Dodge Challenger T/A segue a tradição muscle car, mas com sistema multimídia moderno

Modelo 'renasceu' para competir justamente com os também retrofuturistas Ford Mustang e Chevrolet Camaro

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    • Da reportagem


por Alejandro Konstantonis /do Autocosmos.com
colaborou Márcio Maio/Auto Press  

O Dodge Challenger é um dos poucos modelos sobreviventes entre os carros retrô. Um verdadeiro "muscle car", que "renasceu" para competir justamente com os também retrofuturistas Ford Mustang e Chevrolet Camaro. Sua primeira geração surgiu em 1969, sendo comercializada até 1974, quando a crise do petróleo prejudicou significativamente o segmento de "muscle cars". A segunda geração veio apenas em 1978, mantendo-se em produção até 1983, quando o esportivo parecia ter sido mesmo abandonado pela marca. 

Em 2008, 25 anos depois, ele ressurgiu e em 2015 ganhou uma atualização e também versões especiais, como Scat Pack, Hellcat e Demon. É nestas versões também que se encontra a T/A, um acrônimo formado pelas iniciais da Trans-Am, competição americana do Sport Car Club of America. A Trans-Am foi criada em 1966, promovendo uma disputa acirrada entre as marcas. E as fabricantes levavam a competição a sério, até porque sabiam bem que as corridas com carros de rua resultariam em vendas mais altas para aqueles modelos.  

Sob o capô, o Dodge Challenger T/A carrega um enorme motor HVHI OHV V8 de 6.4 litros longitudinal, que oferece 485 cv de potência a 6.100 rpm. A força de torque é de 65,7 kgfm em 4.100 giros, sendo esta força enviada ao o eixo traseiro por meio de uma transmissão manual de seis marchas, assinada pela Tremec.  

As dimensões são generosas: o comprimento é de 5,27 metros, a largura é de 2,17 m, a altura é de 1,45 m e, finalmente, a distância entre-eixos é de 2,95 m. Já o peso é de 1.932 kg. O sistema de suspensão é independente no eixo dianteiro e multibraços no eixo traseiro. Apesar de se tratar do mesmo sistema que equipa o SRT Challenger Scat Pack, a suspensão no T/A foi rebaixada em 12 milímetros e reforçada. Os amortecedores são fabricados pela Bilstein. Os freios são a disco nas quatro rodas, da Brembo, e as rodas de alumínio têm 20 polegadas.  

O visual retrô que se vê no exterior reforçado pela combinação entre o amarelo e o preto da carroceria também aparece por dentro. Principalmente no conjunto de instrumentos, básico e bem simples, com indicadores analógicos de tacômetro e velocímetro. Há, porém, uma tela central sensível ao toque e com 8,4 polegadas na verdade, o sistema multimídia Uconnect, do grupo FCA que fornece múltiplas informações, configuráveis a partir de um botão no volante, mostrando que não se trata de um carro antigo. O estofamento é forrado em alcantara, o banco do motorista oferece ajuste elétrico e o ar-condicionado é de duas zonas. Nos Estados Unidos, o preço do Dodge Challenger T/A começa em US$ 37.500, ou seja, algo em torno de R$ 121 mil. Bem próximo dos rivais da Ford e da Chevrolet.

Puro vigor  

Até pelo desenho e as características que valorizam o passado do Dodge Challenger, o interior do modelo chama bastante atenção em função da prática e moderna central multimídia Uconnect. Inclusive porque o equipamento gerencia e combina aplicativos de informação e entretenimento, como alguns relacionados ao torque e à potência gerada pelo motor. A mesma tela também possibilita a interação do carro com um celular e é inclusive compatível com os sistemas Android Auto e Apple CarPlay.  

Guiar um esportivo com um propulsor V8 aspirado capaz de gerar 485 cv com caixa manual e tração traseira é uma experiência quase religiosa para condutores mais puristas. Basta dar a partida para o motor rugir de um modo que logo se nota o quão amplas são suas capacidades em relação ao desempenho. Trata-se de um som viciante que os "muscle cars" ostentam e que, assim como instiga motoristas mais experientes, também intimida um pouco os iniciantes.  

A posição de condução é confortável e boa, até porque as dimensões do Challenger são generosas particularmente a largura. Por outro lado, isso faz com que seja necessária mais atenção ao enfrentar estradas com faixas mais estreitas. Um dos principais destaques do modelo é o câmbio manual, mas em perímetro urbano ele se torna um tanto incômodo. Isso porque é preciso controlar com cuidado o pedal da embreagem diante do para e anda das grandes cidades, o que é extremamente cansativo em longos engarrafamentos. A recompensa vem mesmo nas estradas livres, onde é possível explorar ao máximo todos os predicados desse verdadeiro tesouro carismático e de muita personalidade da Dodge.



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