostrou em primeira mão que o Gaeco denunciou o deputado estadual Léo Oliveira (MDB) por suspeita de estar envolvido em crimes semelhantes aos que levaram às condenações da última sexta-feira. No período entre janeiro de 2009 e janeiro de 2015, Léo Oliveira era vereador em Ribeirão Preto.

"No que se refere ao ex-vereador, a situação se assemelha muito a de outros (ex) vereadores que agora foram condenados", afirma o promotor do caso Walter Alcausa Lopes. Léo Oliveira nega que tenha participado de qualquer esquema ilícito. 

 
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Gaeco denuncia deputado estadual Léo Oliveira na Operação Sevandija

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