Com medo, consumidor de Ribeirão deixa carne no supermercado

Neste final de semana, após divulgação da investigação feita pela PF, vendas caíram na cidade

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Funcionário de hipermercado disse ao ACidade ON que, durante o fim de semana, foi baixa a venda principalmente da carne moída disponibilizada em embalagens a vácuo (Foto: Pexels / Pixabay)

 

O consumidor de Ribeirão Preto está receoso em relação ao consumo de carnes e embutidos de grandes marcas, após a Polícia Federal deflagrar a Operação Carne Fraca na última sexta-feira (17), que revelou que aproximadamente 30 empresas do setor adulteravam o produto que vendiam para os mercados interno e externo. E supermercados da cidade sentiram a queda nas vendas neste final de semana.

O funcionário de um hipermercado disse ao ACidade ON que, durante o fim de semana, foi baixa a venda principalmente da carne moída disponibilizada em embalagens a vácuo.

“Após as notícias sobre a operação policial, as pessoas passaram a ficar apreensivas e a desconfiar que possa haver algo de errado. Por isso, sobrou o produto”, disse o funcionário, que lavava um dos refrigeradores na manhã desta segunda-feira (20).

“A minha vontade é de não comprar nenhuma carne. Acredito que eles [frigoríficos] vão sentir no bolso a queda nas vendas, já que tem ficado muita carne no refrigerador do mercado”, declarou um aposentado que fazia compras em um supermercado na zona Norte da cidade. No estabelecimento, havia muitos cartazes anunciando promoções de carnes e as geladeiras estavam cheias do produto na manhã desta segunda.

Para a dona de casa Margarida Silva, mesmo com as promoções será difícil comprar carnes nos próximos dias. “Pelo menos até sabermos certinho quais produtos e se a fiscalização aumentou, não dá pra confiar.”

Em um atacado na zona Oeste de Ribeirão, um sushiman observava os cortes de carnes em exposição. “Em meio às piadas que surgiram, como a do papelão na carne, fica o medo de comprar e consumir, pois não temos a certeza de que o que está escrito na embalagem é verdade. Somente quem conhece a carne é o açougueiro, pois é ele quem tem o contado direto com o produto”, afirmou ele.

Já Raquel Gouvêa disse que vai aproveitar o período de Quaresma para ficar longe das carnes vermelhos e embutidos. “Tudo bem que o peixe fica mais caro nessa época, mas é o jeito.”

Rastreamento

Por meio de nota, a Abras (Associação Brasileira de Supermercados) disse ao ACidade ON que aguarda a identificação dos lotes irregulares para tomar medidas necessárias.

Na nota, a associação ressaltou que o consumidor deve observar o selo do Serviço de Inspeção Federal (SIF) e assegura que as lojas não mantêm o produto em seus estoques por mais de dez dias – esse seria o prazo médio entre produção e comercialização.

A Abras ainda afirmou que “orienta seus associados a priorizar a qualidade e a segurança na comercialização dos alimentos vendidos em todas as lojas do Brasil”.

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Em 2012, a Justiça condenou a Coselli a pagar R$ 1 milhão em indenização (Foto: Reprodução EPTV)

 

Bacalhau e uva passa

Ribeirão Preto e região já passaram por problema parecido em fevereiro de 2000.

A unidade da importadora Coselli em Cravinhos e parte da empresa em Ribeirão foram fechadas sob acusação do Ministério Público de alteração na validade dos alimentos comercializados, principalmente o bacalhau norueguês e uvas passas produzidas na Argentina.

Peças de bacalhau, vencidas há um ano, eram raspadas e uma grossa camada de sal era aplicada para maquiar a validade.

À época, o promotor de Justiça de Cravinhos, Wanderley Trindade, acusou aproximadamente 20 pessoas – inclusive o dono da empresa – de formação de quadrilha, falsidade ideológica contra a saúde pública e contra a relação de consumo.

A promotoria estimou em R$ 35 milhões todo o material apreendido na empresa durante a operação. Em 2012, a Justiça condenou a Coselli a pagar R$ 1 milhão em indenização.


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