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Economia

Indefinição política do País traz incerteza ao mercado financeiro

Para especialistas, crise política e dias turbulentos como o de ontem, causam oscilação nos negócios

| ACidade ON

Em um dia turbulento - que começou com o presidente interino da Câmara, deputado Waldir Maranhão (PP-MA), anulando a votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff e terminou com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) afirmando que dará continuidade ao processo -, o mercado financeiro sofreu oscilações.

Por volta do meio-dia a Bolsa caiu e o dólar subiu, reagindo imediatamente à notícia da anulação do impeachment. “Na hora da notícia da anulação o dólar subiu mais de 4% e a Bolsa caiu muito, cerca de 3,50%. Depois acalmou”, afirma Luiz Fukuhara, administrador e sócio fundador da RP Capital.
Fukuhara acredita que, com as indefinições políticas, a volatilidade segue. “O mercado tende a ficar mais calmo só após o impeachment e a definição de quais medidas de austeridade o próximo governo irá seguir”, analisa.

Para ele, a saída da petista deve elevar a confiança dos empresários para retomada de investimentos. “Enfim, se tudo ocorrer bem ainda teremos anos de sacrifícios pela frente até colocarmos a economia no lugar. A melhora não virá no curto prazo”, frisa.

O economista e professor da FEA/USP-RP Alexandre Nicolella diz que essas oscilações no mercado financeiro irão acontecer até uma definição do processo. “Tudo isso devido a queda da expectativa”, afirma. “Isso significa que as decisões de investimentos vão demorar mais para dar retorno. Não por ser melhor ou pior, mas pela indefinição”, completa.

Segundo ele, a economia seguirá dando sustos. “E não dá para fazer previsão, vamos continuar nessa montanha-russa. O momento é de espera”, destaca.

Imbróglio

De acordo com o economista José Rita Moreira, o reflexo desse imbróglio foi percebido rapidamente no mercado financeiro, que tinha um entusiasmo com o impeachment.

“Essa oscilação deixou claro que o mercado não está satisfeito com a permanência da presidente Dilma, que sua credibilidade de governar acabou”, frisa. “Desta forma, seguiremos em compasso de espera até ter a definição de novos rumos para investimento”, completa.

Para Moreira, a permanência da presidente Dilma tem prejudicado a economia, com a queda da confiança e a cautela nos investimentos. “Como o mercado financeiro só trabalha com certezas, em meio a um jogo de especulações, o momento é de espera”, finaliza.

Análise - ‘Indefinição gera insegurança’

“O mercado financeiro - e a economia como um todo - depende de expectativas, e estas dependem do mundo político. O mercado espera um desfecho nesta semana sobre o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Mas, com o pedido de anulação da votação, e a negativa no Senado, gera-se uma indefinição. E a economia sofre, porque fica sem expectativa clara, aumentando a insegurança. O risco político aumenta muito quando não se sabe quem irá presidir o país. E, desta forma, não há investimentos e a economia fica parada. Ficamos ao passo de espera e os negócios também ficam esperando para acontecer. Mas, em meio a tudo isso, a dívida externa aumenta, os desempregados continuam sem emprego, a inflação não estabiliza, ou seja, a economia não movimenta. O maior problema atual do País é político. Porém, ele influencia diretamente na economia. E como o cenário continua muito confuso, indeterminado, o ambiente acaba não sendo propício aos investimentos. Há um conflito entre executivo e legislativo no Brasil. E, enquanto não há consenso político, o risco de investir no País é muito grande. Por isso, o momento é de espera e de aguardar a evolução do processo de impeachment.” Edgard Monforte Merlo, Economista e professor da FEA/USP-RP.

Murilo Corte / Especial
O engenheiro elétrico Antônio Carlos Maçonetto (foto: Murilo Corte / Especial)

‘Seria uma tentativa de mudança de rumo’

No momento em que vive o País, com forte recessão econômica, falta de credibilidade e intensa crise política, o processo de impeachment seria uma tentativa de mudança de rumo. Contudo, a troca de presidente por si só não resolve a situação orçamentária e fiscal em que se encontra as administrações públicas. É preciso que, se vier a assumir o comando do País, o novo presidente promova reformas – fiscal, tributária e previdenciária – capazes de reequilibrar as contas do Governo. Somente após a resolução dos gargalos atuais é que poderemos formatar um quadro econômico mais sadio, com retorno do investimento, criação de emprego e renda para a população. Antonio Carlos Maçonetto
Presidente da Acirp (Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto)

Divulgação
Paulo César Garcia Lopes, Presidente do Sincovarp

‘Troca de governo pode ser um recomeço’

A troca de governo pode ser um recomeço para os setores do país. O comércio, que depende fortemente do consumo interno, tende a permanecer com as vendas mornas pelo menos até que o imbróglio político se resolva e uma agenda positiva comece a ser discutida e colocada em prática. Em Ribeirão Preto, as lojas estão registrando números negativos nas vendas há 16 meses. De tudo, fica a boa notícia, de que estamos vivendo uma transformação sem precedentes na história do Brasil, juntamente às ações que estão acontecendo na política e a esperança de que suas consequências sirvam para o amadurecimento das pessoas e melhoria das instituições.
Paulo César Garcia Lopes Presidente do Sicovarp (Sindicato do Comércio Varejista de Ribeirão Preto)

Mastrangelo Reino / A Cidade
Marcelo Maçonetto, Gerente Regional do Ciesp (foto: Mastrangelo Reino / A Cidade)

‘Dilma teve nova oportunidade e falhou’

O país vem passando por uma crise econômica, fiscal, política e de credibilidade. Esta última vertente impede que os ajustes necessários sejam feitos para contornar as demais faces da crise. O governo atual colocou o país na situação atual e dificilmente conseguirá arrumar a “casa”, já que é constantemente bombardeado com novos escândalos a cada minuto. Este mesmo governo já teve nova oportunidade, no começo do segundo mandato de Dilma, de promover os ajustes necessários para equilibrar as contas e permitir estabilidade econômica, o que atrairia os investimentos de volta e, consequentemente, estimularia a economia. Todavia, falhou nisso também.
Marcelo Maçonetto, Gerente regional do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo)


 

 

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