Ainda dá tempo de equilibrar as contas e fechar o ano no azul

Economista dá dicas para usar o 13º salário e restituição do Imposto de Renda para quitar as dívidas na virada do ano

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    • Gabriela Virdes

Milena Aurea / A Cidade

 

O final do ano está chegando e com ele é hora de planejar as finanças para 2018. Certo? Nem sempre. Muitas pessoas ainda estão preocupadas com as dívidas contraídas em 2017. Mas, a boa notícia é que ainda dá tempo de colocar as contas em ordem e fechar o ano no azul.

Especialistas garantem que é possível se livrar das dívidas e fazer com que os gastos caibam dentro da renda mensal. Para isso, a principal medida a ser adotada é tentar renegociar os passivos com os credores.

Para a economista e professora de pós-graduação da FAAP-RP, Maria Angélica Luqueze, uma boa forma de fechar 2017 sem dívidas é usar o 13º salário e/ou a restituição do imposto de renda para quitá-las total ou parcialmente.

“Muitas vezes, o que a pessoa irá receber é insuficiente para quitar todo o passivo. Mas, se ela conseguir pagar uma parte já ajuda muito”, afirma. “Até porque, o final de ano é uma época em que todos querem comprar presentes de Natal e participar de eventos, o que gera gastos”, reforça.

E se com o 13º salário não for possível amortizar integralmente a dívida, a economista orienta procurar o credor e tentar uma renegociação. “Outra opção é substituir dívidas mais caras por mais baratas. Trocando aquela que possui juros mais altos por outra de taxas mais baixas”, explica.

Segundo ela, o importante é saber administrar os passivos e segurar os gastos. “Se conseguir dar uma entrada com uma parte do 13º salário e renegociar o restante, irá atenuar o fluxo de dívidas que vem pela frente. É uma providência extraordinária”, garante.

Além disso, Maria Angélica lembra que, com o dinheiro em mãos, a pessoa ganha o poder de barganha para liquidar a dívida à vista. “A renegociação é boa para os dois lados.”

Freio

A economista frisa a importância dos endividados segurarem os gastos neste Natal. “De fato a inflação está cedendo, o poder de compra está melhorando, o desemprego está reduzindo”, diz. “Mas, as pessoas não podem pensar nisso e já começar a gastar. Ainda tem muito passivo que precisa ser equilibrado, antes de dar esse passo de consumo”, finaliza.  

Planejamento é fundamental

Segundo a economista Maria Angélica Luqueze, mesmo quem não possui dívidas não deve gastar todo o 13º salário ou restituição do imposto de renda neste final de ano.

“Uma opção é aproveitar esses recursos para se programar para o início de 2018, quando há as despesas de IPTU, IPVA, material escolar”, afirma.

Para ela, esse recurso adicional, que entra em dezembro, deve ser distribuído em: gastos do Natal, dívidas e despesas do início do ano.

“É essencial que a pessoa tenha consciência de que quando for gastar neste final de ano, quer seja com presentes ou com a própria ceia, que não esbanje muito, pois terá esses compromissos logo no início do ano”, orienta. “A palavra-chave é planejamento. Se não conseguir visualizar os gastos, renda e despesas pela frente, e acabar exagerando no final do ano, o risco é das dívidas aumentarem”, finaliza.

Perfil dos Endividados

Somente no Brasil, a crise econômica já deixou mais de 13 milhões de pessoas desempregadas desde 2014 e, com isso, o percentual de famílias endividadas chegou a 57,1%, em julho deste ano. A informação é da Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor. Para 76,8% das pessoas, o cartão de crédito foi o principal motivo das dívidas – seguido dos carnês (15,4%) e do crédito pessoal (11%).

Procon ajuda na negociação

O que muita gente não sabe é que o Procon de Ribeirão Preto oferece auxílio aos consumidores na renegociação de dívidas. 

“No trabalho que fazemos, o objetivo é aproximar as partes: consumidores e credores. Quando aceitam, a expectativa de negociação é sempre positiva”, afirma Feres Najm, chefe de Divisão de Gerenciamento do Procon/RP. 

Segundo ele, na maioria das vezes, a principal causa da inadimplência em Ribeirão Preto tem relação com o mau uso do cartão de crédito. “Seguido por telefonia e crédito pessoal”, diz.

E, durante a intermediação entre o consumidor e os credores, o órgão verifica se há juros ou multas abusivas, cláusulas erradas no contrato, cobrança de serviços que não foram contratados e que geraram dívidas etc. 

“Temos bons resultados, na maioria dos casos, pois tentamos adequar o valor da parcela dentro do padrão de pagamento do consumidor e também reduzir a porcentagem dos juros”, frisa. 

 

Para contar com a ajuda do Procon na renegociação das dívidas, o consumidor precisa estar munido dos documentos pessoais e dos relativos à dívida, como faturas e extratos bancários. 

 


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