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Economia

Déficit de empregos chega a 5 mil em dez anos em Ribeirão Preto

Dados são resultado de estudo apresentado ontem pela Associação Comercial e Industrial

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Desempregada, Gabriela Dias investiu em cursos e abriu o próprio negócio (foto: Matheus Urenha / A Cidade)
  

Ribeirão Preto registrou um déficit de cinco mil empregos nos últimos dez anos entre 2007 e 2017. Este é o resultado do estudo referente ao Mercado de Trabalho na cidade, realizado pela Acirp (Associação Comercial e Industrial), que mostra que a crise e o aumento da informalidade podem ser explicações para o fenômeno.  

Segundo dados do Ministério do Trabalho que divulga a criação líquida de postos de trabalho -, Ribeirão apresentou saldo negativo de criação de vagas em 2015 e 2016, de -6.323 e -3.860, respectivamente. Mas, em 2017, fechou no positivo, em 915 vagas. 

"Mas, quando se cruza os dados do Ministério do Trabalho com as projeções populacionais feitas pelo Seade, percebe-se que a situação é ainda mais grave", comenta Gabriel Couto, coordenador do Núcleo de Inteligência e economista da Acirp. Isso porque, segundo ele, as vagas de emprego não acompanharam o crescimento da população economicamente ativa e reforça que Ribeirão está longe de recuperar tudo o que foi perdido. "Não só temos que retomar os empregos que foram destruídos, como se tem que dar emprego para as pessoas que estão ingressando na idade ativa para o mercado de trabalho", reforça.  

Assim, muitas pessoas não conseguiram emprego formal neste período de crise. "A criação de emprego ficou aquém", afirma. "Muitas destas pessoas estão desempregadas, e outras acabaram partindo para a informalidade ou para trabalhar por conta própria", completa.

Cálculo de processos  

Este é o caso da calculista Gabriela Dias Buzzola, de 29 anos. Ela trabalhava como secretária em um escritório de advocacia especializado em processos trabalhistas. "Lá aprendi a fazer cálculos de processos de liquidação de sentenças. Tanto é que me inscrevi em um curso de cálculo de processo", conta.  

Mas, em meados de 2015, Gabriela foi demitida. "Como estava terminando o curso, decidi trabalhar por conta própria", diz. "E tem dado certo, pois já ganho mais do que no escritório e ainda controlo meus horários", encerra. 

Recuperação da economia  

A reversão desta situação, segundo Gabriel Couto, passa pela recuperação da economia. "Que está começando, em estágio inicial, mas ainda está longe de diminuir esse saldo negativo", frisa. O economista explica que nos últimos dois anos, em 2016 e 2017, Ribeirão Preto teve um saldo de cerca de quatro mil pessoal a mais em idade ativa na cidade. "A geração de empregos em 2017 foi positiva, mas de 915 vagas. Então, para que a gente comece a absorver estas pessoas que estão entrando no mercado de trabalho é preciso uma geração de cerca de quatro mil empregos por ano. E isso não acontece desde 2013", diz.  

Para Couto, é preciso uma recuperação da economia para que as empresas voltem a contratar. "Que voltem a retomar a confiança e, assim, possam gerar mais empregos e absorver esse contingente de pessoas que estão entrando no mercado formal", conclui ele, que acredita que a retomada do emprego ainda irá se arrastar por vários anos. 

Informalidade  

Para Antônio Vicente Golfeto, diretor do Instituto de Economia Maurílio Biagi da Acirp, os dados também indicam que grande parte da população está se encaminhando para o empreendedorismo ou para a informalidade.  

"O desemprego dispara o gatilho do empreendedorismo. Quando o empregado é um empreendedor, a economia ganha impulso. Mas quando o desempregado não é empreendedor, acontece um fracasso previsto. Ele não queria criar uma empresa. Ele queria ter um emprego", analisa Golfeto.  

E completa: "Ribeirão Preto e o Brasil como um todo viveu dois apagões, que foi o que uniu o pico do desenvolvimento e o pico da recessão. Houve apagão de mão de obra no primeiro caso e apagão de emprego no segundo. A melhor política social ainda é uma economia que cria emprego", avalia Golfeto. 

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