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Economia

Com Down, Cristina brilha entre os colegas de trabalho

Jovem de 26 anos trabalha há 2 como auxiliar de monitoria em universidade de Ribeirão Preto; ela foi treinada em 2 meses

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'Gosto muito de trabalhar, pois me sinto melhor'm, diz Cristina Ribeiro Pereira (Foto: Matheus Urenha / A Cidade)
 

Valorizar as habilidades e superar as dificuldades todos os dias. É assim a rotina de Cristina Ribeiro Pereira, de 26 anos, que tem síndrome de Down e há dois anos atua como auxiliar de monitoria no Centro Universitário Barão de Mauá.  

"Gosto muito de trabalhar, pois me sinto melhor. Ficar em casa é ruim", afirma Cristina, que apesar de tímida, conquistou a todos os funcionários da unidade do Jardim Paulista.  

"Aqui é muito legal, as pessoas são boazinhas, carinhosas e me tratam bem", garante.  

"Tanto é que estou muito feliz, pois me sinto útil, fiz muitas amigas e ainda ganho dinheiro para poder comprar roupas", divert-se.  

Segundo Rakel Messias, do Núcleo de Inclusão e Acessibilidade (Nia) da Barão de Mauá, a preparação de Cristina durou cerca de dois meses.  

"Tudo isso para que ela pudesse ter autonomia e, assim, trabalhar sozinha no scanner e na entrega de documentos e correspondência dentro da unidade", explica.  

Neste tempo, Cristina aprendeu a identificar e reconhecer as salas, seus números e quem são os funcionários daquele setor. 

"Hoje, ela exerce a função muito bem. É muito calma, capaz e traz paz para o ambiente", frisa Rakel.  

Para ela, as pessoas com deficiência são totalmente capazes. "O que falta são os funcionários das empresas entenderem sua função para com os PCDs. É mais uma questão de treinamento, estratégia e capacitação", finaliza. 

Deficiência não é empecilho, diz educadora 

Para Raquel Fortes, diretora do Centro de Educação Especial e Ensino Fundamental Egydio Pedreschi, a deficiência não é um empecilho para vaga no mercado de trabalho.  

Prova disso, é que os alunos matriculados no Egydio Pedreschi participam da Educação Profissional Básica, onde desenvolvem hábitos e atitudes para o mercado de trabalho. "Somos constantemente procurados pelas empresas e, assim que os alunos são capacitados, conseguimos incluí-los", diz.  

A dificuldade na contratação, na opinião de Raquel, é a empresa entender a capacidade do deficiente. "Mas, também suas limitações, para oferecer vaga na execução da atividade adequada à pessoa."  

Já Marlene Cintra, presidente da Adevirp, diz que a empresa tem que ter o compromisso com a diversidade. "Para isso, precisa levar em consideração aspectos como disponibilização de tecnologias assistivas, desenvolvimento e capacitação, sensibilização dos colaboradores, dentre outros fatores nas etapas de seu desenvolvimento", frisa.  

Isso porque, segundo ela, ao focar nas habilidades e não nos estereótipos, as empresas podem acessar o ainda inexplorado grupo de talentos de pessoas com deficiência. "Diferentes habilidades e pontos de vista têm vários efeitos positivos nas empresas, como uma melhor capacidade organizacional para resolução de problemas e inovação", reforça.

Compreensão  

Para Elaine Gomes, diretora escolar da Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Ribeirão Preto, falta compreensão do empregador com relação as limitações e habilidades das pessoas com deficiência. 
"É preciso, antes de tudo, ver a pessoa com deficiência primeiramente como pessoa, que como outra sem deficiência, também apresenta dificuldades em alguma área e habilidades em outra. Ver a pessoa como ser único e aceita-la como é, apoiando no que for necessário", finaliza.  

No País, só 418,5 mil trabalham  

Segundo dados divulgados pela Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do Ministério do Trabalho, em 2016, contabilizou-se a presença de 418.521 pessoas com deficiência com carteira assinada. Os dados incluem empregadores da iniciativa privada, empresas públicas diretas e indiretas e órgãos públicos. Os 418.521 PDCs representam cerca de 1% do total de empregos formais do País, onde há 46 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência, das quais 29 milhões estão em idade economicamente ativa. Ainda, de acordo com os dados da Rais, dos profissionais com alguma deficiência contratados, 93,48% só estão trabalhando devido à obrigação legal.  

Números em Ribeirão Preto  

De acordo com o Ministério do Trabalho, com base os dados da Rais 2016, em Ribeirão Preto há 1.833 pessoas com deficiência com carteira assinada, o que representa 0,8% do total de 222.821 pessoas empregadas na cidade. 

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