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Economia

Impressoras 3D produzem de prótese dentária a miniatura de gente

Tecnologia chega no mercado de Ribeirão Preto e já produz peças para a indústria, saúde e educação; miniaturas servem até para decorar topo de bolo

| ACidadeON/Ribeirao


Impressora 3D chegou no mercado de Ribeirão Preto e já produz peças para indústrias, área da saúde, educação e até miniaturas de gente (Fotos: Matheus Urenha)

As impressoras 3D chegaram de mansinho e conquistaram de maneira irreversível o mercado do Brasil e do mundo. Agora essa tecnologia revolucionária está mais acessível ao público e reproduzindo todo tipo de peça, seja para indústrias, comércio, construção e até para a saúde. 

Ah, e uma novidade que pode interessar a todo mundo, principalmente os casais apaixonados e papais corujas: a impressora é capaz de reproduzir miniaturas de gente para decorar topos de bolo de debutantes ou casamentos.  

O processo para a produção das miniaturas de pessoas ou animais é relativamente simples. Já existem softwares que escaneiam, em 3D, o que se deseja materializar. O funcionamento é como se mandasse alguma documento do word para a impressão.  

O arquivo em 3D é enviado para a impressora, e assim uma cópia fiel - seja alguma peça, pessoa ou bichinho de estimação  - é reproduzida pelo equipamento. Uma miniatura de bicho ou gente custa a partir de R$ 130. O preço depende do tamanho do objeto desejado.

Primeira do País 

A empresa Done 3D é de Ribeirão Preto e foi a primeira a se instalar no país. Hoje atende a um amplo mercado, que atinge diversos seguimentos como indústrias, joalherias e até a área da odontologia, que hoje tem a maior demanda.  

Segundo o empresário Paulo Nisioka Kimura, 30 anos, as impressoras 3D possibilitam a materialização de projetos que antes só eram desenhados e apresentados em 2D , ou seja, somente por meio de fotos ou arquivos virtuais.  

"Um exemplo bem legal, são os projetos de arquitetura. Antes o arquiteto apresentava os projetos, que já eram feitos no computador em 3D, por fotos, e hoje ele consegue materializar todo o projeto através da impressora, podendo apresentar para o cliente uma miniatura fiel do projeto", explica o empresário.  

Kimura ainda diz que há infinitas possibilidades de produção com o equipamento, depende da necessidade ou criatividade do cliente.  
 

O empresário Paulo Nisioka Kimura, dono da Done 3D, segura peça confeccionada em impressora 3D (Fotos: Matheus Urenha)

Vantagens para o mercado
 
O empresário ressalta a economia que a ferramenta pode trazer para o mercado pensando na construção e materialização tradicional de todo o tipo de objeto.
 
"Falamos em processo de manufatura subtrativa, que é quando você pega um bloco inteiro de um determinado material e faz os cortes, subtraindo material para chegar à forma desejada. Já o processo de construção na impressora 3D é o oposto, pois ela adiciona somente a quantidade de material que vai ser utilizado para a construção da peça desejada, fazendo com que o custo seja reduzido", diz.  

Então a partir do momento que não é preciso desperdiçar matéria prima para fazer um protótipo, isso reduz o custo e já mostra a ideia real de como ele vai ficar.   

"Um molde é caro, então, a impressora torna a apresentação de um projeto mais interessante". Agora, a impressora 3D também já pode fazer o produto final do cliente, e não somente o molde.   



Inovação na odontologia
 
Hoje, já é possível a realização de exames feitos por imagem em 3D. Com esse recurso, o profissional da área da saúde consegue materializar, em proporções reais, as imagens feitas do paciente para melhor análise do caso, facilitando o planejamento de uma cirurgia, por exemplo, para que o paciente tenha uma recuperação mais rápida.  

Um exemplo concreto do uso de imagens 3D usados na saúde, é o protótipo das cabeças das gêmeas siamesas Maria Ysabelle e Maria Isadora, que nasceram unidas pela cabeça estão passando por cirurgia de separação no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto.  

Para facilitar o estudo do caso e da cirurgia, os neurocirurgiões reproduziram as cabeças em um molde 3D de silicone. A imagem tem facilitado até as entrevistas que a equipe multidisciplinar tem dado a jornalistas;  

Odontologia
 
Em constante evolução, a área da odontologia é uma das que tem se beneficiado com o novo recurso. Para o cirurgião dentista Maurício Mioranzza a tecnologia chegou para ficar e trouxe um leque de possibilidades e facilidades no trabalho dos profissionais da área.  

"Uma das vantagens sobre o molde tradicional (feitos em consultório) é que em casos de pacientes com náuseas, o escaneamento representa um método mais fácil, pois pode ser interrompido e depois prosseguido, sem prejuízos ao resultado final da cópia dos dentes", exemplifica o cirurgião.  

O dentista ainda explica que o aspecto mais interessante da tecnologia é que após a captura da imagem ela pode ser armazenada. "Já nas moldagens tradicionais, após serem confeccionados os modelos de gesso, corria-se o risco de quebrá-los ou danificá-los, o que representaria uma perda importante e prejudicial ao trabalho a ser realizado."   
 
Mioranzza diz acreditar que a era digital está cada dia mais presente na rotina dos dentistas. "Mas, com certeza, só será bem empregada se os conceitos básicos, utilizados há tantos anos com os métodos tradicionais, forem aplicados nos planejamentos", acrescenta.     


Na educação
 
As possibilidades na educação também são amplas, como o laboratório de manufatura avançado que a Unaerp (Universidade de Ribeirão Preto), oferece para os alunos.   

No laboratório, as aulas de engenharia de produção contam com o auxílio da impressora 3D para a confecção de diferentes peças e produtos feitas pelos alunos da universidade.  

Segundo o professor de engenharia Paulo Roberto Vieira Alves, com a tecnologia os alunos conseguem ser mais criativos durantes as aulas.   

"Com a impressão 3D os alunos podem criar seus protótipos para de forma mais rápida e com baixo custo. Isso facilita as aulas, pois se ganha tempo pulando etapas de produção convencionais e também por ser possível fazer a impressão à distância, sem estarem presentes", diz o professor.  

Alves também que a tecnologia é essencial na formação do profissional. "Elas já são utilizadas no mercado, então é importante para que o aluno possa adquirir conhecimento das novidades e tecnologias mais recentes utilizadas pelas indústrias e empresas", acrescenta.  

Análise
 
A questão é como usar e não o que usar diz especialista
 
"Pensando em tecnologia, de um modo geral, hoje há diversas possibilidades para todas as áreas do mercado. Também vemos que cada dia mais essa tecnologia fica mais acessível ao público. Mas acredito que o inovador não está na tecnologia ou na ferramenta em si, e sim na maneira de aplicar tal ferramenta. Como posso inovar na minha empresa ou na educação com uma determinada ferramenta? O que é possível fazer de diferente do que já é feito? Esses questionamentos são importantíssimos ao falarmos de inovação. Vivemos em tempos de constantes transformações, onde o futuro na tecnologia é incerto e cada vez mais novas ferramentas vão surgir e se tornar mais acessível a todo o tipo de público. Então, é preciso saber administrar isso e, em teoria, sempre encontrar outro jeito de usar uma ferramenta a meu favor." (Ricardo Luis Morelli, especialista na área de engenharia de software)  

(Priscilla Figueiredo, com supervisão de Rita Magalhães) 

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